Novo filme do Superman de James Gunn estreia com aprovação e renova expectativas para o DCU

Logo nos primeiros minutos do filme, Gunn deixa claro que sua visão não se restringe a elencos menos conhecidos
Superman
Superman. Foto: Divulgação

A adaptação de James Gunn para o universo da DC Comics com o novo filme do Superman, estrelado por David Corenswet, já está dando o que falar. Após o sucesso da trilogia Guardiões da Galáxia da Marvel Studios e o aclamado O Esquadrão Suicida, a expectativa era alta para ver como o diretor abordaria um dos maiores super-heróis de todos os tempos.

Logo nos primeiros minutos do filme, Gunn deixa claro que sua visão não se restringe a elencos menos conhecidos. A cena de abertura, com um Superman abatido na neve do Ártico, acompanhado de seu supercão Krypto, já demonstra a marca registrada do cineasta. No entanto, o que se percebe ao longo da trama é uma maturidade na adaptação, moldando sua abordagem para se adequar ao personagem e ao universo que está construindo.

O filme mergulha em um mundo onde o Superman já atua como herói há anos e a história dos meta-humanos da DC se estende por séculos. Ataques de kaijus em Metrópolis e o uso de um bastão de beisebol gigante para combater uma besta dimensional são eventos corriqueiros. Essa imersão imediata é um testemunho da confiança dos cineastas no público e da bagagem de décadas de filmes de super-heróis que permitem essa construção de mundo em grande escala.

Naturalmente, o conflito central é entre o Superman, interpretado com humor e confiança por David Corenswet, e Lex Luthor, vivido por Nicholas Hoult. A rivalidade se desenrola ao longo de alguns dias, explorando diversos pontos de vista e cenários. Hoult incorpora a energia peculiar de Luthor, transformando-o em um nêmesis astuto e obcecado em derrotar o Homem de Aço. Sua performance é um dos pontos altos do filme, colocando-o no panteão dos grandes vilões de filmes de quadrinhos.

Corenswet divide a tela com diversos parceiros, dependendo do contexto. No Planeta Diário, contracena com Lois Lane (Rachel Brosnahan), Jimmy Olsen (Skyler Gisondo), Perry White (Wendell Pierce), Steve Lombard (Beck Bennett) e Cat Grant (Mikaela Hoover). Gisondo rouba a cena sempre que aparece, mas a trama enxuta impede que alguns personagens menores, como Perry White, contribuam significativamente.

Os super-heróis da Justice Gang, por outro lado, têm um papel crucial na expansão do universo. Edi Gathegi, como Senhor Incrível, oferece uma das atuações de apoio mais memoráveis em filmes de super-heróis. Nathan Fillion, como Guy Gardner, e Isabela Merced, como Mulher-Gavião, também se destacam. Cada um com personalidades distintas, esses heróis poderiam protagonizar suas próprias histórias. A interação com eles permite que Corenswet defina melhor tanto seu Superman quanto o universo DC como um todo.

A relação entre Clark e Lois, que estão em um relacionamento recente, é explorada de forma aprofundada, revelando a maturidade de Gunn como contador de histórias. As cenas entre os dois carregam a energia de amantes em fase de descoberta, testando limites e buscando razões para estarem juntos. Essa dinâmica humaniza o Último Filho de Krypton e adiciona peso e drama à narrativa.

Os pais adotivos de Clark, Jonathan (Pruitt Taylor Vince) e Martha Kent (Neva Howell), também deixam sua marca em poucas cenas. Jonathan personifica um orgulho intenso pelo filho, enquanto Martha equilibra a emoção do marido com um toque de humor e pragmatismo.

Novo filme do Superman de James Gunn estreia com aprovação

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Superman. Foto: Divulgação

O cão Krypto, inspirado no próprio cachorro de Gunn, é outro destaque. A capacidade de Gunn de integrar esse elemento e torná-lo fundamental demonstra que nada está fora dos limites quando se trata de adaptar décadas de histórias da DC Comics. Ao contrário de outras adaptações que tratam elementos da Era de Ouro e Prata com ironia, Superman os abraça, tornando-os um segredo e o coração do filme.

Gunn sempre se destacou na criação de cenas de ação que testam os limites dos personagens e impulsionam a narrativa. No entanto, em alguns momentos, a ação se torna excessiva, como nas cenas com Maria Gabriela de Faría como Engenheira. A personagem, que possui nanotecnologia, acaba sendo visualmente pouco atraente.

Um elemento surpreendente é a forma como Luthor treina Ultraman durante as lutas com o Superman. As cenas intercaladas entre a sala de controle de Luthor e os contra-ataques na tela poderiam ser repetitivas, mas Gunn garante energia e precisão na edição.

O sucesso de Superman reside na capacidade de Gunn de abraçar os elementos dos quadrinhos sem se preocupar com o que pode parecer “legal” ou “realista”. Ele confia nos personagens e no universo, permitindo que o público aceite elementos fantásticos sem questionar. Como em seus outros filmes, Superman tem um elenco perfeito, cenas de ação estilosas e a confiança que muitos fãs da DC esperavam ver em live-action.

Em um momento de fadiga em relação a filmes de super-heróis, Superman surge como um antídoto, lembrando o motivo pelo qual esse subgênero dominou Hollywood por mais de uma década.

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