Resumo da Notícia
A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), indica que o presidente Lula segue à frente em todos os sete cenários de segundo turno testados contra nomes da oposição. As vantagens variam de cinco a 19 pontos percentuais, mas o dado que mais chama atenção é a redução da distância quando o adversário é o senador Flávio Bolsonaro. Nesse confronto direto, Lula aparece com 43%, contra 38% de Flávio — a menor diferença entre todos os cenários avaliados.
A leitura política do levantamento vai além do placar pontual. Em dezembro, a distância entre Lula e Flávio era de dez pontos; em janeiro, caiu para sete; agora, recuou para cinco. O movimento revela encurtamento gradual da vantagem do presidente justamente contra o nome que desponta como principal representante da oposição no momento.
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“A pesquisa revela uma diminuição residual da vantagem de Lula para Flávio. A diferença era de sete pontos no mês passado e passou para cinco”, afirmou Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Cenário Lula x Flávio concentra o embate central
No recorte mais observado da pesquisa, o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro sintetiza o atual estado da disputa nacional. Os números mostram estabilidade do senador e leve perda do presidente ao longo dos últimos meses:
- Lula: 43% (eram 45% em janeiro e 46% em dezembro)
- Flávio Bolsonaro: 38% (eram 38% em janeiro e 36% em dezembro)
- Indecisos: 2% (eram 2% em janeiro e 3% em dezembro)
- Branco/nulo/não vai votar: 17% (eram 15% em janeiro e dezembro)
O dado mais sensível está entre os eleitores independentes, grupo tradicionalmente decisivo em disputas de segundo turno. Em janeiro, Lula liderava esse segmento por 16 pontos (37% a 21%). Agora, a vantagem caiu para cinco pontos, com o presidente marcando 31% e Flávio 26%. A redução expressiva nesse grupo ajuda a explicar por que o cenário com o senador é o mais apertado da pesquisa.
Primeiro turno também aponta Flávio como principal opositor
Nos cenários de primeiro turno, Lula permanece à frente, com intenções de voto que variam entre 35% e 39%. Ainda assim, a pesquisa mostra consolidação de Flávio Bolsonaro como principal nome da oposição, com percentuais que oscilam entre 29% e 33%, à frente de outros potenciais adversários.
Esse posicionamento reforça a leitura de que a polarização, mesmo sem Jair Bolsonaro nas urnas, segue orbitando o sobrenome Bolsonaro, agora representado pelo filho mais velho no Senado.
Ausência de Tarcísio muda o tabuleiro
Um elemento novo desta rodada é a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, dos cenários testados. Trata-se da primeira pesquisa da Quaest sem o nome do governador entre os possíveis candidatos, após ele afirmar publicamente que pretende disputar a reeleição em 2026.
A retirada de Tarcísio reorganiza o campo oposicionista e abre espaço definitivo para Flávio Bolsonaro como principal antagonista de Lula no momento, segundo os dados captados.
Candidatura de Flávio está consolidada, aponta levantamento
A pesquisa também mediu o grau de conhecimento e aceitação da candidatura de Flávio Bolsonaro, lançada em dezembro com apoio explícito do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O resultado indica consolidação crescente:
- 69% dizem saber que Flávio recebeu o apoio do pai
- 44% afirmam que Jair Bolsonaro acertou ao indicar o filho como sucessor (eram 43% em janeiro e 36% em dezembro)
- 42% avaliam que o ex-presidente errou na indicação (eram 44% em janeiro e 54% em dezembro)
“Cada vez mais gente da direita e do bolsonarismo diz que Bolsonaro acertou ao indicar o filho para disputar a presidência. Eles se mostram mais convencidos sobre a indicação e passam a ter mais intenção de votar”, afirmou Felipe Nunes.
O movimento revela reacomodação do eleitorado conservador, com redução da rejeição interna e aumento da disposição para abraçar o nome de Flávio como herdeiro político.
Percepção sobre Lula segue dividida
Mesmo liderando todos os cenários testados, Lula enfrenta desgaste consistente na avaliação de governo, conforme já indicado em outros recortes da pesquisa. Segundo o levantamento:
- 57% acham que Lula não merece outro mandato
- 39% consideram que ele deve continuar como presidente
Além disso, 49% desaprovam o desempenho do presidente, contra 45% que aprovam, enquanto 43% dos entrevistados afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses. Esses números ajudam a explicar por que, apesar da liderança, o presidente não amplia suas margens no segundo turno.
Quando perguntados sobre cenários mais amplos, 55% acreditam que Lula venceria uma disputa contra alguém da família Bolsonaro, enquanto 35% apostam em um candidato de sobrenome Bolsonaro. Já em um cenário sem a família na disputa, 49% acham que Lula venceria, contra 40% que apostam em um nome da oposição.
Outros nomes testados no segundo turno
Além de Flávio Bolsonaro, a Quaest simulou disputas entre Lula e outros possíveis candidatos:
- Lula x Ratinho Jr. (PSD): 43% a 35%
- Lula x Ronaldo Caiado (União Brasil): 42% a 32%
- Lula x Romeu Zema (Novo): 43% a 32%
- Lula x Eduardo Leite (PSD): 42% a 28%
- Lula x Aldo Rebelo (Democracia Cristã): 44% a 25%
- Lula x Renan Santos (Missão): 44% a 25%
Em todos os cenários, o presidente mantém vantagem confortável, enquanto os percentuais de branco, nulo e abstenção permanecem elevados, variando entre 19% e 27%, o que indica alto grau de desengajamento ou incerteza do eleitorado.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

