Voto de Cármen Lúcia pode formar maioria para condenar Jair Bolsonaro

Essa previsão se baseia em manifestações anteriores da ministra, como em março deste ano, quando, ao receber a denúncia, ela fez duras críticas à trama golpista.
Voto de Cármen Lúcia pode formar maioria para condenar Jair Bolsonaro
Ministra do STF, Cármen Lúcia - Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Resumo da Notícia

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) volta a se reunir nesta quinta-feira (11), às 14h, para dar continuidade ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete ex-integrantes de seu governo, apontados como parte do Núcleo 1 da chamada trama golpista.

A acusação afirma que o grupo atuou para tentar um golpe de Estado e manter Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota nas eleições de 2022. O caso envolve crimes de extrema gravidade e tem potencial de impactar diretamente o cenário político nacional.

Até o momento, o julgamento registra dois votos pela condenação — dos ministros Alexandre de Moraes, relator, e Flávio Dino — e um pela absolvição, dado por Luiz Fux.

O voto de Fux, proferido na última terça-feira (9), durou cerca de treze horas, incluindo dois intervalos. Antes de tratar do mérito, o ministro defendeu a anulação total do processo, alegando “incompetência absoluta” do Supremo para julgar a ação, já que nenhum dos réus ocupa atualmente cargo com foro privilegiado. Essa tese foi rejeitada por Moraes e Dino, que reforçaram a competência da Primeira Turma para analisar o caso.

Expectativa para o voto de Cármen Lúcia

O próximo voto será o da ministra Cármen Lúcia, e há expectativa de que ela acompanhe a posição de Moraes e Dino, formando maioria pela condenação. Essa previsão se baseia em manifestações anteriores da ministra, como em março deste ano, quando, ao receber a denúncia, ela fez duras críticas à trama golpista.

Réus já com maioria pela condenação

Dois dos acusados já têm maioria formada para condenação:

  • Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que firmou delação premiada;
  • Walter Braga Netto, general da reserva, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice na chapa bolsonarista em 2022.

Nesses casos, tanto Moraes quanto Dino e Fux consideraram os réus culpados pelo crime de atentado contra o Estado Democrático de Direito.

Divergências quanto aos demais acusados

Além de Bolsonaro, Fux votou pela absolvição de outros cinco réus:

  • Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin);
  • Almir Garnier (ex-comandante da Marinha);
  • Anderson Torres (ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF);
  • Augusto Heleno (ex-ministro do GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa).

Já Moraes e Dino consideraram todos culpados.

Acusações e caso específico de Ramagem

Os réus respondem por:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

No caso de Alexandre Ramagem, que atualmente é deputado federal, parte das acusações foi suspensa, conforme prevê a Constituição. Assim, ele não responde pelos crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023 que envolvem dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

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