Resumo da Notícia
A pesquisa Atlas/94FM divulgada nesta sexta-feira (29) mostra que o cenário de segundo turno entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Álvaro Dias (PL) concentra o maior percentual de eleitores sem escolha definida entre as simulações para o Governo do Rio Grande do Norte em 2026. Sem Cadu Xavier (PT) na disputa direta, 32,3% dos entrevistados dizem votar branco, nulo ou não saber responder.
Nesse confronto, Allyson aparece numericamente à frente, com 39,6% das intenções de voto, enquanto Álvaro registra 28,1%. O dado mais relevante, porém, não está apenas na distância entre os dois ex-prefeitos, mas no tamanho do bloco que não escolhe nenhum deles.
Na prática, quase um em cada três eleitores potiguares não se posiciona quando a simulação de segundo turno coloca frente a frente o ex-prefeito de Mossoró e o ex-prefeito de Natal. Esse percentual é maior do que o registrado nos outros cenários de segundo turno testados pela Atlas.
A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 27 de maio de 2026, com 962 entrevistados no Rio Grande do Norte. A margem de erro informada é de 3 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%.
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Por que esse cenário chama atenção?
O confronto entre Allyson e Álvaro é diferente dos demais cenários porque retira da disputa direta o candidato que aparece numericamente à frente no primeiro turno. Cadu Xavier lidera o cenário estimulado com 37,7% das intenções de voto, seguido por Allyson, com 27,6%, e Álvaro, com 27,3%.
Quando Cadu aparece no segundo turno contra Allyson, os dois ficam tecnicamente empatados: Cadu tem 40,5%, e Allyson, 39,1%. Nesse caso, brancos, nulos e indecisos somam 20,5%.
Quando o confronto é entre Cadu e Álvaro, o petista aparece com 47,6%, contra 34,9% do ex-prefeito de Natal. Nesse cenário, brancos, nulos e indecisos somam 17,5%.
Já entre Allyson e Álvaro, o bloco sem candidato definido sobe para 32,3%. É esse salto que torna a simulação politicamente relevante.
O que significa ter 32,3% sem escolha?
O percentual de brancos, nulos e indecisos não deve ser tratado como detalhe. Em uma simulação de segundo turno, esse grupo representa o eleitor que, diante das opções apresentadas, ainda não escolhe um nome ou rejeita a disputa como está colocada.
A pesquisa não permite afirmar, sozinha, a causa dessa indefinição. O eleitor pode estar em dúvida, pode não se identificar com nenhum dos dois nomes, pode aguardar a campanha, pode preferir outro campo político ou pode simplesmente não ter formado opinião sobre esse confronto específico.
Por isso, o dado exige cautela. Não é correto transformar os 32,3% automaticamente em voto futuro para Allyson, Álvaro ou qualquer outro candidato. O mais preciso é dizer que esse bloco representa uma área de disputa aberta, especialmente em um cenário sem Cadu no segundo turno.
Allyson aparece à frente, mas há espaço aberto
Allyson tem vantagem numérica sobre Álvaro na simulação direta. A diferença entre os dois é de 11,5 pontos percentuais. Mesmo assim, o tamanho do bloco de brancos, nulos e indecisos mostra que o cenário não está fechado.
Esse ponto é importante porque o segundo turno costuma reorganizar a campanha. Apoios de candidatos derrotados, alianças partidárias, tempo de propaganda, rejeição, debates e comparação direta entre propostas podem alterar a escolha de parte do eleitorado.
No caso específico de Allyson x Álvaro, o eleitorado sem candidato definido é grande o suficiente para se tornar um dos fatores centrais da disputa. Para Allyson, o desafio seria manter a vantagem numérica e tentar reduzir a indefinição sem ampliar rejeições. Para Álvaro, a missão seria buscar parte desse eleitorado e diminuir a distância registrada pela Atlas.
A ausência de Cadu muda a lógica da disputa
A simulação também mostra que a ausência de Cadu Xavier em um segundo turno não gera transferência automática de votos para um dos dois ex-prefeitos. Esse é um ponto relevante para entender a eleição.
Como Cadu aparece à frente no primeiro turno, é natural que o debate público se concentre na possibilidade de ele disputar a etapa final. Mas a Atlas testou também o cenário em que os dois adversários diretos do campo governista se enfrentam. Nesse caso, o resultado revela um eleitorado mais resistente a escolher.
Isso pode indicar que uma parte dos entrevistados que votaria em Cadu no primeiro turno não migra automaticamente para Allyson ou Álvaro em uma simulação sem o petista. Também pode sugerir que a disputa entre dois nomes posicionados fora do campo governista não resolve, por si só, a escolha de parte relevante do eleitorado.
O dado não deve ser lido como rejeição definitiva aos dois. A pesquisa mostra uma fotografia do momento, antes da campanha oficial. Mas o volume de indefinição sinaliza que a construção de maioria em um segundo turno sem Cadu exigiria mais do que a simples oposição ao governo atual.
Ex-prefeitos precisam falar para além de suas bases
Allyson e Álvaro chegam ao cenário estadual com trajetórias municipais fortes. Allyson foi prefeito de Mossoró, principal cidade do Oeste potiguar. Álvaro foi prefeito de Natal, maior colégio eleitoral do estado.
Essas bases ajudam a explicar a competitividade dos dois nomes, mas a pesquisa mostra que a disputa estadual exige mais do que lembrança local. Em uma eleição para governador, o candidato precisa expandir sua imagem para regiões onde não administrou diretamente e convencer eleitores que não acompanharam sua gestão de perto.
O alto percentual de brancos, nulos e indecisos no confronto entre os dois sugere justamente esse desafio. Para parte do eleitorado, a comparação Allyson x Álvaro ainda pode não estar suficientemente clara. A campanha tende a testar quem consegue transformar experiência municipal em argumento estadual.
O segundo turno não é apenas soma de votos
Um erro comum na leitura de pesquisas eleitorais é imaginar que o segundo turno funciona como uma soma automática dos votos do primeiro. Não funciona. O eleitor pode mudar de posição, anular, votar em branco, migrar para outro candidato, rejeitar um confronto específico ou decidir apenas durante a campanha.
A simulação Allyson x Álvaro mostra isso de forma clara. Mesmo com dois nomes competitivos no primeiro turno, o segundo turno entre eles abre um espaço amplo de não escolha.
Esse dado torna a disputa mais complexa. Não basta saber quem está na frente em uma rodada. É preciso entender como cada candidato se comporta em confrontos diretos e qual é o tamanho do eleitorado disponível, resistente ou ainda indeciso.
O que a pesquisa permite dizer com segurança
A Atlas permite afirmar que Allyson aparece numericamente à frente de Álvaro no cenário de segundo turno sem Cadu. Também permite afirmar que esse confronto concentra o maior percentual de brancos, nulos e indecisos entre os cenários divulgados.
A pesquisa não permite concluir que os eleitores sem escolha irão majoritariamente para um candidato específico. Também não permite cravar que o cenário permanecerá assim durante a campanha. O levantamento mostra uma fotografia do momento, realizada entre 22 e 27 de maio.
A leitura mais segura é que, sem Cadu na simulação de segundo turno, Allyson lidera contra Álvaro, mas a disputa fica marcada por um bloco expressivo de eleitores que ainda não escolhe nenhum dos dois.
Por que esse dado importa para 2026?
O percentual de 32,3% de brancos, nulos e indecisos pode se tornar um dos principais termômetros da eleição. Ele mostra que parte relevante do eleitorado ainda não está mobilizada por esse confronto específico.
Para campanhas, esse grupo é estratégico. Para o eleitor, o dado ajuda a entender que a disputa ainda não está cristalizada. Para a cobertura jornalística, é um alerta contra manchetes simplistas.
A eleição de 2026 no RN ainda terá alianças, definições de chapas, debates, propaganda, movimentações municipais e maior exposição dos candidatos. Até lá, pesquisas como a Atlas ajudam a mostrar não apenas quem está na frente, mas onde ainda existe espaço real de disputa.
