Rio Grande do Norte registra mais de mil óbitos em 2025 por influenza, pneumonia e coronavírus

Dados do Ministério da Saúde relatam que, no Brasil, mais de 108 mil óbitos foram contabilizados.
RN registra 1.622 mortes por influenza, pneumonia e coronavírus em 2025
RN registra 1.622 mortes por influenza, pneumonia e coronavírus em 2025 - Crédito: francescosgura / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • O Rio Grande do Norte registrou 1.622 mortes em 2025 por doenças respiratórias, sendo 1.590 por influenza/pneumonia e 32 por coronavírus.
  • No Brasil, os números foram de 105.873 óbitos por influenza/pneumonia e 2.550 por coronavírus no mesmo ano.
  • A infectologista Cláudia Vidal ressalta que a higiene das mãos pode reduzir em até 40% o risco de infecções.
  • Infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são um desafio global, com até 30% de pacientes em UTIs afetados.
  • Dados da Anvisa indicam melhora nos indicadores de IRAS no Brasil, mas o risco permanece alto, especialmente em UTIs.
  • O uso inadequado de antibióticos contribui para a resistência bacteriana, com projeção de 10 milhões de mortes anuais até 2050.
  • A prevenção de infecções envolve higiene das mãos, protocolos assistenciais, controle de antimicrobianos e vigilância epidemiológica.

O Rio Grande do Norte registrou 1.622 mortes em 2025 por doenças associadas a infecções respiratórias, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Foram 1.590 óbitos por influenza e pneumonia e outras 32 mortes atribuídas a infecções por coronavírus no estado.

No Brasil, o impacto foi ainda mais amplo: 105.873 mortes por influenza e pneumonia ao longo de 2025, além de 2.550 óbitos por infecções por coronavírus. Os números reforçam um alerta conhecido, mas ainda negligenciado em muitos ambientes: a higienização correta das mãos continua sendo uma das formas mais simples e eficazes de reduzir a transmissão de doenças.

Em entrevista concedida ao Portal N10, a infectologista e consultora da ONA – Organização Nacional de Acreditação, Cláudia Vidal, destacou o peso dessa prática na prevenção.

Este simples gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e conjuntivite” afirma a infectologista.

Falta de higiene das mãos facilita transmissão de doenças

A higienização inadequada das mãos é um fator relevante na circulação de vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. Além de influenza e pneumonia, mãos contaminadas podem contribuir para a disseminação de conjuntivite, catapora, hepatite A e outras infecções.

O risco é maior em locais de assistência à saúde, onde pacientes fragilizados, uso de equipamentos invasivos e circulação intensa de profissionais ampliam a possibilidade de transmissão. Por isso, lavar as mãos corretamente ou usar álcool gel no momento adequado não é apenas uma recomendação básica, mas uma medida direta de segurança do paciente.

Infecções hospitalares seguem como desafio global

As infecções relacionadas à assistência à saúde, conhecidas como IRAS, continuam sendo um problema grave, mesmo sendo evitáveis em muitos casos. Dados da OMS indicam que até 30% dos pacientes em UTIs podem ser afetados. Em países mais pobres, o risco pode ser até 20 vezes maior.

A cada 100 pacientes internados, até 15 podem desenvolver infecções em países de baixa e média renda. A situação é especialmente crítica em unidades de terapia intensiva, onde o perfil dos pacientes e o uso de dispositivos aumentam a vulnerabilidade.

A projeção global também preocupa. Até 2050, há previsão de até 3,5 milhões de mortes por ano associadas a esse cenário de infecções e falhas de controle.

Brasil melhora indicadores, mas risco ainda é alto

Dados da Anvisa, de 2024, apontam melhora nos indicadores de incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde. Apesar disso, o risco permanece elevado.

O relatório mostra que a maioria das infecções de corrente sanguínea ocorre dentro das UTIs. A densidade de incidência chega a 3,5 casos por mil cateteres venosos centrais-dia em UTIs. Nas UTIs neonatais, o índice sobe para 6,1 casos.

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A pneumonia associada à ventilação mecânica também segue entre as IRAS mais frequentes. As taxas podem chegar a 9,4 casos por mil ventilação mecânica-dia.

Esses dados mostram que a prevenção depende de rotina, estrutura, treinamento e monitoramento. A higiene das mãos é o primeiro passo, mas precisa estar integrada a protocolos assistenciais, controle de antimicrobianos e vigilância epidemiológica.

Infecções também aumentam custos na saúde

Além do impacto clínico, as infecções elevam os custos dos sistemas de saúde. No Brasil, pacientes com infecção podem gerar gastos até 55% maiores. Nos Estados Unidos, o impacto passa de US$ 40 bilhões por ano. Na Europa, chega a € 7 bilhões anuais.

Esse custo aparece em internações mais longas, necessidade de tratamentos adicionais, maior uso de antibióticos, exames, isolamento e suporte intensivo. Para hospitais e serviços de saúde, prevenir infecções também significa reduzir desperdícios e melhorar a qualidade do cuidado.

Resistência a antibióticos amplia risco

Outro ponto crítico é o uso inadequado de antibióticos. A resistência bacteriana avança quando esses medicamentos são utilizados sem necessidade, em dose inadequada ou sem acompanhamento correto.

O uso inadequado de antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, ressalta a dra. Cláudia Vidal.

Dados da OMS indicam que, até 2050, podem ocorrer 10 milhões de mortes por ano por infecções resistentes. O alerta reforça a necessidade de controle rigoroso no uso de antimicrobianos.

No Brasil, os dados da Anvisa mostram que ainda há espaço para avanço. Entre 153 serviços analisados, pouco mais da metade, 52,7%, possui Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos implantado.

Nas UTIs, o monitoramento é mais frequente. Em unidades adultas, 95,6% das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar acompanham o uso de antibióticos. Nas UTIs pediátricas, 82,8% fazem esse controle de forma adequada.

O que precisa avançar nos serviços de saúde?

A prevenção passa por ações práticas dentro das instituições. Entre as medidas apontadas estão o aumento da adesão dos profissionais à higiene das mãos, monitoramento de indicadores de conformidade e garantia de acesso a álcool gel, água e sabonete.

Também são necessárias estratégias para reduzir infecções hospitalares, especialmente em UTIs, com foco em infecção de corrente sanguínea, pneumonia associada à ventilação mecânica e infecção urinária associada a cateter.

Outras frentes incluem:

  • combate ao uso inadequado de antimicrobianos;
  • fortalecimento de programas de uso racional de antibióticos;
  • monitoramento da resistência bacteriana;
  • ampliação de programas de controle de infecções;
  • capacitação contínua dos profissionais;
  • melhoria da vigilância epidemiológica;
  • integração entre estados, municípios e serviços de saúde;
  • fortalecimento da cultura de segurança do paciente.

Para Cláudia Vidal, a prevenção precisa ser tratada como eixo central da assistência.

Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é imprescindível, em especial a higiene das mãos de forma adequada e oportuna, estratégias essas fundamentais para proteger os pacientes e salvar vidas!”, finaliza a infectologista.

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