O sistema de saúde do Rio Grande do Norte opera sob forte pressão devido a um déficit financeiro de R$ 1,1 bilhão. A crise, desencadeada pela redução da alíquota do ICMS, impactou diretamente a arrecadação estadual e, consequentemente, a área da saúde.
Alexandre Motta, o novo secretário estadual de Saúde, descreve a situação como de insuficiência financeira, com pagamentos a empresas terceirizadas – responsáveis por serviços essenciais, como o fornecimento de profissionais para UTIs – em atraso. O prazo de quitação de contratos, originalmente previsto para 90 dias, estendeu-se para 180, gerando instabilidade e comprometendo o atendimento em hospitais públicos.
O Hospital Walfredo Gurgel, principal unidade de urgência e emergência do estado, é um dos mais afetados. A superlotação é uma realidade constante, com cerca de 400 pacientes diários em uma estrutura projetada para 300 leitos. Essa sobrecarga dificulta o atendimento e expõe pacientes e profissionais a condições precárias.
Medidas paliativas: barreira ortopédica em Macaíba
Em resposta à crise, o governo estadual implementou uma barreira ortopédica no Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba. A iniciativa visa desafogar o Walfredo Gurgel, transferindo para a unidade de Macaíba procedimentos de baixa e média complexidade na área de ortopedia. Segundo Motta, seis cirurgias já estavam agendadas para o início da operação.
O secretário ressalta, no entanto, que a raiz do problema da superlotação do Walfredo Gurgel reside fora do hospital, especialmente no alto número de acidentes de moto. “O problema do Walfredo não está apenas dentro do hospital. A maioria dos casos vem de acidentes de moto provocados por imprudência, consumo de álcool e falta de equipamentos de proteção“, afirmou.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) também sofre as consequências da crise, com ambulâncias retidas por horas aguardando vagas no hospital, o que prejudica o atendimento a novas ocorrências.
Questionado sobre a necessidade de ampliar o quadro de profissionais da saúde, Motta afirmou que a prioridade é regularizar os pagamentos atrasados às empresas terceirizadas. Ele reconheceu que a contratação de servidores efetivos seria uma solução mais estável a longo prazo, mas que o cenário financeiro atual impõe restrições.
O projeto do Hospital Metropolitano, anunciado pela governadora Fátima Bezerra e pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, surge como uma esperança para aliviar a pressão sobre o Walfredo Gurgel. A unidade seguirá o modelo de porta fechada, atendendo apenas casos regulados, como neurocirurgias e cirurgias cardíacas.
Vacinação e medicamentos: desafios na Unicat
Motta também abordou a importância de restabelecer a confiança da população no Programa Nacional de Imunização e reconheceu que a central de medicamentos do estado (Unicat) enfrenta dificuldades semelhantes às demais áreas da Secretaria de Saúde, impactadas pelo déficit estadual.
Enquanto aguarda a liberação do Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, onde ainda atua, Alexandre Motta se dedica a inteirar-se das demandas da Secretaria de Saúde. Sua prioridade inicial, segundo ele, é estabilizar as finanças da pasta para minimizar o impacto da crise sobre o atendimento à população.
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