Resumo da Notícia
Mais de um terço dos consumidores já inicia suas buscas diretamente em ferramentas de inteligência artificial, deixando mecanismos tradicionais como o Google em segundo plano.
O dado revela uma mudança estrutural no comportamento digital e ajuda a explicar por que marcas, portais de notícia e produtores de conteúdo estão sendo forçados a repensar como são encontrados, compreendidos e considerados em um ambiente cada vez mais mediado por respostas automáticas.
A constatação faz parte de um novo levantamento conduzido pela Eight Oh Two, agência especializada em SEO e mídia paga, e aponta que 37% dos consumidores afirmam começar suas pesquisas com IA, e não com buscadores tradicionais. O movimento não significa o fim do Google, mas sim uma mudança clara no ponto de partida da jornada de informação.
A IA virou a primeira resposta, e a busca tradicional ficou para confirmação
O estudo deixa claro que a inteligência artificial não substituiu completamente os buscadores, mas passou a ocupar o papel inicial da jornada. A lógica agora é híbrida: a IA entrega a primeira resposta, enquanto a busca tradicional entra depois para conferência, aprofundamento ou validação.
Esse comportamento é consequência direta da fadiga com os resultados tradicionais, marcados por excesso de anúncios, links patrocinados e conteúdos repetitivos. Segundo os entrevistados, a IA se destaca por ser: Mais rápida, mais clara e menos poluída visualmente.
A pesquisa mostra que os principais incômodos com a busca tradicional são clicar em links demais (40%), excesso de anúncios e resultados patrocinados (37%), dificuldade em obter uma resposta direta (33%) e informações repetitivas ou de baixa qualidade (28%). É exatamente nesse cenário que a IA ganha espaço, oferecendo uma resposta única, direta e acionável.
Confiança cresce, mas a checagem continua sendo regra
Os dados revelam uma relação interessante entre confiança e cautela. Seis em cada dez entrevistados (60%) afirmam que a IA entrega respostas melhores e mais claras do que os buscadores tradicionais, enquanto apenas 6% consideram o desempenho pior.
Ao mesmo tempo, 85% ainda afirmam que costumam conferir as respostas da IA em outras fontes, o que reforça a importância da credibilidade. Mesmo assim, 80% dizem se sentir confiantes de que a IA fornece informações imparciais, um número expressivo e revelador do avanço da confiança nesses sistemas.
O estudo também aponta que os buscadores tradicionais seguem preferidos quando o assunto é avaliação de produtos e preços, notícias e acontecimentos recentes, imagens e vídeos e informações médicas ou de saúde. Isso indica que o papel do Google e similares está mudando, mas não desaparecendo.
Descoberta de marcas agora acontece dentro das respostas de IA
Um dos pontos mais sensíveis do levantamento diz respeito à descoberta e percepção de marcas. Quando consumidores pedem recomendações à IA, eles recebem listas curadas, curtas e explicadas, que destacam algumas marcas e ignoram completamente outras.
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Quase metade dos entrevistados (47%) afirma que a IA influencia diretamente quais marcas eles passam a confiar. Na prática, a primeira impressão de uma marca está cada vez mais sendo formada dentro de um resumo gerado por IA, e não em um site institucional ou anúncio.
O estudo alerta que se uma marca não é fácil de ser compreendida, resumida ou diferenciada por sistemas de IA, ela simplesmente pode deixar de ser considerada. Não aparecer em respostas automáticas passa a ser tão grave quanto não aparecer no Google anos atrás.
IA já influencia decisões de compra de forma direta
A pesquisa mostra que a IA ultrapassou a fase de curiosidade e passou a interferir diretamente em decisões de consumo. 47% dos consumidores já utilizaram IA para ajudar em uma decisão de compra, 57% para encontrar os melhores preços, 54% para comparar produtos e 48% para acessar resumos de avaliações gerados por IA.
O uso é mais intenso entre consumidores mais jovens, mas já se espalha por diversas categorias, como produtos do dia a dia, tecnologia, viagens e serviços financeiros. Apesar disso, as compras continuam sendo finalizadas majoritariamente em sites de grandes varejistas ou das próprias marcas, e não dentro das ferramentas de IA.
Expectativas para 2026 indicam menos buscas e mais respostas automáticas
O levantamento também traz uma projeção clara para o futuro próximo. 63% dos entrevistados afirmam que pretendem usar IA ainda mais, enquanto 59% acreditam que ela se tornará o principal meio de encontrar informações. Quase metade espera que a IA seja capaz de executar tarefas completas do início ao fim, sem necessidade de múltiplas etapas.
Por outro lado, os consumidores deixam claro o que esperam de evolução: checagem de fatos mais robusta, citações claras, maior precisão, transparência e respostas mais personalizadas e contextualizadas.
O relatório completo, intitulado 2026 AI and Search Behavior Study, está disponível no site da agência e exige cadastro para acesso.