Usuários do Xbox Game Pass têm poucos dias para terminar este jogo de terror

A principal proposta de Carrion é inverter a lógica do terror tradicional, colocando o jogador no controle de uma criatura monstruosa que espalha destruição, o que cria uma experiência incomum, desconfortável e, em vários momentos, surpreendentemente satisfatória.
Usuários do Xbox Game Pass têm poucos dias para terminar este jogo de terror
Carrion não é um clássico do gênero, mas é uma distração decente

Resumo da Notícia

O relógio de contagem regressiva do Xbox Game Pass costuma gerar ansiedade mesmo entre jogadores experientes. É comum deixar um título “para depois” acreditando que haverá tempo de sobra, até que ele aparece na lista de jogos prestes a deixar o catálogo. Quando isso acontece, a pressão muda completamente a relação com a experiência. Felizmente, alguns jogos se encaixam perfeitamente nesse tipo de situação — e Carrion é um deles.

O jogo está confirmado para sair do Game Pass no dia 31 de dezembro, ao lado de outro título conhecido do serviço, o multiplayer Hell Let Loose. A diferença é que Carrion pode ser concluído em cerca de cinco horas, o que o transforma em uma escolha quase ideal para quem quer aproveitar os últimos dias antes da remoção.

Carrion é um jogo de terror e plataforma com foco em exploração, no qual o jogador assume o controle de uma criatura amorfa e gelatinosa que escapa de um laboratório e passa a causar destruição entre cientistas e soldados. A inversão de papéis é clara: aqui, o jogador não foge do monstro — ele é o monstro. A sensação lembra um filme de terror clássico visto pelo avesso, com o poder sempre nas mãos da criatura.

Um dos maiores destaques da experiência é justamente sua duração enxuta. Além da campanha curta, todos os 21 conquistas do jogo podem ser obtidas sem grandes dificuldades, já que nenhuma delas é perdível. Mesmo após os créditos finais, é possível retornar ao jogo para completar o que ficou pendente. Embora a ausência de um mapa possa causar alguma confusão na navegação, guias disponíveis online tornam relativamente simples encontrar todas as unidades de contenção e alcançar 100% de progresso.

Um terror diferente, com méritos e limitações claras

A decisão de transformar o protagonista em um anti-herói monstruoso funciona bem em vários momentos. Usar os tentáculos da criatura para arremessar inimigos e atravessar cenários pode ser estranhamente catártico, e o sistema de movimentação foge completamente do padrão. Não existe botão de pulo: a criatura se locomove grudando em paredes e estruturas, em um movimento quase aracnídeo que contribui para a atmosfera perturbadora.

Os quebra-cabeças exploram diretamente essas habilidades sobrenaturais. O jogador precisa aumentar ou reduzir o tamanho da criatura para acessar poderes específicos, já que determinadas ações só podem ser realizadas em estados físicos diferentes. Os desafios não chegam a ser complexos, mas exigem atenção e reforçam a identidade do jogo como algo além de um simples título de ação.

Ainda assim, Carrion não se firma como um marco do gênero. O combate pode se tornar frustrante devido aos controles imprecisos dos tentáculos, que dependem do analógico em vez de comandos mais diretos. Isso resulta em movimentos inconsistentes e mortes que parecem injustas, quebrando a sensação de poder que o jogo tenta construir.

Outro ponto sensível está na progressão. Para um jogo que flerta com o gênero de exploração e ação, há poucas melhorias significativas. A falta de recompensas mais robustas torna os cenários bastante lineares e reduz o incentivo à exploração. Essa limitação fica ainda mais evidente no DLC temático de fim de ano, com cerca de 20 minutos de duração, que não apresenta mecânicas novas nem expande o conceito central da experiência.

A narrativa também é minimalista ao extremo. O jogo apresenta fragmentos de memória e breves flashbacks, mas pouco explica sobre a origem da criatura ou o contexto dos humanos envolvidos. Embora o silêncio faça parte da proposta, a ausência de maior desenvolvimento narrativo deixa a sensação de que havia espaço para contar uma história mais marcante.

Mesmo com essas falhas, Carrion segue sendo uma experiência que vale a atenção, especialmente dentro de um serviço como o Game Pass. Poucos jogos colocam o jogador no papel de uma ameaça incontrolável, invertendo a lógica tradicional do terror. Essa abordagem ajuda a consolidar o nome do estúdio Phobia Game Studio, que já vem instigando a curiosidade do público ao sugerir, em publicações recentes em seu perfil oficial no X, que trabalha em um novo projeto ainda não anunciado — algo perceptível em interações como as feitas pelo perfil oficial do jogo Carrion.

No fim das contas, enquanto grandes lançamentos dominam os holofotes, é justamente esse tipo de jogo curto, estranho e ousado que reforça o valor do Xbox Game Pass como vitrine para experiências diferentes. Para quem ainda não jogou, o prazo está se encerrando rapidamente.

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