Presidente da OpenAI compara IA à bolha pontocom

“Muita gente vai perder dinheiro”, mas IA transformará a economia.
Presidente da OpenAI compara IA à bolha pontocom
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Resumo da Notícia

Em entrevista recente ao Decoder (The Verge), Bret Taylor — presidente do conselho da OpenAI e CEO da Sierra — endossou a avaliação de Sam Altman de que “alguém vai perder uma quantidade fenomenal de dinheiro em IA”.

Para Taylor, convivem duas verdades: “acho que é verdade que a IA vai transformar a economia […] acho que também estamos em uma bolha, e muita gente vai perder dinheiro. Acho que ambas são absolutamente verdadeiras ao mesmo tempo, e há precedentes históricos para isso”.

A leitura ecoa a bolha pontocom do fim dos anos 1990: muitas empresas fracassaram, mas a internet, no longo prazo, criou valor massivo — “as pessoas de 1999 estavam meio que certas”, comparou.

A conversa (mediada por Alex Heath em evento da Alix Partners, em São Francisco) percorreu a trajetória de Taylor — Google, FriendFeed (vendida ao Facebook), CTO do Facebook, fundador da Quip (vendida à Salesforce), co-CEO da Salesforce — até a criação da Sierra, focada em agentes de IA para experiências de atendimento ao cliente. “Nesta semana, a Sierra levantou uma nova rodada”, disse o apresentador, “avaliando a empresa em US$ 10 bilhões”, antes de mergulhar nos temas centrais: a economia dos agentes, o momento dos modelos, e a corrida por AGI (Inteligência Artificial Geral).

Modelo de negócio por resultado

Taylor descreve a proposta da Sierra: cobrar apenas por casos resolvidos de forma autônoma. “Se o agente transfere para um humano, é de graça.” Segundo ele, essa “comissão por tarefa concluída” alinha incentivos e impõe responsabilidade de ponta a ponta, aproximando fornecedor e cliente do resultado — não de horas de serviço.

O foco está em grandes marcas: “grandes empresas têm grandes problemas”, diz ele, ressaltando o salto econômico quando o custo por contato cai “não em uma, mas em duas ordens de grandeza”.

Taylor cita exemplos que já operam “sem humano na ponta”: adjudicar garantia com foto do produto danificado e disparar a reposição via sistemas de estoque; refinanciamento imobiliário de ponta a ponta; assistência veicular e processos em setores regulados (saúde, bancos, seguros) com travas determinísticas e supervisores de IA para cumprir regras. Ele distingue o trivial “perguntas e respostas com RAG” da orquestração complexa necessária quando há regulação, multilinguismo, voz e ruído real (ex.: buzina que interrompe diálogos).

Voz crescendo sobre texto

Embora a Sierra só tenha lançado voz em novembro do ano passado, voz já é maior do que texto na plataforma, diz Taylor. O motivo: atendimento telefônico ainda domina em vários setores e a IA “digitaliza” o canal mais caro e detestado, tornando viável o que antes era economicamente inviável — conversar com bases de dezenas de milhões de clientes. Em paralelo, ele observa o papel de WhatsApp em países como o Brasil e imagina interfaces conversacionais em múltiplos contextos (do carro ao consultório).

Provocado sobre “comoditização”, Taylor discorda de uma visão generalista: o ganho depende da tarefa. Para código, diz, a troca para um modelo mais novo (ele cita GPT-5 no diálogo) foi um “salto dramático”; para planejar férias, nem tanto. A tendência, afirma, é um ecossistema multimodelos, escolhidos por latência, custo e qualidade, com muito fine-tuning e pipeline complexo por mensagem (dezenas de inferências).

AGI e superinteligência

Taylor admite ter evoluído na definição: já estamos no que eu definiria como AGI há três anos, ao menos em critérios como o Teste de Turing. Hoje, prefere pensar em inteligência geral nos domínios digitais e no quanto isso generaliza para outras áreas. Sobre superinteligência, destaca o ângulo de segurança: como monitorar e alinhar sistemas que excedem nossa capacidade de compreensão — possivelmente com AIs supervisoras.

Bolha, sim — e utilidade prática também

Questionado sobre estudos que apontam gastos sem retorno em IA corporativa, Taylor discorda das generalizações e diferencia “turismo de IA” (projetos performáticos ou caseiros) de soluções aplicadas que “entregam desfecho” (ele cita, além da Sierra, a Harvey em escritórios de advocacia). Para ele, a maturidade virá de empresas de IA aplicadas por vertical — agentes para jurídico, supply chain, contabilidade, auditoria, atendimento e além.

Ao fim, a síntese volta ao início: há uma bolha e haverá vencedores e perdedores, como nas pontocom; ao mesmo tempo, a tecnologia transformará a economia — as duas coisas, insiste Taylor, são verdadeiras ao mesmo tempo.

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