Documentário sobre os Mártires de Cunhaú e Uruaçu estreia nesta sexta-feira (3)

A obra mergulha na tradição devocional aos mártires, narrando sua história a partir de memórias, testemunhos e símbolos de fé que atravessaram os séculos.
Documentário sobre Mártires de Cunhaú e Uruaçu estreia no RN com celebrações e programação especial
Documentário sobre massacres de Cunhaú e Uruaçu estreia - Foto: Rodrigo Monteiro/Divulgação

Resumo da Notícia

  • O documentário “Santos Mártires: Das Relíquias à Devoção”, dirigido por Buca Dantas, será exibido no dia 3 de outubro, às 16h, no Monumento dos Mártires em Uruaçu, como parte das celebrações oficiais do feriado estadual.
  • A obra, com 70 minutos de duração, mescla entrevistas e encenações para narrar os massacres de Cunhaú e Uruaçu, ocorridos em 1645, retratando a perseguição religiosa e a transformação desses episódios em símbolos de fé e identidade.
  • O filme contou com produção local, elenco majoritariamente de São Gonçalo do Amarante e apoio da Lei Paulo Gustavo, além de órgãos culturais da prefeitura, do Governo Federal e do Ministério da Cultura.
  • O feriado estadual de 3 de outubro foi instituído pela Lei Nº 8.913/2006 e relembra os episódios de violência em que 30 cristãos foram mortos, entre padres e leigos, por se recusarem a renegar sua fé católica.
  • A programação no Santuário dos Mártires inclui missas, caminhadas, recitação do terço, lançamento do filme e show religioso, reunindo milhares de fiéis em celebração da memória e da devoção.

O Rio Grande do Norte vive nesta sexta-feira, 3 de outubro, um momento de fé, memória e cultura com a exibição do documentário Santos Mártires: Das Relíquias à Devoção. O longa-metragem, que será apresentado às 16h no Monumento dos Mártires em Uruaçu, integra a programação oficial do feriado estadual em homenagem aos padroeiros do estado, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu, reconhecidos como Protomártires do Brasil.

Com 70 minutos de duração, a obra potiguar mescla entrevistas documentais e encenações dramáticas para reconstituir dois dos episódios mais marcantes do século XVII no Brasil: os massacres de Cunhaú e de Uruaçu, ocorridos em 1645 durante as invasões holandesas. A narrativa cinematográfica busca não apenas retratar a violência e a perseguição religiosa do período colonial, mas também destacar como os acontecimentos foram transformados em símbolos de fé, identidade e resistência cultural.

A produção é composta majoritariamente por profissionais do Rio Grande do Norte, com destaque para o elenco formado em sua maioria por moradores de São Gonçalo do Amarante. O apoio foi viabilizado pela Lei Paulo Gustavo, pela Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Cultural Dona Militana, além do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

O diretor geral, Buca Dantas, ressaltou a força do projeto ao afirmar: O filme revela a alma do Rio Grande do Norte, onde a dor se transforma em fé e a memória em identidade viva. Ao assistir, o público é convidado a sentir a grandeza espiritual dos mártires e a perceber como sua coragem ainda ilumina o presente.

Memória e identidade cultural

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O documentário tem o propósito de ser mais do que um registro histórico. Ele busca ser um instrumento de memória coletiva, educação e fortalecimento cultural. As reconstituições históricas apresentam um retrato vívido da perseguição religiosa enfrentada por padres e leigos, que resistiram à pressão para renunciar à fé católica e foram mortos em nome de suas convicções.

A obra mergulha na tradição devocional aos mártires, narrando sua história a partir de memórias, testemunhos e símbolos de fé que atravessaram os séculos. Dessa forma, reforça a identidade cultural do Nordeste e o caráter espiritual que os protomártires representam para os fiéis potiguares.

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Por que 3 de outubro é feriado no RN

O feriado estadual de 3 de outubro foi instituído pela Lei Nº 8.913/2006, sancionada pela então governadora Wilma de Faria, e relembra os episódios ocorridos em Cunhaú (16 de julho de 1645) e Uruaçu (3 de outubro de 1645). Na ocasião, dois padres e 28 leigos foram assassinados em ataques que refletiam a disputa entre católicos e calvinistas no contexto da dominação holandesa no Nordeste brasileiro.

A data é uma forma de manter viva a lembrança desses cristãos que se tornaram referência de fé, além de marcar a devoção oficial da Igreja Católica potiguar. Hoje, a Arquidiocese de Natal organiza uma ampla programação de missas, romarias e atos de devoção no Santuário dos Mártires.

Programação completa no Santuário dos Mártires

As celebrações desta sexta-feira terão início nas primeiras horas do dia, com grande participação de fiéis vindos de várias cidades do estado:

  • 4h: Caminhadas saindo de Macaíba e de São Gonçalo do Amarante.
  • 5h: Missa presidida pelo padre Alexsandro de Lima Freitas, da Comunidade Canção Nova.
  • 7h: Missa presidida pelo arcebispo Dom João Santos Cardoso, transmitida pela TV Canção Nova.
  • 9h: Missa presidida pelo padre João Gabriel Ribeiro, pároco de São Gonçalo do Amarante.
  • 10h: Missa presidida pelo padre Manoel Henrique de Paiva, pároco da Paróquia de Jesus Bom Pastor, em Natal.
  • 12h: Missa presidida pelo arcebispo emérito Dom Jaime Vieira Rocha, seguida de procissão com o Santíssimo Sacramento.
  • 15h: Recitação do Terço da Misericórdia, transmitido pela TV Canção Nova.
  • 16h: Lançamento oficial do longa-metragem “Santos Mártires – Das Relíquias à Devoção”.
  • 17h: Missa solene presidida por Dom João Santos Cardoso.
  • 18h30: Show e gravação de DVD com os missionários Ana Clara e Ítalo Poeta, acompanhados da Banda Exército de Deus.

Um marco audiovisual para a fé potiguar

O lançamento do documentário neste dia simbólico reforça o valor dos mártires como referência espiritual e cultural. Ao unir linguagem cinematográfica, religiosidade e história, a obra reforça a importância de preservar a memória dos acontecimentos que moldaram a devoção e a identidade do Rio Grande do Norte.

A expectativa é de que a produção alcance não apenas os fiéis, mas também novos públicos interessados na interseção entre cinema, cultura e fé. Mais do que um registro audiovisual, o filme se coloca como um espaço de reflexão sobre o passado e a atualidade da coragem dos mártires.

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