Resumo da Notícia
É comum abrir uma geladeira e encontrar os ovos acomodados nos suportes da própria porta. Alguns refrigeradores chegam a oferecer compartimentos que parecem ter sido projetados exatamente para isso. Do ponto de vista da segurança dos alimentos, porém, esse não é o lugar recomendado para armazená-los.
O Ministério da Saúde orienta que os ovos sejam mantidos preferencialmente refrigerados e afirma de forma específica que não devem ficar na porta da geladeira.
A explicação está na estabilidade da temperatura. Cada vez que a porta é aberta, os alimentos armazenados nela ficam mais expostos ao ar do ambiente e às oscilações térmicas.
Por isso, depois de chegar das compras, o melhor é reservar aos ovos um espaço no interior do refrigerador, onde a temperatura tende a permanecer mais estável.
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Por que a porta da geladeira não é o melhor lugar?
A porta é uma das áreas mais práticas para colocar alimentos usados com frequência. Essa facilidade, entretanto, tem um custo: é também a região mais exposta às mudanças de temperatura.
Pesquisadoras da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) explicaram neste ano que a porta é o ponto da geladeira com maior variação térmica.
Isso acontece porque ela entra diretamente em contato com o ambiente externo sempre que o refrigerador é aberto.
Por essa razão, itens que precisam de condições mais estáveis de conservação devem permanecer nas prateleiras internas.
A recomendação oficial do Ministério da Saúde para os ovos é direta: mantê-los preferencialmente refrigerados e não armazená-los na porta.
Isso não significa, no entanto, que todos os alimentos devam ocupar a região mais fria do refrigerador. Cada produto possui necessidades próprias de conservação — algo que o N10 já explicou ao mostrar por que guardar tudo na geladeira também pode prejudicar alguns alimentos.
Onde guardar os ovos, então?
Em casa, a opção mais adequada é uma prateleira no interior da geladeira, evitando a porta.
A orientação encontra respaldo também em pesquisadores da Esalq-USP, que recomendam armazenar os ovos em recipientes limpos na região interna do refrigerador.
Não é necessário, portanto, procurar um ponto exato que funcione para qualquer modelo de geladeira. A distribuição do frio pode variar conforme o equipamento.
O princípio importante é outro: manter os ovos refrigerados em uma área interna e com menor oscilação de temperatura.
Também vale respeitar as instruções específicas presentes na embalagem do produto e no manual do refrigerador.
Outro erro comum é lavar os ovos antes de guardar
Guardar no lugar certo resolve apenas parte da questão.
Em orientação publicada em agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chamou atenção para outro hábito doméstico: lavar os ovos antes de colocá-los na geladeira.
Apesar de parecer uma medida de higiene, a agência explica que a casca possui uma película natural protetora conhecida como cutícula.
Essa camada ajuda a dificultar a passagem de microrganismos através da casca.
Como a casca do ovo é porosa, lavar o alimento antes de armazená-lo pode remover essa proteção e facilitar a entrada de bactérias, entre elas a Salmonella.
Por isso, não é recomendado lavar uma bandeja inteira de ovos ao chegar do supermercado para depois guardá-los.
E se o ovo estiver sujo?
A recomendação da Anvisa não significa consumir um ovo com sujeira na superfície.
Se houver impurezas na casca e for necessário fazer a lavagem em casa, a orientação da agência é que ela seja realizada somente momentos antes do consumo.
Ou seja: não é lavar e guardar; é lavar, quando necessário, próximo ao momento em que o ovo será utilizado.
Esse detalhe reduz o período no qual o alimento permaneceria armazenado após a retirada da camada protetora natural.
Na compra, o consumidor também deve observar a aparência dos ovos e evitar unidades quebradas ou em condições inadequadas.
A procedência importa tanto quanto a geladeira
A segurança começa antes de o ovo chegar à cozinha.
Segundo a Anvisa, consumidores devem comprar ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados pelos órgãos de agricultura.
O rótulo precisa trazer informações que permitam identificar e rastrear o produto, como lote, origem e prazo de validade.
Esses dados não são apenas burocráticos. Em caso de problema sanitário ou recolhimento de determinado lote, são eles que permitem saber quais produtos foram afetados.
A fiscalização das granjas e da produção de ovos no Brasil cabe ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Produtos de origem animal também podem apresentar selos de inspeção de acordo com o alcance e o órgão responsável pelo estabelecimento.
Ovo cru ou com gema mole exige outro cuidado
Armazenar corretamente diminui riscos, mas não substitui o preparo adequado.
O Ministério da Saúde alerta que o consumo de ovos crus ou mal cozidos pode causar danos à saúde e recomenda que ovos cozidos sejam fervidos por pelo menos sete minutos.
A Anvisa também orienta o consumo de ovos bem cozidos como medida para reduzir o risco associado a microrganismos como a Salmonella.
Preparações que utilizam ovo cru, portanto, exigem atenção especial.
A preocupação é maior para grupos mais vulneráveis às doenças transmitidas por alimentos, como crianças, idosos, gestantes e pessoas imunocomprometidas.
O que fazer ao chegar do supermercado
Na prática, os principais cuidados cabem em uma rotina simples:
- confira se os ovos estão íntegros e dentro da validade;
- mantenha as informações da embalagem que identificam lote, origem e fabricante;
- coloque os ovos no interior da geladeira, e não na porta;
- não lave os ovos antes de armazená-los;
- se houver necessidade de lavagem, faça isso apenas próximo ao uso;
- cozinhe adequadamente antes do consumo.
O suporte para ovos existente na porta de algumas geladeiras pode sugerir que aquele é o lugar natural para armazená-los. A orientação sanitária atual, porém, aponta em outra direção.
Para preservar melhor o alimento e reduzir riscos, a regra é simples: ovos refrigerados, dentro da geladeira e longe da porta.
