Rio Grande do Norte
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Saneamento precário coloca RN como 3º estado com maior taxa de mortalidade, aponta estudo

O Instituto Trata Brasil aponta que 21,6% da população do RN não tem acesso à água e 70,3% não possui coleta de esgoto.

Um estudo recente revelou que o Rio Grande do Norte possui a terceira maior taxa de mortalidade associada ao saneamento inadequado no Brasil. Com 4,814 óbitos por 100 mil habitantes, o estado fica atrás apenas de Roraima (7,539) e Piauí (5,441). A pesquisa, baseada em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), destaca o impacto da falta de investimentos em saneamento na saúde pública, sobrecarregando o sistema com doenças que poderiam ser evitadas.

As Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAIs) englobam enfermidades transmitidas por água ou alimentos contaminados – como diarreia e hepatite A –, por vetores como dengue e malária, e por contato com água poluída, a exemplo da leptospirose e esquistossomose.

No contexto do Nordeste, o RN se destaca positivamente com a segunda menor taxa de óbitos por doenças transmitidas por insetos (0,878 por 100 mil habitantes), ocupando a quinta melhor posição no país. No entanto, em relação às doenças de transmissão feco-oral, o estado figura entre os cinco piores do Brasil.

Apesar desse cenário, o estudo aponta para uma tendência de melhora, com a redução gradual da taxa de mortalidade por falta de saneamento. Em nível nacional, o índice caiu de 6,3 em 2008 para 5,6 em 2023. Contudo, essa diminuição é considerada lenta: de 5.570 municípios brasileiros, apenas 1.031 conseguiram reduzir essa taxa no período, enquanto 2.791 permaneceram estagnados e 1.748 apresentaram aumento.

A visão de especialistas

André Machado, coordenador de Relações Institucionais e Comunicação do Instituto Trata Brasil, enfatiza que cada óbito causado por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado é um problema evitável. Ele defende a universalização do saneamento, argumentando que o investimento ideal seria de R$ 239,09 por habitante ao ano, enquanto o valor atual é de apenas R$ 111,44.

O professor José Jaílson de Almeida Junior, do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ressalta que a persistência dessas doenças reflete desigualdades históricas. Segundo ele, é impossível pensar em saneamento básico sem garantir moradia e acesso à água potável. 

Contraponto e investimentos

A Companhia de Água e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) alega que tem avançado na cobertura de saneamento e fornecimento de água. Enquanto o Instituto Trata Brasil aponta que 21,6% da população do RN não tem acesso à água e 70,3% não possui coleta de esgoto, a Caern contesta os números, afirmando atender 84,5% da população com água e 26,6% com coleta de esgoto. A companhia explica que os dados nacionais incluem áreas rurais fora de sua competência. 

Para ampliar a cobertura, a Caern planeja construir três novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) até 2025: duas em Natal e uma em Parnamirim. A ETE Jaguaribe, em Natal, deve iniciar operação em julho, aumentando a cobertura de esgoto na capital de 50% para 80%. Em Parnamirim, a cobertura saltará de 7% para 70% com a nova estrutura, prevista para abril.

A meta de universalização do saneamento até 2033 inclui uma Parceria Público-Privada para 48 municípios do estado, com licitação prevista para 2026. A Caern estima que Natal poderá atingir a meta até 2027.

Roberto Linhares, presidente da Caern, afirma que a cobertura com água no RN é maior do que os dados do Trata Brasil indicam, chegando a quase 85%. Ele explica que a construção das novas ETEs terá um impacto direto na melhoria dos índices, principalmente na região metropolitana. 

Em relação às internações, o RN apresenta a menor taxa do Brasil (6,016 casos por 10 mil habitantes), enquanto o Nordeste tem uma taxa de 16,420, sendo o Maranhão o estado com o pior índice (45,815). Em 2024, o Brasil registrou 344,4 mil internações por doenças ligadas à falta de saneamento, uma redução em relação aos 615,4 mil casos de 2008.

Doenças transmitidas por insetos corresponderam a 49% das internações em 2024, sendo a maioria por dengue. O segundo maior grupo foi o de doenças de transmissão feco-oral (47,6%), que apresentou a maior queda nas internações entre 2008 e 2024, com redução de 6,8% ao ano.

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Rafael Nicácio

Co-fundador e redator do Portal N10, sou responsável pela administração e produção de conteúdo do site, consolidando mais de uma década de experiência em comunicação digital. Minha trajetória inclui passagens por assessorias de comunicação do Governo do Estado do Rio Grande do Norte (ASCOM) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde atuei como estagiário. Desde 2013, trabalho diretamente com gestão de sites, colaborando na construção de portais de notícias e entretenimento. Atualmente, além de minhas atividades no Portal N10, também gerencio a página Dinastia Nerd, voltada para o público geek e de cultura pop. MTB Jornalista 0002472/RN E-mail para contato: rafael@oportaln10.com.br

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