Resumo da Notícia
Eu não colocaria The Legend of Zelda abaixo de quase nada por provocação vazia. A franquia é uma das colunas da Nintendo desde 1986 e continua enorme, especialmente depois do impacto de The Legend of Zelda: Breath of the Wild e The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom.
Mesmo assim, quando olho para a história da empresa, vejo alguns jogos que conseguem disputar — e, na minha leitura, superar — Zelda em influência, acabamento, memória afetiva ou capacidade de reinventar a própria fórmula.
A Nintendo não é uma casa de uma franquia só. Pokémon, Super Mario, Animal Crossing, Metroid e Fire Emblem formam um catálogo raro, daqueles em que uma discussão sobre “o melhor jogo” quase sempre vira debate interminável. E é justamente por isso que esta lista existe: não para diminuir Link, Hyrule ou o legado de Zelda, mas para lembrar que a Nintendo também produziu obras que marcaram gerações por outros caminhos.
Nesta leitura do Portal N10, eu escolho cinco jogos que têm argumento suficiente para ficar acima de Zelda… e todos eles, iremos conferir agora.
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Fire Emblem: Three Houses mostrou a força da série no Switch
Fire Emblem: Three Houses é um RPG tático e o 16º jogo da série Fire Emblem. A franquia já vinha de uma longa história, como boa parte das grandes propriedades da Nintendo, mas este capítulo teve um peso especial porque levou suas batalhas estratégicas em grande escala para o Nintendo Switch com uma presença que os jogos anteriores não tinham da mesma forma.
O grande salto está na forma como o jogo aproveita o console. A experiência funciona tanto no modo portátil quanto em uma tela maior em alta definição, o que ajuda a dar mais peso às batalhas, aos personagens e ao cotidiano dentro da academia. Em uma série tão marcada por mapas, unidades, vínculos e decisões táticas, esse alcance faz diferença.
O jogador controla Byleth, um ex-mercenário que se torna professor na academia de oficiais do Monastério Garreg Mach. A partir daí, precisa orientar estudantes das três nações do continente de Fódlan. Esse detalhe muda a relação com a campanha, porque Three Houses não se limita ao combate: ele incorpora elementos de simulação social para aproximar o jogador dos alunos.
É essa mistura que me faz colocar Fire Emblem: Three Houses nesta lista. O jogo não tenta vencer Zelda no campo da aventura aberta. Ele joga outra partida: estratégia, política, vínculo emocional e consequência. E, dentro dessa proposta, entrega uma das experiências mais fortes do Switch.
Pokémon Legends: Arceus deu novo fôlego a Pokémon
Pokémon Legends: Arceus é parte da oitava geração de Pokémon e funciona, tecnicamente, como uma prequela de Pokémon Diamond & Pearl. Mas reduzi-lo a isso seria pouco. O jogo chama atenção porque mexe na estrutura de Pokémon sem abandonar completamente sua identidade.
A aventura acompanha Rei ou Akari, dependendo da escolha do jogador, e leva o protagonista para o passado, na região de Hisui. O cenário é inspirado na ilha japonesa de Hokkaido e se passa em um período associado ao início da colonização japonesa.
O que muda de verdade é o ritmo. Em vez de seguir o ciclo mais tradicional de viajar entre cidades, enfrentar líderes de ginásio e colecionar insígnias, Pokémon Legends: Arceus coloca o jogador diante de áreas abertas, criaturas selvagens mais perigosas e uma missão central ligada à conclusão da Pokédex.
A diferença é que, aqui, o mundo reage de forma mais agressiva. Pokémon selvagens podem atacar o jogador diretamente, o que torna a exploração menos automática e mais tensa. O resultado aproxima a experiência, em alguns momentos, de uma lógica parecida com Monster Hunter, da Capcom, especialmente pela estrutura com base central, áreas abertas e foco em observação, captura e sobrevivência.
Para mim, Pokémon Legends: Arceus merece estar acima de Zelda neste recorte porque fez algo que muitos fãs queriam havia anos: deu a Pokémon a sensação de descoberta física, de risco e de mundo vivo. Não é apenas mais um jogo da franquia; é um desvio necessário.
Pokémon HeartGold & SoulSilver são o auge da era 2D de Pokémon
Se Pokémon Legends: Arceus representa ruptura, Pokémon HeartGold & SoulSilver representam refinamento. Lançados em 2009, os remakes de Pokémon Gold & Silver, de 1999, modernizaram dois dos capítulos mais queridos da franquia e, para muitos fãs, continuam no topo da série.
Durante anos, Pokémon seguiu uma fórmula muito reconhecível. Gold & Silver ajudaram a aperfeiçoar esse modelo no fim dos anos 1990, e os remakes para Nintendo DS fizeram algo raro: atualizaram a experiência sem remover aquilo que tornava os originais especiais.
O grande trunfo está no volume e no senso de jornada. Pokémon HeartGold & SoulSilver oferecem duas regiões completas, Johto e Kanto, além de uma progressão com 16 insígnias. Isso dá ao jogador uma campanha mais longa e uma sensação de aventura que muitos jogos posteriores ainda tentam alcançar.
Há também recursos que viraram memória afetiva imediata. O Pokémon escolhido pode caminhar ao lado do treinador durante a viagem, detalhe simples, mas poderoso para criar conexão. Os remakes ainda trouxeram gráficos melhores, sistema de som aprimorado, mais Pokémon para capturar, o pedômetro Pokéwalker e o Pokéathlon.
É verdade que os remakes não mudaram radicalmente os jogos originais. Mas talvez essa seja justamente a força deles. Pokémon HeartGold & SoulSilver não tentam reinventar tudo; eles lapidam uma fórmula até deixá-la perto do ideal. E, quando Pokémon acerta assim, poucas franquias da Nintendo conseguem competir em escala emocional.
Super Metroid definiu uma linguagem inteira
Metroid nem sempre recebe o mesmo brilho popular de Super Mario, Pokémon ou The Legend of Zelda, mas sua importância para os videogames é imensa. A série ajudou a consolidar uma das protagonistas femininas mais marcantes dos jogos, a caçadora de recompensas intergaláctica Samus Aran, e influenciou diretamente a forma como gerações de jogos de ação e exploração seriam construídas.
Entre os títulos da franquia, eu colocaria Super Metroid, lançado em 1994 para o Super Nintendo, como o ponto mais alto. O jogo é lembrado pela atmosfera, pela jogabilidade, pelo design de fases e pelo modo como incentiva exploração não linear sem precisar conduzir o jogador o tempo todo pela mão.
Sua influência é tão grande que ajudou a definir o termo metroidvania, usado para jogos de ação e aventura baseados em exploração, progressão por habilidades e retorno a áreas anteriores com novos recursos. É o tipo de impacto que poucos jogos conseguem ter: não apenas ser excelente, mas dar nome e forma a um subgênero inteiro.
A inspiração em Alien aparece no clima de ficção científica, na ameaça orgânica e no isolamento. A história acompanha Samus em sua perseguição a Ridley e aos Piratas Espaciais, que roubaram uma larva Metroid. O vínculo criado entre Samus e a criatura, depois que ela a reconhece por imprinting, também muda a percepção sobre esses seres, até então tratados apenas como ameaça.
Super Metroid entra nesta lista porque sua grandeza não depende de nostalgia. Ele ainda é aula de ritmo, silêncio, tensão e descoberta. Zelda pode ser aventura em estado puro, mas Super Metroid é arquitetura de jogo em estado quase perfeito.
Super Mario World é a cara da Nintendo
Se existe um jogo que resume a Nintendo para muita gente, eu escolheria Super Mario World. Lançado em 1990, ele não é apenas um dos grandes capítulos de Super Mario; é um dos jogos mais reconhecíveis da história da empresa.
Mario talvez seja o personagem mais conhecido da Nintendo. Ele surgiu no início dos anos 1980 em Donkey Kong, ainda como “Jumpman”, antes de ganhar sua própria franquia. Décadas depois, a força do personagem também se mostrou fora dos games, especialmente com Super Mario Bros. O Filme, lançado em 2023, enquanto Super Mario Galaxy: O Filme aparece como continuação em 2026.
Mas, nos jogos, Super Mario World ocupa um lugar especial. É o tipo de plataforma 2D que muita gente imagina quando pensa em Mario. Colorido, direto, difícil na medida certa e extremamente memorável, ele virou referência para quase tudo que veio depois no gênero.
O jogo também carrega números e legado. Super Mario World é o título mais vendido do Super Nintendo, com mais de 20 milhões de cópias. Foi relançado várias vezes ao longo dos anos e hoje também aparece no serviço Nintendo Classics do Nintendo Switch.
O que me faz colocá-lo acima de Zelda é a precisão. Super Mario World parece simples, mas essa simplicidade é enganosa. Cada fase tem ritmo, segredo, desafio e recompensa. É viciante sem precisar explicar demais, acessível sem ser raso e difícil sem ser injusto.
Se The Legend of Zelda representa a aventura épica da Nintendo, Super Mario World representa a Nintendo em sua forma mais pura: controle perfeito, carisma imediato e design que continua funcionando décadas depois.
Por que esses jogos podem superar Zelda?
Eu não vejo esta lista como uma tentativa de negar a importância de The Legend of Zelda. Seria absurdo. A franquia está entre as maiores da história e segue forte com jogos como Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Mas a própria Nintendo é grande demais para caber em uma única comparação.
Fire Emblem: Three Houses mostra profundidade estratégica e vínculo emocional. Pokémon Legends: Arceus reinventa uma fórmula histórica. Pokémon HeartGold & SoulSilver representam o auge clássico de Pokémon. Super Metroid ajudou a definir uma linguagem inteira. Super Mario World virou sinônimo de plataforma bem-feito.
É por isso que, na minha leitura, esses cinco jogos não apenas rivalizam com Zelda. Cada um, à sua maneira, consegue ir além em um aspecto específico do que faz a Nintendo ser tão importante para os videogames.
