Trabalha em home office? Veja 7 dicas para não cair em golpes digitais

Os golpes ficaram mais sofisticados desde a pandemia de Covid-19, com abordagens por e-mail, WhatsApp, SMS e ligação, além de uso de linguagem correta, dados reais e até inteligência artificial em situações pontuais.
Sete dicas de segurança digital para evitar prejuízos no trabalho home office
Sete dicas de segurança digital para evitar prejuízos no trabalho home office - Crédito: Freedomz / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • O trabalho em home office exige atenção redobrada com a segurança digital para evitar invasões e vazamentos de dados.
  • Leandro Granja, CISO do Santander, destaca que erros simples como reutilizar senhas e clicar em links suspeitos facilitam fraudes.
  • Os golpes digitais tornaram-se mais sofisticados, utilizando inteligência artificial e abordagens multicanais para ganhar a confiança das vítimas.
  • A mistura de dispositivos e redes pessoais com rotinas corporativas amplia a superfície de risco para os profissionais.
  • Especialistas recomendam o uso de autenticação em dois fatores, gerenciadores de senhas e a separação clara entre ambientes pessoal e profissional.
  • A proteção no modelo remoto depende tanto de ferramentas tecnológicas quanto de comportamento disciplinado do colaborador.

A rotina de trabalho em home office exige atenção redobrada com segurança digital. Em entrevista ao Portal N10, Leandro Granja, CISO do Santander, alerta que falhas simples, como reutilizar senhas, deixar a tela desbloqueada, clicar em mensagens falsas ou usar canais pessoais para enviar arquivos corporativos, podem abrir caminho para invasões, vazamentos de dados e prejuízos financeiros.

Segundo o especialista, os erros mais comuns no modelo remoto envolvem a reutilização de senhas, ausência de duplo fator de autenticação, uso de dispositivos pessoais sem atualização ou proteção adequada, redes Wi-Fi domésticas mal configuradas e cliques em tentativas de phishing recebidas por e-mail, SMS ou WhatsApp.

Em muitos casos, um erro simples cometido por uma pessoa em casa acaba abrindo caminho para um problema maior dentro da empresa”, alerta Leandro Granja.

A preocupação aumentou desde a pandemia de Covid-19, quando o trabalho remoto ganhou força e passou a fazer parte da rotina de empresas e profissionais. Nesse período, os golpes também ficaram mais sofisticados. Antes, era mais comum identificar mensagens genéricas, mal escritas e com sinais claros de fraude. Hoje, as abordagens se aproximam mais da realidade da vítima, usam linguagem correta, domínios parecidos e, em muitos casos, dados reais da pessoa ou da empresa.

Golpes ficaram mais personalizados no home office

O ambiente remoto ampliou a superfície de risco porque misturou, em muitos casos, a vida pessoal e a rotina corporativa no mesmo dispositivo, na mesma rede doméstica e até no mesmo navegador. Esse tipo de combinação facilita vazamentos acidentais, exposição de credenciais e contaminação entre contas pessoais e profissionais.

Leandro Granja afirma que os ataques atuais já não dependem apenas de uma mensagem isolada. Eles podem começar por e-mail, seguir pelo WhatsApp e, em alguns casos, envolver até ligações para reforçar a aparência de legitimidade.

Os ataques passaram a ser mais multicanais. Muitas vezes, o golpe vem por e-mail, depois é reforçado por WhatsApp e, em alguns casos, até por ligação. Isso aumenta a sensação de legitimidade e reduz a chance de a vítima desconfiar. A tecnologia também elevou o nível das abordagens, uma vez que já existem casos de uso de inteligência artificial para personalizar contatos e, em situações pontuais, até simular voz de executivos ou autoridades”, alerta Granja.

O risco começa de forma silenciosa. Uma credencial capturada ou um dispositivo comprometido pode evoluir rapidamente para invasão de conta, vazamento de dados sensíveis, fraude operacional, perdas financeiras, impacto regulatório e dano à reputação da empresa.

Erros discretos também aumentam a exposição

Além das falhas mais conhecidas, como senha fraca ou ausência de autenticação em dois fatores, outros hábitos passam despercebidos e elevam o risco no home office. Entre eles estão salvar senhas no navegador pessoal, usar o mesmo navegador para tudo, enviar documentos por canais não autorizados, manter sessões abertas por longos períodos e deixar a tela desbloqueada.

Cobertura relacionadaVazamento no iFood expôs nome e CPF de 1,2 milhão de clientes

Reuniões online também exigem cuidado, principalmente quando são feitas fora de casa. A exposição pode ocorrer pela tela compartilhada, pelo áudio ambiente ou pelo próprio conteúdo da conversa. Em locais públicos ou pouco controlados, uma informação sensível pode ser vista ou ouvida por pessoas que não deveriam ter acesso ao assunto.

Apesar da evolução das fraudes, empresas e profissionais estão mais conscientes. Há mais compartilhamento de informações sobre autenticação multifator, campanhas de conscientização, atenção a phishing e investimento em proteção de acesso remoto.

Sete dicas para trabalhar em home office com mais segurança

1. Separe o ambiente pessoal do corporativo

O ideal é usar um dispositivo dedicado ao trabalho. Quando isso não for possível, a recomendação é manter navegador, acessos e rotinas separados. Misturar tudo no mesmo ambiente aumenta a chance de vazamento acidental e de contaminação entre contas pessoais e corporativas.

2. Ative o duplo fator de autenticação

E-mail, VPN, sistemas internos, ferramentas em nuvem e contas pessoais críticas devem ter autenticação em dois fatores. Depender apenas de senha já não é suficiente, especialmente em um cenário de ataques mais personalizados e multicanais.

3. Use gerenciador de senhas

Sem um gerenciador, cresce a tendência de repetir senhas, criar combinações simples ou salvar credenciais em locais inseguros. Em caso de vazamento, esse comportamento facilita o acesso indevido a outras contas.

4. Proteja a rede doméstica

A segurança do home office também depende da rede Wi-Fi da casa. Trocar a senha padrão do roteador, manter o firmware atualizado e proteger adequadamente o acesso à rede são medidas básicas para reduzir riscos.

5. Mantenha sistemas e aplicativos atualizados

Sistema operacional, navegador, aplicativos e antivírus precisam estar sempre em dia. Atualizações atrasadas podem manter brechas conhecidas abertas e facilitar a exploração por criminosos.

6. Desconfie de mensagens com urgência

Golpes costumam usar pressão, pressa e senso de oportunidade para induzir a vítima ao erro. Mensagens que exigem ação imediata devem ser verificadas com calma e, se possível, confirmadas por outro canal.

7. Não use canais pessoais para dados corporativos

Enviar arquivos por WhatsApp pessoal, e-mail particular, pendrive ou nuvem não autorizada pode parecer prático, mas é uma das formas mais comuns de exposição indevida de informação corporativa.

Segurança digital depende de tecnologia e comportamento

A proteção no home office não depende apenas de ferramentas. Ela também exige disciplina no uso de senhas, cuidado com mensagens suspeitas, separação entre ambiente pessoal e profissional e atenção constante aos canais usados para trocar informações.

O alerta do Santander reforça que o trabalho remoto precisa ser tratado como uma extensão do ambiente corporativo. A diferença é que, fora do escritório, parte importante da proteção passa a depender das escolhas feitas pelo próprio profissional dentro de casa.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.