Uma pesquisa conduzida por cientistas franceses revelou que a suplementação de vitamina D pode representar um avanço significativo no tratamento da esclerose múltipla (EM). O estudo, publicado na revista científica JAMA, demonstrou que pacientes que receberam doses elevadas do nutriente apresentaram menor atividade da doença, o que pode abrir novas perspectivas terapêuticas para milhões de pessoas afetadas por essa condição neurodegenerativa.
A relação entre a vitamina D e a esclerose múltipla
A esclerose múltipla é uma doença autoimune caracterizada pelo ataque do sistema imunológico à bainha de mielina, estrutura que protege os neurônios e garante a transmissão eficiente dos impulsos nervosos. Esse processo inflamatório causa danos progressivos ao sistema nervoso central, levando a sintomas como fadiga, dificuldades motoras, perda de visão e alterações cognitivas.
A vitamina D é um hormônio essencial para diversas funções do organismo, incluindo regulação do sistema imunológico, saúde óssea e neuromuscular. A principal fonte dessa substância é a exposição solar, mas ela também pode ser obtida por meio de alimentos como peixes gordurosos, ovos e cogumelos, além de suplementos. Estudos anteriores já indicavam que a deficiência de vitamina D poderia aumentar o risco de desenvolver esclerose múltipla.
Diante disso, os pesquisadores decidiram investigar se a suplementação dessa vitamina poderia atenuar a progressão da doença e reduzir os danos neurológicos.
O estudo clínico e seus resultados
O estudo foi realizado com 303 pacientes diagnosticados com síndrome clinicamente isolada (CIS), uma condição que pode evoluir para esclerose múltipla. Os participantes foram divididos em dois grupos:
🔹 Grupo 1 – Recebeu altas doses de vitamina D (colecalciferol) a cada 15 dias.
🔹 Grupo 2 – Recebeu placebo (substância sem efeito terapêutico).
O acompanhamento foi feito ao longo de dois anos, e os resultados foram avaliados por meio de exames de ressonância magnética (RM) para detectar lesões no cérebro e na medula espinhal.
Os dados demonstraram que 60,3% dos pacientes que tomaram vitamina D tiveram menor atividade da doença, enquanto no grupo placebo esse índice foi de 74,1%. Isso sugere que a suplementação pode ter um efeito neuroprotetor, reduzindo a inflamação e o número de novas lesões no sistema nervoso.
Outro achado relevante foi que os pacientes com maior benefício foram aqueles que:
✔️ Apresentavam deficiência grave de vitamina D no início do estudo;
✔️ Possuíam índice de massa corporal (IMC) dentro da faixa considerada saudável;
✔️ Não tinham lesões na medula espinhal antes do tratamento.
Segundo os autores, esses resultados sugerem que a suplementação de vitamina D pode ser uma alternativa acessível e de baixo risco para retardar a progressão da esclerose múltipla, especialmente em populações com acesso limitado a terapias imunomoduladoras.
O que isso significa para o futuro do tratamento da EM?
Embora o estudo tenha mostrado que a vitamina D pode reduzir a atividade da doença, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas:
🔹 O impacto da suplementação nos sintomas clínicos da EM, já que as diferenças entre os grupos foram menores nesse aspecto.
🔹 A relação entre a dose ideal de vitamina D e a resposta do sistema imunológico.
🔹 O potencial da suplementação em conjunto com outros tratamentos modificadores da doença.
Os pesquisadores afirmam que novos estudos serão necessários para determinar se doses mais elevadas de vitamina D podem oferecer benefícios ainda maiores.
A vitamina D já é amplamente utilizada para a prevenção da osteoporose e para a modulação do sistema imunológico. Seu uso na esclerose múltipla pode representar uma estratégia simples e segura, especialmente considerando que o tratamento padrão da doença envolve medicamentos de alto custo e efeitos colaterais significativos.
Como manter níveis saudáveis de vitamina D?
✔️ Exposição solar diária de pelo menos 15 a 30 minutos, sem protetor solar, em horários adequados.
✔️ Consumo de alimentos ricos em vitamina D, como salmão, atum, gema de ovo e cogumelos.
✔️ Suplementação orientada por um médico, especialmente para pessoas com deficiência comprovada.
Os achados desse estudo reforçam a importância da vitamina D na saúde neurológica e abrem caminho para novos protocolos terapêuticos na esclerose múltipla. Embora ainda sejam necessárias pesquisas adicionais, a suplementação pode representar uma estratégia segura, acessível e promissora para reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Se você convive com esclerose múltipla ou tem fatores de risco para a condição, converse com um médico neurologista sobre a importância da vitamina D no seu tratamento. 💙
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