Oxford e Universidade de Tóquio lideram projeto para construir as bases de uma “internet quântica”

Oxford e Universidade de Tóquio lideram o projeto de “computação quântica distribuída e segura”, que pretende construir as bases de uma internet quântica usando nós de armadilhas de íons e ligações fotônicas para conectar processadores quânticos em rede com foco em segurança.
Oxford e Universidade de Tóquio lideram projeto para construir as bases de uma “internet quântica”
Imagem ilustrativa / Portal N10

Resumo da Notícia

Um novo pacote de cooperação científica entre Reino Unido e Japão colocou a Universidade de Oxford no centro de uma das três iniciativas bilaterais anunciadas durante a passagem do primeiro-ministro britânico Keir Starmer por território japonês. O conjunto de projetos recebe £ 4,5 milhões do Engineering and Physical Sciences Research Council (EPSRC) e pouco mais de ¥ 1,1 bilhão (cerca de £ 5,2 milhões) da Japan Science and Technology Agency (JST).

Na prática, a parceria busca acelerar a transição da pesquisa quântica “de laboratório” para sistemas conectados em escala, um salto considerado decisivo para aplicações que vão de comunicações ultra-seguras a sensoriamento avançado e novas rotas para descoberta científica.

Os três projetos começaram no início de janeiro de 2026 e devem seguir por cinco anos, dentro de um esforço coordenado entre os programas nacionais dos dois países. Do lado japonês, a chamada está vinculada ao programa ASPIRE, que, segundo a Japan Science and Technology Agency (JST), selecionou três propostas entre 27 submetidas, com período de pesquisa descrito como 63 meses.

A decisão de empacotar os anúncios junto à agenda diplomática reforça que a cooperação não é apenas acadêmica: o governo britânico descreveu o bloco de iniciativas como parte do esforço para aprofundar os laços em ciência e tecnologia — incluindo, além de quantum, um programa de conectividade avançada — em um contexto de resiliência digital e competição tecnológica global.

Entre as três frentes, a que terá Universidade de Oxford como copartícipe direto atende pelo nome “computação quântica distribuída e segura”. A proposta é construir as bases de uma futura internet quântica, conectando pequenos processadores quânticos a partir de nós de armadilhas de íons e ligações fotônicas — conexões que usam partículas individuais de luz para interligar esses processadores com foco em segurança.

O projeto será liderado conjuntamente pelo professor David Lucas, do Departamento de Física de Oxford, e pela professora Mio Murao, da Universidade de Tóquio.

Em uma das declarações centrais do anúncio, Lucas defendeu que a escala do desafio exige desenho unificado e cooperação internacional:

Semelhante a como a internet conecta computadores clássicos, os avanços quânticos do futuro dependem de conectar processadores quânticos em rede. Isso apresenta desafios científicos e de engenharia profundos, particularmente para garantir que essas redes sejam escaláveis, seguras, verificáveis e integradas. Enfrentar esse desafio complexo de forma eficaz exige uma abordagem unificada e colaboração internacional, aproveitando forças complementares.

Um ponto destacado por Oxford é o compromisso de desenvolver o sistema como um todo — do hardware às aplicações, em camadas simultâneas — para evitar que cada parte avance isoladamente e só depois tente “encaixar” na outra. Esse modelo, descrito como co-design full-stack, será testado com Aprendizado de Máquina Quântico Federado, um método que permite treinar modelos de IA com dados descentralizados sem abrir mão de privacidade.

Nesse desenho, o objetivo não é apenas “ligar” dois laboratórios com um cabo: a ambição é demonstrar um roteiro integrado de computação quântica distribuída e segura, com protocolo, verificação e integração suficientes para sustentar redes maiores no futuro.

No Reino Unido, além de Universidade de Oxford, a articulação envolve Universidade de Edimburgo, Universidade de Manchester e Universidade de Sussex. Do lado japonês, o anúncio destaca forças em teoria de comunicação quântica, hardware de armadilhas de íons e manufatura avançada, alinhadas à estratégia japonesa de inovação quântica e ao ASPIRE.

Ao resumir a lógica do consórcio, Lucas também afirmou:

Ao promover uma integração profunda entre equipes líderes do Reino Unido e do Japão e seus respectivos programas, buscamos criar uma arquitetura coerente e completa, de ponta a ponta, e entregar resultados concretos de integração que ampliem o valor dos esforços nacionais atuais, em vez de duplicar desenvolvimentos fundamentais.

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.