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Você teve esses talheres na infância? Peças da Hércules viraram itens de coleção e chegam a valer R$ 800

Príncipe Garfo, Cão Faquinha e Princesa Colher marcaram crianças nos anos 1970 e 1980; décadas depois, exemplares originais reaparecem em sites de usados e antiguidades por centenas de reais.
Príncipe Garfo, Cão Faquinha e Princesa Colher
Príncipe Garfo, Cão Faquinha e Princesa Colher

Resumo da Notícia

  • Os talheres infantis Comer Brincando, da Hércules, foram criados em 1975 pelos designers José Carlos Bornancini e Nelson Ivan Petzold.
  • O conjunto ficou conhecido pelos personagens Príncipe Garfo, Cão Faquinha e Princesa Colher e teve mais de 2,5 milhões de unidades comercializadas.
  • As peças deixaram de ser utensílios comuns para ocupar também o mercado de antiguidades e objetos de design.
  • Em levantamento feito em agosto de 2026, anúncios encontrados no Mercado Livre, Shopee e OLX variam de cerca de R$ 120 a R$ 800, dependendo das peças incluídas e do estado de conservação.
  • Os preços anunciados não significam que uma venda será concretizada pelo mesmo valor; conjuntos completos, conservação, procedência e presença de itens adicionais influenciam a avaliação.

Quem foi criança nas décadas de 1970 e 1980 pode reconhecer os três quase imediatamente. O garfo carregava o rosto de um pequeno príncipe; a faca ganhava a forma de um cachorro comprido; e a colher aparecia transformada em princesa. Na mesa, eles eram conhecidos como Príncipe Garfo, Cão Faquinha e Princesa Colher.

O trio fazia parte da linha infantil Comer Brincando, fabricada pela Hércules e criada em 1975 por dois nomes importantes do design brasileiro, José Carlos Bornancini e Nelson Ivan Petzold. O que dificilmente os pais daquela época imaginariam é que aqueles talheres usados diariamente pelas crianças sobreviveriam por meio século e acabariam reaparecendo como peças de coleção.

Hoje, exemplares originais circulam em marketplaces, antiquários e páginas especializadas em objetos vintage. Um levantamento em anúncios disponíveis em agosto de 2026 encontrou peças por pouco mais de R$ 100, enquanto conjuntos mais completos chegam a centenas de reais.

É um movimento semelhante ao ocorrido com os antigos pratos marrons da Duralex, que também saíram dos armários para entrar no mercado de colecionadores. Em ambos os casos, objetos produzidos para o uso cotidiano passaram a reunir três atributos valorizados nesse mercado: identificação imediata, produção de outra época e uma forte carga de memória afetiva.

Quanto valem hoje os antigos talheres da Hércules?

Não existe uma tabela oficial para determinar o preço do Príncipe Garfo, do Cão Faquinha ou da Princesa Colher. O mercado é formado principalmente por vendedores particulares, lojas de antiguidades e revendedores, e os valores mudam consideravelmente conforme a composição e a conservação do conjunto.

No Mercado Livre, o anúncio indicado para esta reportagem oferece o Príncipe Garfo e o Cão Faquinha por R$ 120. Na mesma plataforma, o levantamento encontrou um conjunto anunciado como “Talheres Antigos Colecionáveis Comer Brincando – Hércules 70” por R$ 300, enquanto outro kit da coleção aparece por R$ 250.

Peças isoladas também têm mercado. Uma antiga faca da linha Comer Brincando aparece em diferentes ofertas por R$ 110 e R$ 120, enquanto outra versão do Cão Faquinha é oferecida por R$ 150. Isso ajuda a explicar por que até quem perdeu parte do conjunto ao longo das décadas ainda pode encontrar interessados nas peças restantes.

Na Shopee, um conjunto anunciado como “Talheres antigos colecionáveis Comer Brincando – Hércules anos 70” aparece por R$ 300, com preço promocional de R$ 255 no Pix mediante cupom no momento da consulta. Outra oferta da mesma linha, já marcada como esgotada, mostrava preço de R$ 600, ou R$ 527 mediante a condição promocional apresentada pela plataforma.

Na OLX, a diferença entre os valores deixa ainda mais evidente a importância da composição do lote. Um conjunto “Antigo Talher Infantil Hércules Comer Brincando”, anunciado em Sorocaba, aparecia nesta semana por R$ 480, reduzido de R$ 590.

Há também um anúncio por R$ 800 de um conjunto mais amplo da coleção, composto pela Princesa Colher, Cão Faquinha, Príncipe Garfo, prato e porta-guardanapos. O vendedor informa que as peças são usadas e classifica o estado como excelente. Ver o conjunto Comer Brincando de cinco itens anunciado na OLX.

Esses números devem ser interpretados corretamente. Preço anunciado não é sinônimo de preço efetivamente pago por um colecionador. Um vendedor pode pedir R$ 800 e aceitar uma oferta menor, ou o item pode permanecer meses sem comprador. Ainda assim, a existência de diversos anúncios na faixa das centenas de reais mostra que peças antes tratadas apenas como utensílios infantis passaram a circular como antiguidades e itens de coleção.

Um objeto infantil que entrou para a história do design brasileiro

O interesse pelos talheres não nasceu apenas da nostalgia. O conjunto também ocupa um espaço documentado na história do design brasileiro.

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O acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) mantém um exemplar do Talher Comer Brincando, identificado como obra de José Carlos Bornancini e Nelson Petzold, datada de 1975 e fabricada em aço inoxidável pela Hércules S.A. O conjunto pertencente ao museu foi incorporado ao acervo por doação de Petzold em 2013.

A solução dos designers era simples, mas visualmente poderosa. Em vez de limitar a decoração ao cabo, os personagens aproveitavam a própria forma funcional dos utensílios. Garfo, faca e colher deixavam de ser apenas objetos em tamanho infantil e passavam a participar de uma pequena narrativa à mesa.

A linha original reuniu justamente o Príncipe Garfo, o Cão Faquinha e a Princesa Colher. Registros sobre a trajetória dos designers apontam que mais de 2,5 milhões de unidades foram comercializadas, dimensão que explica por que essas figuras permanecem reconhecíveis para tantas pessoas cinco décadas depois.

O sucesso também mostra como Bornancini e Petzold buscavam resolver problemas cotidianos sem abandonar o aspecto emocional dos produtos. A dupla esteve por trás de outros trabalhos conhecidos do design industrial brasileiro, entre eles o Talher Camping e projetos desenvolvidos para empresas como Hércules, Zivi e Termolar.

Por que algo que foi tão comum passou a valer dinheiro?

A grande quantidade produzida no passado parece contradizer a ideia de valorização. Se milhões chegaram às casas brasileiras, por que algumas peças custam hoje centenas de reais?

A resposta está no que aconteceu desde então. Talheres foram usados diariamente, riscados, perdidos individualmente, descartados em mudanças e divididos entre diferentes gerações da família. Encontrar um conjunto original completo e preservado meio século depois é uma situação muito diferente de encontrar uma única colher bastante desgastada.

O mercado vintage também não é movido somente por raridade absoluta. Reconhecimento e memória afetiva têm peso. Quem procura esse conjunto não está necessariamente interessado apenas em um utensílio antigo de aço inox; muitas vezes está tentando recuperar um objeto que existia na casa dos pais ou dos avós.

Foi justamente essa combinação que ajudou outros objetos domésticos a ganhar uma segunda vida. Colecionadores passaram a procurar louças e utensílios das décadas de 1970, 1980 e 1990 que, durante muito tempo, tinham pouco valor fora da utilidade original.

O que pode tornar um conjunto mais valorizado

Quem encontrar os antigos talheres em uma gaveta não deve concluir automaticamente que possui uma peça de R$ 800. A comparação entre os anúncios mostra que há uma diferença considerável entre uma peça isolada e um conjunto preservado com acessórios.

O primeiro ponto é confirmar se os talheres pertencem efetivamente à linha antiga da Hércules. Depois, vale observar a quantidade de peças, desgaste dos desenhos, riscos profundos, deformações e qualquer dano provocado pelo uso.

A presença dos três personagens é especialmente relevante para quem deseja montar o conjunto original. Exemplares acompanhados de outros itens da linha, como prato e porta-guardanapos, podem ser oferecidos por valores maiores justamente porque são menos comuns como conjunto completo.

A procedência também ajuda. Embalagens, identificação do fabricante ou informações confiáveis sobre a origem tornam o objeto mais interessante para quem coleciona design e antiguidades, ainda que não exista uma avaliação padronizada para cada peça.

Antes de jogar fora, vale olhar novamente a gaveta

O Príncipe Garfo, o Cão Faquinha e a Princesa Colher atravessaram uma transformação curiosa. Nasceram como objetos destinados a tornar mais divertida a hora da refeição das crianças e acabaram preservados em acervo de museu, lembrados como referência do design brasileiro e negociados décadas depois no mercado de usados.

Quem ainda possui essas peças talvez tenha guardado mais do que um simples talher infantil. Dependendo da conservação e do conjunto, há compradores pedindo e oferecendo espaço em um mercado no qual um trio pode aparecer anunciado por algumas centenas de reais e conjuntos maiores chegam à casa dos R$ 800.

Isso não significa dinheiro garantido nem permite atribuir um valor fixo a todas as peças. Mas é um bom motivo para, antes de descartar aquela pequena colher com rosto de princesa ou a estranha faquinha em formato de cachorro, descobrir exatamente o que ficou guardado na gaveta desde a infância.

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