Uma pesquisa divulgada nessa segunda-feira (31/03) estabeleceu a ligação entre o tempo dedicado a jogos de videogame e um aumento na inteligência em crianças. O estudo, conduzido por pesquisadores da Holanda, Alemanha e Suécia, desafia a visão tradicional de que jogos eletrônicos são prejudiciais ao desenvolvimento cognitivo dos jovens.
Apesar da diferença observada nas habilidades cognitivas ser modesta e insuficiente para comprovar uma relação de causa e efeito, os resultados foram considerados significativos. O estudo – que foi iniciado em 2022, levou em consideração variáveis como diferenças genéticas e o contexto socioeconômico das crianças.
A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, indica que assistir televisão e usar redes sociais não apresentaram efeitos positivos ou negativos sobre a inteligência. Os resultados podem contribuir para o debate sobre o tempo de tela ideal para crianças.
“A mídia digital define a infância moderna, mas seus efeitos cognitivos são pouco claros e muito debatidos“, afirmam os autores no artigo. Eles também defendem que “estudos com dados genéticos poderiam esclarecer as alegações causais e corrigir o papel tipicamente não contabilizado das predisposições genéticas“.
Metodologia e resultados
Os pesquisadores analisaram dados de tempo de tela de 9.855 crianças nos Estados Unidos, com idades entre 9 e 10 anos, participantes do ABCD Study. Em média, as crianças relataram gastar 2,5 horas por dia assistindo TV ou vídeos online, 1 hora jogando videogames e meia hora socializando na internet.
Dois anos depois, os pesquisadores acessaram dados de mais de 5.000 dessas crianças e constataram que aquelas que relataram passar mais tempo do que a média jogando videogames apresentaram um aumento de 2,5 pontos de QI acima do aumento médio.
O aumento no QI foi medido com base no desempenho das crianças em tarefas que envolviam compreensão de leitura, processamento viso-espacial e uma tarefa focada em memória, pensamento flexível e autocontrole.
Implicações e próximos passos
O neurocientista Torkel Klingberg, do Instituto Karolinska, na Suécia, um dos autores do estudo, declarou em 2022 que “os resultados apoiam a afirmação de que o tempo de tela geralmente não prejudica as habilidades cognitivas das crianças, e que jogar videogames pode realmente ajudar a aumentar a inteligência“.
Klingberg também ressalta que o estudo não avaliou os efeitos do tempo de tela sobre a atividade física, sono, bem-estar ou desempenho escolar. “Agora, estudaremos os efeitos de outros fatores ambientais e como os efeitos cognitivos se relacionam com o desenvolvimento do cérebro na infância“, conclui.
Os pesquisadores reconhecem que amostras pequenas, diferentes desenhos de estudos e a falta de consideração pelas influências genéticas e socioeconômicas contribuíram para resultados conflitantes sobre os efeitos do tempo de tela. O estudo atual buscou minimizar essas limitações.
É importante ressaltar que esta não é a primeira pesquisa a sugerir uma possível ligação entre o tempo dedicado a jogos e o desenvolvimento de habilidades cognitivas em crianças. O artigo completo está disponível para consulta.
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