Crítica | Invocação do Mal 4 me deu sono, humanizou casal Warren e deu abertura para nova leva de filmes

Crítica | Invocação do Mal 4 me deu sono, humanizou casal Warren e deu abertura para nova leva de filmes
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Resumo da Notícia

Assisti a Invocação do Mal 4: O Último Ritual com a expectativa de encontrar o mesmo terror sufocante e as sequências de susto que marcaram os capítulos anteriores da franquia. Mas, para minha surpresa — e frustração —, o que encontrei foi um filme mais próximo de um drama sobrenatural do que de um verdadeiro longa de terror. Saí da sessão com a sensação de que, em vez de se despedir com força, a saga dos Warren preferiu dar um passo atrás e preparar terreno para uma nova geração.

Warren menos “super-heróis”, mais humanos

Uma das mudanças mais notáveis é a forma como Ed e Lorraine Warren são retratados. Nos filmes anteriores, eles pareciam quase invencíveis, figuras heroicas que encaravam o mal com uma confiança sobre-humana. Aqui, não. O casal aparece envelhecido, fragilizado, carregando não apenas o peso dos anos, mas também as dúvidas e medos acumulados ao longo da vida.

Essa humanização tem seu valor: torna os personagens mais reais, mais próximos do espectador, que consegue enxergar neles não apenas investigadores sobrenaturais, mas também marido e mulher preocupados com o futuro e com a própria família. O problema é que, ao mesmo tempo em que essa fragilidade emociona, ela também tira parte do magnetismo que sustentava sua presença nos outros filmes.

Judy Warren no filme Invocação do Mal 4
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Judy como protagonista

O verdadeiro centro da narrativa, no entanto, não são os Warren. É sua filha, Judy. O roteiro a coloca como protagonista, numa espécie de transição de bastão para uma nova geração. O espaço dado a ela é tão grande que, em certos momentos, o filme mais parece sobre Judy do que sobre Ed e Lorraine.

Essa decisão soa estratégica: manter viva a franquia, mesmo que sob outros protagonistas. Mas, pessoalmente, achei que isso enfraqueceu ainda mais a sensação de encerramento da trajetória dos Warren. Em vez de um clímax grandioso, tivemos um capítulo que pareceu mais preocupado em plantar sementes para o futuro do que em honrar o passado.

Drama sobrenatural em vez de terror

O que realmente me decepcionou foi a falta de terror. Se nas produções anteriores eu me pegava em estado de alerta, esperando o próximo susto, neste quarto capítulo quase nada me causou medo. O caso da Família Smurl, que poderia render momentos aterrorizantes, foi tratado de maneira apática, sem intensidade.

Sem exageros, mesmo com a sala de cinema cheia, eu até cheguei a dá umas cochiladas em alguns momentos, algo que nunca tinha acontecido em filmes desse gênero. E olha que já tive grandes arrependimentos quando diz respeito a isso. Acho que sinto falta daquele terror mais raiz, que realmente fazia a gente sentir um medo profundo.

O que sobrou foi um melodrama que gira em torno de família, fé e legado. Não nego que algumas cenas emocionam, especialmente quando mostram a fragilidade dos Warren. Mas essa emoção veio à custa daquilo que fez o público se apaixonar pela franquia: o medo genuíno, a atmosfera sufocante, os sustos que tiram o fôlego.

Saí da sala com a sensação de que o filme queria mais me fazer chorar do que me assustar — e, sinceramente, não é isso que eu busco em Invocação do Mal.

Vale a pena assistir Invocação do Mal 4: O Último Ritual?

Invocação do Mal 4 encerra a trajetória de Ed e Lorraine Warren de forma muito mais contida do que eu gostaria. O longa humaniza o casal, dá espaço para Judy assumir o protagonismo e abre portas para o futuro da franquia. Mas, ao fazer isso, sacrificou o terror que sempre foi sua alma.

Para mim, este foi um final morno: não entregou o clímax que esperava, nem a intensidade que me fez me apaixonar pelos primeiros filmes. Mais do que um capítulo de encerramento, pareceu um prólogo para novas histórias. E o problema é que, nesse processo, a saga deixou de lado justamente aquilo que a tornou única.

Respondendo a pergunta principal: acho que até vale sim assistir, até para encerrar esse ciclo, mas já adianto que não vá com muita expectativa.

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