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Descoberta de nova proteína pode rivalizar com Ozempic, com menos efeitos colaterais

Ministério da Saúde avalia incluir Ozempic no SUS em 2025
Ministério da Saúde avalia incluir Ozempic no SUS em 2025

Uma descoberta científica promissora pode revolucionar o tratamento da obesidade e do controle de apetite. Pesquisadores identificaram uma molécula natural que atua de forma semelhante aos agonistas de GLP-1, como o Ozempic, mas com o potencial de apresentar menos efeitos colaterais. A nova molécula é chamada BRP (peptídeo relacionado a BRINP2).

Assim como os agonistas de GLP-1, o BRP ativa neurônios específicos no cérebro, auxiliando no controle do apetite e na perda de peso. A principal diferença reside na via metabólica que cada peptídeo utiliza para atingir esse objetivo.

A pesquisadora Laetitia Coassolo, da Universidade de Stanford, liderou uma equipe que desenvolveu um programa de descoberta de fármacos baseado em inteligência artificial, denominado ‘Peptide Predictor’. O programa analisou milhares de proteínas e identificou 373 para investigação mais aprofundada. Dentre estas, os cientistas selecionaram 100 peptídeos com potencial para modular a atividade cerebral relacionada ao apetite.

A molécula BRP, composta por apenas 12 aminoácidos, destacou-se nos testes.

Resultados promissores em laboratório

Em experimentos in vitro, o peptídeo GLP-1 aumentou os marcadores de atividade em células de insulina humanas em três vezes, enquanto um fator de crescimento elevou a atividade em células cerebrais em dez vezes. Surpreendentemente, o BRP aumentou os marcadores de atividade em células neuronais e produtoras de insulina em mais de dez vezes.

Testes em animais, especificamente em camundongos machos magros, revelaram que a injeção de BRP reduziu pela metade a quantidade de alimento consumida na hora seguinte à aplicação. O mesmo efeito foi observado em miniporcos, cujos metabolismos e comportamentos alimentares são mais similares aos dos humanos.

Em camundongos obesos, injeções de BRP administradas ao longo de 14 dias resultaram em uma perda de peso média de 4 gramas, em comparação com o grupo de controle. Notavelmente, a maior parte dessa perda de peso foi proveniente de gordura corporal, e não de massa muscular.

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Vantagens potenciais sobre o Ozempic

Tratamentos com semaglutida, como o Ozempic, podem levar à perda de massa muscular e óssea, representando até 20% do peso total perdido. Essa característica tem gerado preocupações sobre os efeitos a longo prazo desses medicamentos, incluindo possíveis impactos na saúde cardiovascular.

Além disso, agonistas de GLP-1 podem causar efeitos colaterais indesejáveis, como náuseas e constipação. Em contrapartida, os testes em animais com BRP não demonstraram sinais desses efeitos colaterais, nem perda de massa muscular, possivelmente devido à ativação de receptores cerebrais distintos.

Katrin Svensson, pesquisadora de patologia da Universidade de Stanford, explica: “Os receptores alvo da semaglutida são encontrados no cérebro, mas também no intestino, pâncreas e outros tecidos. É por isso que o Ozempic tem efeitos generalizados, incluindo a desaceleração do movimento dos alimentos através do trato digestivo e a diminuição dos níveis de açúcar no sangue.

O BRP, por outro lado, parece atuar no hipotálamo, o centro do apetite e metabolismo do cérebro, ativando vias metabólicas e neuronais completamente diferentes da semaglutida.

Próximos passos

O futuro do BRP dependerá de seu desempenho em testes clínicos em humanos, que serão conduzidos em breve pela empresa de Svensson. O mercado de medicamentos para tratamento da obesidade é vasto e crescente, com projeções indicando que quatro em cada cinco americanos estarão obesos ou com sobrepeso até 2050.

Se o BRP se mostrar seguro e eficaz, ele se juntará a um mercado cada vez mais competitivo de medicamentos para perda de peso baseados em peptídeos, ao lado de opções já conhecidas como Ozempic, Wegovy e Tirzepatide.

Svensson enfatiza a importância da descoberta: “A falta de medicamentos eficazes para tratar a obesidade em humanos tem sido um problema por décadas. Nada que testamos antes se compara à capacidade da semaglutida de diminuir o apetite e o peso corporal. Estamos muito ansiosos para saber se [o BRP] é seguro e eficaz em humanos.“.

Esta pesquisa foi publicada na revista Nature.

 

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