O dólar apresentou uma queda significativa, fechando o primeiro trimestre com um recuo de 7,67%. Essa é a maior baixa trimestral desde o primeiro trimestre de 2022, quando a moeda americana desvalorizou 14,63%. A sessão da última segunda-feira (31/03) refletiu essa tendência, com o dólar operando em baixa de 0,94%, cotado a R$ 5,71.
Inicialmente, a sessão de segunda-feira (31) apresentou uma leve alta do dólar, mas a trajetória se reverteu em meio ao aumento expressivo do preço do petróleo. Essa alta beneficia diretamente a Petrobras, impulsionando um fluxo maior de dólares para o país.
A instabilidade no mercado de petróleo foi intensificada pela ameaça do ex-presidente americano Donald Trump de taxar o petróleo russo em até 50%, caso a Rússia não finalize o conflito com a Ucrânia. Essa medida gerou preocupações sobre a oferta global de petróleo.
Alexandre Viotto, diretor de mesa de câmbio da EQI Investimentos, explica que a trajetória do dólar no início do ano refletia a expectativa de que um novo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos provocaria inflação e, consequentemente, a manutenção de altas taxas de juros pelo banco central americano. No entanto, o cenário mudou, e o medo de uma recessão nos EUA ganhou força.
Segundo Viotto, “o mercado vê as tarifas como sendo algo que vai reprimir o consumo nos Estados Unidos. E isso enfraquece o dólar porque o banco central americano vai ter que, entre outras coisas, baixar juros para deixar a economia americana rodando“.
Outro fator que contribui para a valorização do real é o que Viotto chama de “trade de eleição”. Ele observa que “Os investidores esperam uma mudança de governo no ano que vem, dado que com os números de aprovação que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem hoje, ele provavelmente não seria reeleito. Além disso, dentro do partido ou aliados, não tem nomes com força para ganhar o pleito. Como o governo é envolvo em temores fiscais, a expectativa é de que esse problema seja diminuído a partir de uma troca de governo“.
Adicionalmente, a formação da Ptax, taxa de referência para o câmbio do próximo mês, intensificou a volatilidade do mercado de câmbio durante o pregão de segunda-feira.
Os investidores também estão atentos à nova rodada de tarifas que os Estados Unidos devem anunciar em breve sobre seus parceiros comerciais. As taxas universais estão previstas para quarta-feira (2), data que o ex-presidente Donald Trump apelidou de “dia da libertação”. Outro evento que pode influenciar é a divulgação de que o ouro atinge novas máximas impulsionado pelas tarifas americanas.
Na última segunda-feira (31), o dólar encerrou o dia com uma alta de 0,13%, cotado a R$ 5,76. Na semana, a moeda americana acumulou um avanço de 0,74%. Essa variação pode ser um reflexo de temores sobre as tarifas de Trump, como mencionado anteriormente.
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