O reboot de Superman, de James Gunn, já está causando grande impacto e gerando discussões sobre o icônico herói. Diferente de filmes recentes como Superman – O Retorno e Homem de Aço, que foram criticados por excesso de nostalgia ou desvio da essência do personagem, a nova produção busca um equilíbrio entre o clássico e o novo, referenciando os quadrinhos e os filmes de Christopher Reeve, mas sem se prender a eles.
Enquanto alguns espectadores aclamam essa versão como uma homenagem moderna, outros criticam as reinvenções de Gunn e como elas desafiam o conhecimento prévio dos fãs. A seguir, você encontra cinco das maiores mudanças em Superman em relação aos quadrinhos, analisando se essas ousadas escolhas elevam o personagem a novas alturas.
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1) A Gangue da Justiça não existe nos quadrinhos
Em Superman, somos apresentados à Gangue da Justiça, uma nova equipe de super-heróis composta por Lanterna Verde, Mulher-Gavião e Senhor Incrível, financiada por Maxwell Lord. Embora todos esses personagens existam nos quadrinhos da DC, não há uma equipe oficial com esse nome. Normalmente, eles são vistos em grupos maiores como a Liga da Justiça ou, no caso de Guy Gardner, a Tropa dos Lanternas Verdes.
A Gangue da Justiça opera de maneira semelhante à Liga da Justiça, que ainda está por vir neste novo universo DC. Senhor Incrível se tornou um favorito dos fãs, com rumores de uma série spin-off na HBO Max. A presença de Gardner também serve como um piloto indireto para Green Lantern Corps, outra série com estreia prevista para o próximo ano. Apesar de não serem a Liga da Justiça, eles desafiam a visão de mundo de Clark Kent e oferecem uma nova abordagem narrativa.
2) As origens do Ultraman são completamente reescritas
Outro desvio significativo dos quadrinhos é a aparição do Ultraman, a arma suprema de Lex Luthor, um doppelgänger kryptoniano maligno do Superman. Nos quadrinhos, Ultraman é de uma universo paralelo (Terra-3) onde o planeta Krypton não foi destruído e faz parte do Sindicato do Crime, uma contraparte vilanesca da Liga da Justiça. Essa versão era viciada em kryptonita e operava como um tirano, sendo sempre estabelecida como uma variante multiversal distinta.
Em Superman, Gunn optou por alterar as origens do Ultraman. Em vez de ser de um universo alternativo, o vilão é um produto de experimentos científicos de Lex Luthor, uma tentativa distorcida de criar um ser semelhante ao Superman que obedecesse às suas ordens. Ele é um clone geneticamente modificado sem ligações com a Terra-3 ou qualquer outro universo, existindo como uma representação do que Clark poderia ter se tornado sem o amor de seus pais adotivos. Essa abordagem emocional torna as mudanças do Ultraman um sucesso, permitindo que o público se conecte mais com o Superman.
3) Krypto é muito mais uma ameaça
Krypto, o companheiro canino de Superman (e Supergirl), foi um destaque entre fãs e críticos. No filme, Krypto é travesso, imprevisível, impulsivo e, ocasionalmente, explosivo, capaz de quase tudo a qualquer momento. Superman até reconhece esses problemas de comportamento, dizendo que “ele pode nem ser um bom cão”, antes de explicar que Krypto ainda merece ser resgatado do universo de bolso de Lex Luthor.
A versão de Gunn de Krypto inverte a representação tradicional do cão nos quadrinhos, onde ele é quase sempre obediente, leal e bem treinado. Embora ocasionalmente cause caos devido aos seus poderes, ele é um companheiro confiável. A escolha de Gunn de usar Krypto como uma ferramenta cômica foi um sucesso, com fãs apreciando suas ações, como mastigar armamento alienígena, derrubar companheiros de equipe espontaneamente, voar no meio da missão para perseguir pássaros e se tornar um espinho no lado da Gangue da Justiça. Krypto, sendo heroico, mas muito mais caótico e animalesco, adiciona um toque especial ao filme, mostrando uma adaptação bem-sucedida do material original.
4) Jonathan Kent está vivo – e sua presença remodela a jornada de Clark
Uma das mudanças mais sutis, mas emocionalmente significativas, é Jonathan Kent estar vivo enquanto seu filho adotivo é um super-herói ativo em Metropolis. Muitas histórias do Superman, tanto na tela quanto nos quadrinhos, mostram a morte de Jonathan Kent como um momento crucial na vida de Clark Kent. Em Homem de Aço (2013), por exemplo, a morte de Jonathan é usada como um ponto de virada para Clark, permitindo que ele compreenda plenamente a responsabilidade que vem com seus poderes e sua compaixão pela humanidade.
Gunn inverte essa situação, tornando o personagem, interpretado com humildade e gentileza por Pruitt Taylor Vince, uma força estabilizadora na vida de Clark, permitindo que ele se conecte com sua humanidade em seus momentos mais sombrios. Como resultado, a morte de Jonathan não é um catalisador para Clark; em vez disso, sua própria existência o é, contrastando com décadas de tradição narrativa.
Dada a reviravolta em relação aos pais biológicos de Clark (mais sobre isso em breve), essa mudança em relação aos quadrinhos funciona, pois permite que o personagem titular ainda tenha uma forte química de pai e filho e, mais importante, adicione ainda mais autenticidade emocional à história. Uma grande crítica à iteração de Zack Snyder do Homem de Aço é a falta de conexão emocional que vem com mostrar o Superman como uma figura semelhante a um deus em vez de um ser humano, mas com esta mudança de Jonathan Kent, esta nova versão do personagem se torna mais identificável para o público, o que só pode ser uma coisa boa no futuro.
5) Os pais do Superman têm uma agenda secreta
De longe, a maior e mais controversa mudança que James Gunn fez na tradicional história do Superman gira em torno dos pais biológicos do personagem. Em quase todas as histórias em quadrinhos, Jor-El e Lara enviam seu filho para a Terra por amor e desespero enquanto seu planeta está sendo destruído. Seu mundo está morrendo e a Terra representa a única chance de sobrevivência para seu filho. A mensagem que eles enviam com Kal-El é normalmente sincera e permite que ele reconheça suas origens biológicas ao mesmo tempo que os Kent.
Em Superman, essa mensagem foi editada, literalmente. Lex Luthor revela ao mundo que a mensagem de Jor-El não é de amor ou carinho, mas sim enraizada na sobrevivência e no poder do povo kryptoniano. O público aprende que a transmissão original enviada com Kal-El lhe dá a instrução de governar a Terra, removendo qualquer um que esteja em seu caminho, e até mesmo garantindo o futuro a longo prazo da espécie, tomando muitas esposas. Isso então reformula toda a história de origem do personagem, já que Jor-El e Lara não eram pais altruístas tentando desesperadamente salvar seu filho. Em vez disso, eles planejaram ressuscitar sua civilização conquistando e governando outro planeta por quaisquer meios necessários. Curiosamente, este é um choque de história que também ocorreu na série de televisão, Smallville, então há algum precedente para a decisão, embora não nos quadrinhos.
Essa reviravolta funciona, e funciona muito bem, por causa da maneira como força o Superman a abordar diretamente seu legado kryptoniano e, mais especificamente, dobrar os valores incutidos por seus pais da Terra. É uma grande reviravolta no mito do personagem, mas que adiciona uma camada extra de complexidade moral à história e auxilia na ligação emocional entre o Superman e o público.

