Doze ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todos com mais de 60 anos, além da recém-demitida Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde, não tomaram ou não completaram a vacinação de reforço contra a Covid-19 em 2024. A situação contraria a recomendação do próprio governo, que prevê uma dose a cada seis meses para essa faixa etária.
A informação foi revelada pelo coluna do Tácio Lorran no portal Metrópoles, que analisou os registros de imunização dos integrantes da gestão federal. Segundo a apuração, nem mesmo Nísia Trindade, de 67 anos, seguiu a recomendação do ministério que comandava, tendo recebido apenas uma única dose em fevereiro deste ano. Após a divulgação do levantamento, ela afirmou que pretende atualizar a caderneta de vacinação “nesta semana”.
A ex-ministra foi demitida na última terça-feira (25/2) após uma conversa com o presidente Lula. A mudança ocorreu em meio a um processo de reformulação ministerial e troca de cargos no governo.
Lista de ministros com vacinação incompleta
Entre os membros do primeiro escalão do governo federal que não receberam todas as doses de reforço indicadas estão:
- Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), 72 anos – Médico anestesista, Alckmin não tomou os dois reforços recomendados em 2024.
- José Múcio Monteiro (Defesa), 76 anos – Não recebeu os reforços de 2023 e 2024.
- Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), 76 anos – Tomou seis doses da vacina ao longo dos anos, mas faltou um reforço em 2024.
- General Amaro (Gabinete de Segurança Institucional), 67 anos – Não tomou doses de reforço em 2022 e em 2024.
- Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), 66 anos – Não recebeu nenhum dos dois reforços indicados para 2024.
- Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), 65 anos – Não tomou os reforços necessários neste ano.
- Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), 63 anos – Não se vacinou com as doses de reforço previstas para 2024.
- André de Paula (Pesca e Aquicultura), 63 anos – Nenhuma dose de reforço em 2024.
- Margareth Menezes (Cultura), 62 anos – Não se vacinou em 2023 nem em 2024.
- Cida Gonçalves (Mulheres), 62 anos – Não recebeu reforços em 2024.
- Márcio França (Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte), 61 anos – Nenhuma dose de reforço neste ano.
- Fernando Haddad (Fazenda), 61 anos – Não tomou vacinas contra a Covid em 2023 nem em 2024.
No caso de Rui Costa (Casa Civil), 61 anos, sua assessoria não forneceu detalhes sobre o cartão de vacinação, mas informou que ele tomou quatro doses da vacina contra a Covid e uma contra febre amarela. Com isso, sua caderneta pode não estar completamente atualizada.
Dos 19 ministros com 60 anos ou mais, apenas três completaram o esquema vacinal de reforço no último ano:
- Carlos Lupi (Previdência Social)
- Mauro Vieira (Relações Exteriores)
- Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social)
Recomendação do Ministério da Saúde
Desde dezembro de 2023, idosos e gestantes passaram a integrar o Calendário Nacional de Vacinação para a imunização contra a Covid-19. A recomendação oficial do Ministério da Saúde é de que pessoas acima de 60 anos recebam uma dose extra a cada seis meses, uma vez que esse grupo é mais vulnerável às complicações da doença devido ao processo de imunossenescência – o envelhecimento do sistema imunológico, que reduz a capacidade de resposta contra infecções.
A atualização do esquema vacinal também é uma estratégia para evitar o agravamento da Covid-19, sobretudo em momentos de novas variantes e aumento de casos sazonais.
O que dizem os ministros?
Após a divulgação da reportagem, alguns ministérios se manifestaram sobre a situação vacinal dos seus titulares.
A assessoria de Ricardo Lewandowski informou que o ministro tomou seis doses da vacina contra a Covid-19. “No que diz respeito a informações de interesse de saúde pública, como é o caso da vacinação contra a Covid-19, o ministro informa que, seguindo recomendação do Ministério da Saúde, tomou as seis doses da vacina”, afirmou a nota oficial. Apesar disso, ele não tomou um dos reforços de 2024.
Já o Ministério do Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (MEMP) declarou que Márcio França mantém “total compromisso com a valorização das políticas públicas de imunização e atualizou sua carteira de vacinação recentemente“.
O Ministério da Cultura, por sua vez, afirmou que Margareth Menezes tomou três doses da vacina contra a Covid-19: a primeira em 21 de maio de 2021, a segunda em 17 de agosto de 2021 e a terceira, um reforço, em 21 de março de 2022. Segundo a pasta, ela seguiu o esquema recomendado na época para garantir a imunização.
Os demais ministérios não responderam aos questionamentos.
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