Resumo da Notícia
A rotina de trabalho em home office exige atenção redobrada com segurança digital. Em entrevista ao Portal N10, Leandro Granja, CISO do Santander, alerta que falhas simples, como reutilizar senhas, deixar a tela desbloqueada, clicar em mensagens falsas ou usar canais pessoais para enviar arquivos corporativos, podem abrir caminho para invasões, vazamentos de dados e prejuízos financeiros.
Segundo o especialista, os erros mais comuns no modelo remoto envolvem a reutilização de senhas, ausência de duplo fator de autenticação, uso de dispositivos pessoais sem atualização ou proteção adequada, redes Wi-Fi domésticas mal configuradas e cliques em tentativas de phishing recebidas por e-mail, SMS ou WhatsApp.
“Em muitos casos, um erro simples cometido por uma pessoa em casa acaba abrindo caminho para um problema maior dentro da empresa”, alerta Leandro Granja.
A preocupação aumentou desde a pandemia de Covid-19, quando o trabalho remoto ganhou força e passou a fazer parte da rotina de empresas e profissionais. Nesse período, os golpes também ficaram mais sofisticados. Antes, era mais comum identificar mensagens genéricas, mal escritas e com sinais claros de fraude. Hoje, as abordagens se aproximam mais da realidade da vítima, usam linguagem correta, domínios parecidos e, em muitos casos, dados reais da pessoa ou da empresa.
Adicione o Portal N10 às suas Fontes Preferidas e acompanhe nosso perfil para receber mais notícias quando o assunto estiver em alta.
Golpes ficaram mais personalizados no home office
O ambiente remoto ampliou a superfície de risco porque misturou, em muitos casos, a vida pessoal e a rotina corporativa no mesmo dispositivo, na mesma rede doméstica e até no mesmo navegador. Esse tipo de combinação facilita vazamentos acidentais, exposição de credenciais e contaminação entre contas pessoais e profissionais.
Leandro Granja afirma que os ataques atuais já não dependem apenas de uma mensagem isolada. Eles podem começar por e-mail, seguir pelo WhatsApp e, em alguns casos, envolver até ligações para reforçar a aparência de legitimidade.
“Os ataques passaram a ser mais multicanais. Muitas vezes, o golpe vem por e-mail, depois é reforçado por WhatsApp e, em alguns casos, até por ligação. Isso aumenta a sensação de legitimidade e reduz a chance de a vítima desconfiar. A tecnologia também elevou o nível das abordagens, uma vez que já existem casos de uso de inteligência artificial para personalizar contatos e, em situações pontuais, até simular voz de executivos ou autoridades”, alerta Granja.
O risco começa de forma silenciosa. Uma credencial capturada ou um dispositivo comprometido pode evoluir rapidamente para invasão de conta, vazamento de dados sensíveis, fraude operacional, perdas financeiras, impacto regulatório e dano à reputação da empresa.
Erros discretos também aumentam a exposição
Além das falhas mais conhecidas, como senha fraca ou ausência de autenticação em dois fatores, outros hábitos passam despercebidos e elevam o risco no home office. Entre eles estão salvar senhas no navegador pessoal, usar o mesmo navegador para tudo, enviar documentos por canais não autorizados, manter sessões abertas por longos períodos e deixar a tela desbloqueada.
Reuniões online também exigem cuidado, principalmente quando são feitas fora de casa. A exposição pode ocorrer pela tela compartilhada, pelo áudio ambiente ou pelo próprio conteúdo da conversa. Em locais públicos ou pouco controlados, uma informação sensível pode ser vista ou ouvida por pessoas que não deveriam ter acesso ao assunto.
Apesar da evolução das fraudes, empresas e profissionais estão mais conscientes. Há mais compartilhamento de informações sobre autenticação multifator, campanhas de conscientização, atenção a phishing e investimento em proteção de acesso remoto.
Sete dicas para trabalhar em home office com mais segurança
1. Separe o ambiente pessoal do corporativo
O ideal é usar um dispositivo dedicado ao trabalho. Quando isso não for possível, a recomendação é manter navegador, acessos e rotinas separados. Misturar tudo no mesmo ambiente aumenta a chance de vazamento acidental e de contaminação entre contas pessoais e corporativas.
2. Ative o duplo fator de autenticação
E-mail, VPN, sistemas internos, ferramentas em nuvem e contas pessoais críticas devem ter autenticação em dois fatores. Depender apenas de senha já não é suficiente, especialmente em um cenário de ataques mais personalizados e multicanais.
3. Use gerenciador de senhas
Sem um gerenciador, cresce a tendência de repetir senhas, criar combinações simples ou salvar credenciais em locais inseguros. Em caso de vazamento, esse comportamento facilita o acesso indevido a outras contas.
4. Proteja a rede doméstica
A segurança do home office também depende da rede Wi-Fi da casa. Trocar a senha padrão do roteador, manter o firmware atualizado e proteger adequadamente o acesso à rede são medidas básicas para reduzir riscos.
5. Mantenha sistemas e aplicativos atualizados
Sistema operacional, navegador, aplicativos e antivírus precisam estar sempre em dia. Atualizações atrasadas podem manter brechas conhecidas abertas e facilitar a exploração por criminosos.
6. Desconfie de mensagens com urgência
Golpes costumam usar pressão, pressa e senso de oportunidade para induzir a vítima ao erro. Mensagens que exigem ação imediata devem ser verificadas com calma e, se possível, confirmadas por outro canal.
7. Não use canais pessoais para dados corporativos
Enviar arquivos por WhatsApp pessoal, e-mail particular, pendrive ou nuvem não autorizada pode parecer prático, mas é uma das formas mais comuns de exposição indevida de informação corporativa.
Segurança digital depende de tecnologia e comportamento
A proteção no home office não depende apenas de ferramentas. Ela também exige disciplina no uso de senhas, cuidado com mensagens suspeitas, separação entre ambiente pessoal e profissional e atenção constante aos canais usados para trocar informações.
O alerta do Santander reforça que o trabalho remoto precisa ser tratado como uma extensão do ambiente corporativo. A diferença é que, fora do escritório, parte importante da proteção passa a depender das escolhas feitas pelo próprio profissional dentro de casa.
