Resumo da Notícia
O final da 5ª e última temporada de Stranger Things segue dividindo opiniões — e agora ganhou uma confirmação direta dos bastidores. Um dos roteiristas da série admitiu que uma das maiores falhas do desfecho foi percebida ainda durante o processo criativo e chegou a ser considerada “absurda”. A revelação veio à tona no documentário oficial “One Last Adventure”, que detalha a produção da temporada final da série da Netflix.
O erro que já era previsto pelos roteiristas
Uma das principais críticas feitas ao encerramento de Stranger Things envolve a curta duração e a facilidade da batalha final contra Vecna e o Devorador de Mentes. Para muitos fãs, o confronto não transmitiu a sensação de ameaça real que marcou temporadas anteriores.
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Essa percepção, ao que tudo indica, já existia dentro da sala de roteiristas.
No documentário, o roteirista Paul Dichter, responsável pelo episódio 4 da quinta temporada, intitulado “Sorcerer”, comentou diretamente sobre a ausência de criaturas no Abismo, local central do confronto final:
“Tem que haver alguns monstros no Abismo. Tem que haver um demogorgon, um morcego, um cachorro, alguma coisa. Acho que seria uma loucura se não houvesse nada lá.”
A declaração deixa claro que, para parte da equipe criativa, a decisão final enfraqueceu o impacto narrativo do encerramento.
Divergências criativas entre os irmãos Duffer
Inicialmente, Matt Duffer, co-criador da série, chegou a concordar com a ideia de incluir criaturas no Abismo. No entanto, Ross Duffer, seu irmão e também criador, levantou objeções importantes.
Segundo Ross, a presença de vários Demogorgons no complexo MAC-Z, exibida no início da temporada, poderia tornar a repetição cansativa. A preocupação foi reforçada pela roteirista Kate Trefry, que alertou para uma possível “fadiga de Demogorgons” — termo usado para descrever o excesso de uso das criaturas ao longo da série.
Diante dessas preocupações, os monstros acabaram ficando fora do confronto final.
Uma decisão que afetou o impacto da batalha final
A ausência de outras criaturas no Abismo acabou acentuando um dos problemas mais apontados pelos fãs: a vitória rápida demais dos protagonistas.
Ao longo da série, Vecna e o Devorador de Mentes foram apresentados como ameaças praticamente imparáveis. No entanto, no episódio final, ambos são derrotados com relativa facilidade, o que diminui a sensação de risco e urgência — especialmente quando comparado aos confrontos intensos das temporadas anteriores.
A inclusão de outras criaturas poderia, ao menos, prolongar o embate, tornando a vitória mais custosa e emocionalmente mais impactante.
A explicação oficial dos criadores
Em entrevista ao The Wrap, os irmãos Duffer explicaram que os monstros não estavam ausentes, apenas não foram convocados por Vecna durante o ataque surpresa ao Abismo.
Segundo eles:
“Basicamente, Vecna não esperava esse ataque surpresa em seu território. Jamais imaginaria isso. Eles estão lá em algum lugar. Obviamente, discutimos a possibilidade de uma batalha contra os demos além da batalha contra o Devorador de Mentes, mas nos pareceu mais apropriado que ele enfrentasse os demos se o Devorador de Mentes é uma criatura gigante capaz de atacá-los.”
Eles ainda reforçaram que o Mundo Invertido não possui uma civilização organizada:
“É um planeta gigante e desolado. Se você se lembra, Henry está vagando pelo planeta na 4ª temporada e, em algum momento de sua jornada, ele avista um demo ao longe, mas não é como se eles estivessem vivendo em cabanas.”
Uma explicação que não convenceu parte do público
Embora a justificativa exista, ela não foi apresentada de forma clara dentro da narrativa da série, o que contribuiu para a frustração de parte dos fãs. A revelação de que a questão foi debatida internamente — e defendida por um dos roteiristas — reforça a sensação de que o final poderia ter sido mais elaborado.
A controvérsia foi tão grande que chegou a gerar uma teoria conspiratória nas redes sociais, apelidada de #ConformityGate, sugerindo a existência de um suposto episódio secreto — algo que nunca se confirmou.

