O real registra, nesta sexta-feira (21), desvalorização frente ao dólar no mercado à vista, acompanhando a tendência de valorização da divisa americana em relação a outras moedas emergentes. A intensificação das preocupações sobre os possíveis impactos econômicos das tarifas propostas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e a retração nos preços das commodities contribuem para este cenário. As tarifas recíprocas americanas têm previsão para entrar em vigor em 2 de abril.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipa que o Brasil deverá enfrentar consequências devido ao histórico de disputas comerciais de Trump com diversas nações. A União Europeia, por sua vez, postergou para meados de abril a decisão sobre possíveis tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos, que já aumentaram para 25% a taxação sobre as importações de aço e alumínio.
Em paralelo, o senador republicano Steve Daines, um notório apoiador de Donald Trump, realiza uma visita a Pequim em meio a um contexto de ameaças tarifárias e acusações mútuas entre Washington e China sobre o combate ao comércio ilegal de fentanil.
Cenário fiscal e reforma da renda
No âmbito fiscal, o Congresso aprovou o projeto do orçamento para o ano corrente, aguardando a sanção presidencial. A proposta orçamentária tem gerado discussões sobre seu realismo, com foco nas despesas que foram consideradas e, principalmente, nas que ficaram de fora do cálculo. Esse cenário ecoa as reações ao Orçamento de 2025.
O ministro Haddad tem defendido a reforma da renda, assegurando a aprovação da taxação sobre os mais ricos como forma de compensar a isenção do Imposto de Renda (IR) para rendimentos de até R$ 5 mil até o final do ano, condicionada à devida compensação fiscal. Recentemente, Haddad previu a aprovação da isenção para quem ganha até R$ 5 mil.
A Warren Investimentos avalia que o projeto de lei que propõe a isenção do IR apresenta medidas compensatórias superestimadas e uma subestimação dos custos da isenção. Enquanto o governo federal estima uma perda de R$ 25,8 bilhões em receitas, a projeção da Warren aponta para uma renúncia fiscal de R$ 34 bilhões.
Desempenho corporativo
No setor corporativo, a Cemig encerrou o quarto trimestre de 2024 com uma alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, de 1,3 vez, um aumento em relação ao trimestre anterior, quando o indicador se situava em 0,89 vez.
A CCR, por sua vez, deverá propor aos seus acionistas, na próxima assembleia agendada para 23 de abril, a alteração de sua razão social e marca, adotando o novo nome Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A.
Fechamento do dólar
Na quinta-feira, 20, o dólar à vista registrou alta de 0,49%, atingindo R$ 5,6758, interrompendo uma sequência de sete quedas consecutivas (-3,49%). Este movimento refletiu a valorização da moeda americana no mercado internacional após a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas nos EUA.
No início do pregão desta sexta-feira, 21, o dólar à vista renovou a máxima intradia, alcançando R$ 5,7213 (+0,80%). A alta do dólar contrasta com o desempenho anterior do Ibovespa.
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