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STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão

O placar foi 4 a 0, com voto do relator Alexandre de Moraes seguido por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino; ainda cabe recurso.
Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro - Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

Resumo da Notícia

  • A Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto por coação no curso do processo.
  • A decisão foi unânime (4 a 0) e ainda cabe recurso, incluindo inelegibilidade por oito anos e perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.
  • A acusação da PGR alegou que Eduardo Bolsonaro pressionou os Estados Unidos a adotar medidas contra o Brasil, como o "tarifaço" e a revogação de vistos, para evitar a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, na trama golpista.
  • O ministro relator Alexandre de Moraes afirmou que Eduardo Bolsonaro levou desinformação ao governo norte-americano e prejudicou o Brasil.
  • A defesa de Eduardo Bolsonaro, feita pela DPU, argumentou que ele não tinha poder de decisão sobre a política externa dos EUA e que sua atuação foi apenas uma "interlocução política".

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta terça-feira (16), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A decisão foi tomada por unanimidade, com placar de 4 votos a 0, e ainda cabe recurso.

Além da pena de prisão, o colegiado também determinou oito anos de inelegibilidade e a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal. O julgamento analisou a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que atribuiu a Eduardo uma atuação para pressionar o Brasil a partir de medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Para a PGR, o ex-deputado articulou o chamado tarifaço norte-americano contra exportações brasileiras com o objetivo de tentar evitar a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista. A Corte também considerou, dentro desse mesmo contexto, a revogação de vistos de ministros do STF e do governo federal, além da aplicação de sanções econômicas da Lei Magnitsky.

Por que Eduardo Bolsonaro foi condenado?

A acusação sustentou que as ameaças atribuídas a Eduardo Bolsonaro ocorreram durante a tramitação do processo da trama golpista e teriam sido concretizadas por meio de medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

Durante o julgamento, a acusação foi lida pelo subprocurador-geral da República Antônio Edilio Magalhães Teixeira, que defendeu a condenação do ex-deputado.

Segundo o subprocurador, as ações envolveram o tarifaço, a suspensão dos vistos de oito dos 11 ministros do STF e as sanções econômicas baseadas na Lei Magnitsky. Para a acusação, essas medidas tinham como finalidade interferir no andamento do processo que envolvia Jair Bolsonaro.

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O entendimento foi acolhido pela Primeira Turma. O relator, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que Eduardo levou desinformação ao governo norte-americano e prejudicou o Brasil. Ainda segundo Moraes, as ações não impediram a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.

A defesa de Eduardo Bolsonaro foi feita pela Defensoria Pública da União (DPU). Na sustentação, o defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho afirmou que o ex-deputado não teve poder para determinar medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos.

Eduardo não teve poder decisão sobre a política externa dos Estados Unidos, não integra o governo norte-americano e não exerce função pública naquele país”, afirmou.

A defesa classificou a atuação de Eduardo como “interlocução política” e negou que ele tivesse ingerência direta sobre decisões do presidente Donald Trump contra o Brasil.

Votação foi unânime na Primeira Turma

O placar de 4 a 0 foi formado a partir do voto do relator, ministro Alexandre de Moraes. Acompanharam o entendimento os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

Com isso, a Primeira Turma concluiu que havia elementos suficientes para condenar Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. A decisão, no entanto, ainda pode ser contestada por meio de recurso.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o ano passado. Nesse período, perdeu o mandato parlamentar por faltas às sessões da Câmara dos Deputados.

A permanência no exterior também cria um obstáculo prático para o cumprimento imediato da pena. Como o ex-deputado está fora do Brasil e é aliado do presidente Donald Trump, a notificação para execução da condenação dificilmente seria cumprida pelo governo norte-americano.

Mesmo assim, a condenação produz efeitos políticos e funcionais, como a inelegibilidade por oito anos e a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal, conforme definido no julgamento.

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