EA confirma desligamento total de Anthem e encerra de vez o RPG da BioWare

Anthem representa o ponto mais baixo da fase recente da BioWare, um estúdio que já foi referência em RPGs narrativos, mas que acumulou fracassos após Dragon Age: Inquisition, incluindo Mass Effect: Andromeda e Dragon Age: The Veilguard.
EA confirma desligamento total de Anthem e encerra de vez o RPG da BioWare
Fim dos servidores de Anthem encerra por completo o polêmico RPG da BioWare

Resumo da Notícia

A Electronic Arts confirmou o encerramento definitivo de um de seus jogos AAA mais emblemáticos e controversos da última década. A partir desta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, os servidores de Anthem, RPG de ação lançado em 2019 pela BioWare, serão desligados de forma permanente.

Como o título é exclusivamente online, o impacto vai além da retirada de suporte: o jogo se tornará completamente injogável, mesmo para quem já o comprou.

Na prática, isso significa que Anthem deixará de existir como produto funcional. Não se trata apenas do fim de servidores, mas do apagamento total da experiência. O encerramento marca o primeiro grande desligamento de um jogo AAA em 2026 e reacende o debate sobre preservação digital, dependência de serviços online e o destino de jogos concebidos como “serviço”.

Um jogo que já não pode mais ser comprado

Para quem pensa em “correr contra o tempo”, há um detalhe importante: Anthem foi retirado das lojas digitais ainda no verão de 2025. Ou seja, não há mais como adquirir o jogo oficialmente nas plataformas online.

A única alternativa, para quem insiste em vivenciar o título antes do fim, é encontrar uma cópia física, já que o jogo teve distribuição ampla no varejo. Mesmo assim, o prazo é curto e o resultado inevitável: após o desligamento, nem mesmo a mídia física terá utilidade prática.

Esse detalhe reforça o caráter definitivo da decisão. Não há modo offline, não há servidores alternativos anunciados, não há plano de preservação. Quando os servidores caírem, Anthem cai junto.

O ponto mais baixo da história recente da BioWare

O encerramento de Anthem simboliza mais do que o fim de um jogo. Ele representa, para muitos jogadores, o ponto mais baixo da trajetória recente da BioWare, um estúdio que já foi sinônimo de excelência narrativa no RPG ocidental.

Após o sucesso de Dragon Age: Inquisition, lançado em 2014 e considerado um dos melhores jogos de seu ano, o estúdio entrou em uma sequência de decisões problemáticas. Em 2017, veio Mass Effect: Andromeda, um título marcado por problemas técnicos, desempenho irregular e forte rejeição do público. Embora não seja um jogo ofensivo em sua proposta, ele ficou muito aquém da trilogia Mass Effect, abrindo uma ferida que o estúdio jamais conseguiu fechar completamente.

Em 2024, a situação se agravou com Dragon Age: The Veilguard, considerado por muitos um dos grandes fracassos da geração. Para parte da comunidade, o título colocou em risco a própria sobrevivência da franquia Dragon Age, algo impensável anos atrás.

Anthem: um erro conceitual desde a origem

Entre esses lançamentos, Anthem surgiu em 2019 como uma aposta arriscada e mal calculada. A BioWare tentou, pela primeira vez, criar um jogo totalmente online, com foco em serviço contínuo, algo completamente fora de sua zona de conforto. O resultado foi um projeto sem identidade clara, com promessas não cumpridas e um modelo de jogo que não dialogava com a expertise histórica do estúdio.

A falta de experiência ficou evidente desde o lançamento. Anthem rapidamente se tornou um dos maiores fracassos comerciais e críticos da indústria, acumulando apenas 54 pontos no Metacritic e sendo abandonado de forma silenciosa pela própria desenvolvedora pouco tempo depois. O cancelamento de qualquer grande reformulação — prometida e nunca entregue — selou o destino do jogo ainda em seus primeiros anos de vida.

Nesse contexto, é até surpreendente que os servidores tenham permanecido ativos por tanto tempo. O desligamento agora apenas oficializa um fim que, na prática, já era esperado.

Um alerta sobre jogos exclusivamente online

O caso Anthem deixa uma lição dura para jogadores e para a indústria: quando um jogo depende integralmente de servidores, ele não pertence de fato ao consumidor. Ele existe enquanto a empresa decide mantê-lo vivo. Quando essa decisão muda, o produto simplesmente desaparece.

Mais do que nostalgia ou frustração, o desligamento definitivo de Anthem reforça um debate cada vez mais urgente sobre preservação de jogos, direitos do consumidor e os limites do modelo de jogos como serviço.

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