Frankenstein: Por que tantos fãs estão revoltados com o final do filme de Guillermo del Toro?

A citação de Lord Byron que encerra o filme dividiu opiniões e levantou críticas por deixar Mary Shelley de lado
Frankenstein: Por que tantos fãs estão revoltados com o final do filme de Guillermo del Toro?
Cena de Frankenstein. Foto: Reprodução

Resumo da Notícia

O novo Frankenstein” de Guillermo del Toro chegou aos cinemas cercado de expectativas — e também de polêmicas. O aclamado cineasta, vencedor do Oscar por A Forma da Água e O Labirinto do Fauno, finalmente realizou seu sonho de adaptar o clássico de Mary Shelley, mas o resultado dividiu opiniões e gerou revolta em parte dos fãs.

A principal crítica diz respeito ao final do longa, que em vez de homenagear diretamente Shelley, encerra-se com uma citação do poeta Lord Byron:

“O coração se partirá, e ainda assim viverá partido.”

A escolha pegou muitos de surpresa. A frase, retirada do poema “A Peregrinação de Childe Harold” (1812–1818), aparece antes dos créditos finais e é atribuída a Byron — não à autora do romance original. Para boa parte do público, a ausência de uma homenagem explícita a Mary Shelley soou como um desrespeito à criadora do “Prometeu Moderno”.

A polêmica da citação de Byron

“Frankenstein”, de Guillermo del Toro, ganha data de estreia
“Frankenstein”, de Guillermo del Toro, ganha data de estreia. Foto: Divulgação/Netflix

Na internet, fãs apontam que a decisão de Del Toro ignora o legado de Shelley, considerada pioneira da ficção científica. Outros defendem que, sendo o filme uma reinvenção ambientada na década de 1850 — quando Shelley já havia falecido e o livro já existia no universo da trama —, a referência a Byron é simbólica, não uma substituição.

O próprio Del Toro parece ter usado Byron como espelho dos temas centrais de Frankenstein: vaidade, solidão e ambição desmedida. No poema citado, o personagem Harold é um homem desiludido com o luxo e em busca de sentido, o que reflete tanto Victor Frankenstein quanto sua Criatura.

O sentido literário por trás da escolha

A ligação entre Shelley e Byron é profunda. Eles realmente conviveram — foi durante uma estadia conjunta em Genebra, em 1816, que Mary Shelley concebeu Frankenstein. Assim, a citação pode ser lida como uma ponte entre dois gênios literários, ambos obcecados pela dor e pela criação.

Além disso, críticos notam que o uso da frase byroniana reforça o caráter trágico do desfecho, onde o criador e a criatura se veem destruídos por suas próprias emoções. “O coração partido que continua a bater” é uma metáfora poderosa para a existência atormentada do monstro — e, talvez, para a própria humanidade.

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