Pesquisa da Uern desenvolve método inédito para melhorar qualidade do sal marinho no RN

A tecnologia desenvolvida pela equipe do Laboratório de Catálise, Ambiente e Materiais da Uern já teve patente depositada no INPI e pode representar avanço relevante para a indústria salineira potiguar.
Uern desenvolve sistema inédito para melhorar produção de sal marinho brasileiro
Uern desenvolve sistema inédito para melhorar produção de sal marinho brasileiro

Resumo da Notícia

  • Pesquisadores da Uern criaram um método inovador para retirar impurezas do sal marinho, visando aumentar a qualidade do produto.
  • O novo processo utiliza zeólitas para capturar íons de cálcio e magnésio no início da produção, diferente dos métodos tradicionais.
  • O Rio Grande do Norte é responsável por 95% da produção nacional de sal marinho e o setor tem forte impacto econômico no estado.
  • O método tradicional de lavagem pode dissolver parte do sal, reduzindo o rendimento final da produção.
  • O sistema de filtragem com zeólitas reduziu em cerca de 35% a dureza da água em testes iniciais.
  • A tecnologia inédita desenvolvida pela Uern já teve patente depositada junto ao INPI.
  • A pesquisa conta com recursos do CNPq e do MCTIC, em parceria com o PPGCN/UERN e uma empresa.

Responsável por aproximadamente 95% da produção de sal marinho do Brasil, o Rio Grande do Norte concentra uma das atividades industriais mais estratégicas da economia regional. Em meio à relevância do setor para empregos, arrecadação e movimentação financeira, pesquisadores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) desenvolveram um processo inovador para retirada de impurezas do sal marinho, buscando elevar a qualidade do produto final e fortalecer a indústria salineira potiguar.

A pesquisa, detalhada ao Portal N10 pelo professor Vinícius Caldeira, coordenador do estudo, propõe a utilização de zeólitas para capturar íons de cálcio e magnésio ainda no início do processo produtivo do sal. A solução representa uma mudança importante em relação aos métodos tradicionais utilizados atualmente pelas salineiras.

Dados do Sumário Mineral Brasileiro da Agência Nacional de Mineração (ANM) apontam que o Rio Grande do Norte responde por cerca de 95% da produção nacional de sal marinho.

O setor salineiro possui forte impacto econômico no estado. Atualmente, a atividade representa cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) potiguar e gera entre 4 mil e 5 mil empregos diretos na região produtora. Quando considerada toda a cadeia produtiva, o número de postos de trabalho pode ultrapassar 50 mil.

Além disso, a indústria movimenta aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano na economia regional, contribuindo diretamente para a arrecadação de impostos e desenvolvimento econômico do estado.

Método busca eliminar impurezas antes da cristalização do sal

No processo tradicional de produção do sal marinho, a etapa de lavagem é responsável pela retirada de impurezas como cálcio e magnésio. Nessa fase, geralmente são utilizadas água doce, salmoura ou até mesmo água do mar.

O problema, segundo os pesquisadores, é que essa lavagem pode dissolver parte do sal produzido, reduzindo o rendimento final da produção.

Foi justamente diante dessa limitação que o Laboratório de Catálise, Ambiente e Materiais (LACAM) da Uern passou a estudar o uso de zeólitas no processo produtivo.

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As zeólitas são minerais de aluminossilicatos hidratados, que possuem a capacidade de capturar íons de cálcio e magnésio. Por conta dessa propriedade, elas são bastante utilizadas no tratamento da chamada ‘água dura’, aquela com alta concentração desses íons. Além disso, as zeólitas também podem ser aplicadas em diversos processos industriais, justamente por ajudarem na remoção de impurezas”, explicou ao Portal N10 o professor Vinícius Caldeira, coordenador da pesquisa.

Sistema de filtragem apresentou resultados promissores

A proposta desenvolvida pela Uern prevê a aplicação das zeólitas logo no início do processo produtivo, ainda na etapa de captação da água do mar.

O sistema funciona de forma semelhante a um processo de filtragem utilizado no tratamento de água para consumo humano. Para validar a ideia, os pesquisadores desenvolveram um protótipo de fluxo contínuo.

Durante os testes, amostras reais coletadas em tanques da empresa parceira passaram pelo sistema filtrante contendo zeólitas. Depois do processo, os pesquisadores analisaram os níveis de cálcio e magnésio presentes na água.

Os resultados iniciais mostraram redução aproximada de 35% na dureza da água nos primeiros minutos de filtragem por sistema utilizado.

Segundo os pesquisadores, ao impedir que os íons sejam incorporados ao sal ainda antes da cristalização, o método consegue elevar diretamente a qualidade do produto final.

Na prática, isso representa uma melhoria direta na qualidade do produto final, indo além do que os métodos tradicionais de lavagem conseguem alcançar”, destacou Vinícius Caldeira.

Tecnologia inédita já teve patente depositada

De acordo com os pesquisadores, o emprego de zeólitas no processo produtivo do sal marinho em uma etapa rápida e única ainda não havia sido descrito na comunidade científica e tecnológica.

Por isso, a tecnologia desenvolvida pela equipe da Uern foi protegida por meio de depósito de patente de processo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número BR 10 2026 0010537.

A pesquisa integra o Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI), desenvolvido com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais (PPGCN/UERN) e empresa parceira.

O objetivo do projeto também inclui formação de recursos humanos altamente qualificados e ampliação do potencial tecnológico da produção científica desenvolvida no Rio Grande do Norte.

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