O cenário econômico brasileiro para 2025 apresenta desafios significativos para as empresas, impulsionados pela forte valorização do dólar e pelo aumento das taxas de juros. A combinação desses fatores tem um impacto direto no endividamento das companhias, especialmente aquelas com grande exposição em moeda estrangeira.
Um levantamento realizado pela consultoria Elos Ayta revelou que a dívida em moeda estrangeira de 102 empresas de capital aberto corresponde a 38,8% do endividamento total, somando R$ 353 bilhões até o final de setembro. A desvalorização do real frente ao dólar entre o terceiro e quarto trimestres poderia adicionar cerca de R$ 39 bilhões a essa dívida, sem considerar operações de hedge. Essa elevação corresponde a 53,2% do Ebit (Lucro antes de juros e tributos) dessas empresas no terceiro trimestre de 2024, que foi de R$ 73,3 bilhões.
Essa dinâmica financeira complexa coloca em evidência a importância de estratégias de gestão de risco cambial para mitigar os efeitos da volatilidade. Conforme o consultor Einar Rivero, da Elos Ayta, "Essa projeção sublinha a necessidade de medidas robustas para proteger as empresas contra as oscilações do mercado e garantir a continuidade dos negócios mesmo em condições econômicas desafiadoras”.
Dívida em Moeda Estrangeira: Um Fardo Crescente
A análise da Elos Ayta detalha que, dos R$ 353 bilhões em dívida estrangeira, R$ 68,9 bilhões (19,5% do total) possuem vencimento no curto prazo, ou seja, nos próximos 12 meses. Essa parcela da dívida é a mais sensível às variações cambiais, e o recente salto do dólar já ocasionaria um aumento de R$ 7,6 bilhões nesse montante.
Segundo Fábio Astrauskas, sócio diretor da consultoria Siegen, o cenário é ainda mais desafiador devido ao aumento das taxas de juros que impactaram negativamente as empresas neste ano. "E por que isso acontece, apesar da alta do PIB neste ano? É por causa da taxa de juros, que está em níveis parecidos com os de 2016. Isso mostra que as empresas estão muito sensíveis a juros e despesas financeiras, e que faltam condições para que possam pagar o serviço de suas dívidas.", observou Astrauskas. Ele aponta que o aumento nos pedidos de recuperação judicial em 2024 superou até mesmo o ano de 2016, quando o país enfrentava uma recessão.
Proteção Cambial: Uma Necessidade Urgente
As empresas que não implementaram medidas de proteção cambial, como operações de hedge ou que não possuem um volume expressivo de exportações (que atuam como um balanceador natural do risco cambial) são as mais vulneráveis. Conforme o consultor Rivero, "A gestão de risco cambial é imprescindível para minimizar efeitos adversos da volatilidade do câmbio nos balanços das empresas".
A falta de informação sobre a dívida em moeda estrangeira por parte de 71 empresas no terceiro trimestre é uma preocupação adicional. Esses dados omitidos sugerem um endividamento potencialmente ainda maior, o que aumenta a complexidade do panorama financeiro corporativo para o ano de 2025.
Em resumo, a combinação de alta do dólar, juros elevados e a expressiva dívida em moeda estrangeira de empresas brasileiras cria um ambiente econômico desafiador que exige medidas eficazes de gestão financeira e de risco.
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