STM autoriza ação que pode levar à perda da patente militar de Bolsonaro

O relator Carlos Vuyk de Aquino determinou o envio de ofícios ao Exército, à Marinha, à Aeronáutica e ao Ministério da Defesa, com ordem para apresentação dos documentos ou, na ausência deles, de certidão negativa formal.
Superior Tribunal Militar (STM)
Edifício-sede do STM, em Brasília

Resumo da Notícia

  • O STM autorizou diligências no processo que avalia a perda da patente de Jair Bolsonaro.
  • A decisão permite a coleta de documentos sobre a trajetória funcional e disciplinar do ex-presidente.
  • O relator, ministro Carlos Vuyk de Aquino, solicitou informações ao Exército, Marinha, Aeronáutica e Ministério da Defesa.
  • A defesa de Bolsonaro busca reunir prontuários, histórico disciplinar e avaliações de desempenho.
  • O processo no tribunal militar analisa a dignidade e compatibilidade do militar com o oficialato.
  • A ação foi movida pelo procurador-geral da Justiça Militar após condenação no STF.
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O Superior Tribunal Militar (STM) autorizou, nesta quarta-feira (22), a realização de diligências no processo que avalia se o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro deve ser declarado indigno ou incompatível com o oficialato. A medida foi tomada após pedido da defesa e abre a fase de coleta de documentos sobre a trajetória funcional e disciplinar do ex-capitão reformado do Exército.

Na decisão, o relator do caso, ministro Carlos Vuyk de Aquino, determinou o envio de ofícios ao Exército Brasileiro, à Marinha do Brasil, à Força Aérea Brasileira e ao Ministério da Defesa.

Os órgãos deverão encaminhar as informações solicitadas pela defesa. Caso os documentos não sejam localizados, a ordem é para que seja apresentada certidão negativa.

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O que a defesa pediu ao STM

Depois de ser citado no processo, Bolsonaro apresentou defesa escrita pedindo a expedição de ofícios para reunir documentação funcional e histórica de sua passagem pela carreira militar. Entre os materiais solicitados estão:

  • prontuário funcional;
  • histórico disciplinar;
  • avaliações de desempenho;
  • registros de condecorações;
  • informações sobre sua conduta após a passagem para a reserva.

Ao analisar o requerimento, o ministro entendeu que a solicitação encontra respaldo no Regimento Interno do STM, que assegura à defesa o direito de produzir provas documentais. Na avaliação do relator, os elementos requisitados podem contribuir para a análise das condições éticas e morais do oficial, ponto central desse tipo de julgamento.

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O que o STM vai analisar no processo

A ação em curso no STM não se confunde com o julgamento criminal já realizado pelo Supremo Tribunal Federal. No tribunal militar, a análise tem natureza específica: verificar se a conduta que levou à condenação compromete a dignidade ou a compatibilidade do militar com o oficialato.

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Pela legislação, oficiais condenados a penas superiores a dois anos podem ser submetidos a esse tipo de avaliação. Se o tribunal concluir que há incompatibilidade com os valores exigidos da carreira militar, o processo pode resultar na perda do posto e da patente.

A representação foi proposta pelo procurador-geral da Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, com base na condenação do ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Penal 2.668/DF, ocorrido em setembro de 2025.

Naquela ocasião, Bolsonaro foi condenado a pena superior a 27 anos de prisão por diversos crimes previstos na legislação penal brasileira. Foi a partir dessa condenação que se abriu a possibilidade de exame, no STM, sobre a permanência ou não de sua condição vinculada ao oficialato.

O que acontece agora

Com a autorização das diligências, o processo entra na etapa de produção de provas documentais. Depois que os órgãos acionados responderem aos ofícios, a defesa ainda poderá se manifestar novamente antes do prosseguimento do julgamento.

A ação segue tramitando no STM e integra um dos desdobramentos jurídicos da condenação penal do ex-presidente. O número do processo é Representação para Declaração de Indignidade/Incompatibilidade nº 7000041-44.2026.7.00.0000/DF.

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