Resumo da Notícia
A movimentação nas redes sociais do senador Romário (PL-RJ), registrada até as primeiras horas desta sexta-feira (8), foi suficiente para gerar forte reação em setores ligados ao bolsonarismo. O ex-jogador apagou todas as publicações em que aparecia ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e deixou de segui-lo no Instagram, eliminando registros que marcaram a aliança entre os dois na campanha de 2022, quando o senador foi reeleito com apoio explícito do então presidente.
O gesto, embora não acompanhado de uma declaração oficial, ocorre após um período de distanciamento nos bastidores. Aliados relatam que Romário vem adotando posicionamentos mais próximos ao centrão e até a setores simpáticos ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem trocou elogios recentemente.
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Esse possível reposicionamento político é interpretado como movimento estratégico para as eleições de 2026, ainda que represente um rompimento simbólico com o núcleo conservador que o apoiou.
Repercussão e acusações de “traição”
A reação de páginas e perfis ligados ao bolsonarismo foi imediata. Críticas e ataques ao senador se espalharam, com parte da militância chamando-o de “traidor” e pedindo que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, avalie sua permanência no partido.
A insatisfação é alimentada não apenas pela mudança nas redes sociais, mas também pelo comportamento recente no Congresso, onde Romário evitou apoiar pautas defendidas por Bolsonaro, como o pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Pressão de aliados conservadores
A ausência da assinatura de Romário nesse pedido resultou em críticas diretas de nomes influentes do campo conservador. O pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, enviou uma mensagem dura pelo WhatsApp:
“QUE DECEPÇÃO! Lhe apoiei nas eleições, influenciei evangélicos a votarem em você e agora você se omite nessa hora fundamental da nossa nação. Não posso acreditar! O cara que é corajoso para falar o que pensa se omite diante da vergonhosa perseguição do ditador Alexandre de Moraes.”
Segundo o portal Metrópoles, Romário não respondeu à mensagem. Malafaia afirmou que, caso o senador não mude de postura, fará campanha contra ele na próxima eleição ao Senado:
“Sempre admirei Romário porque ele é combativo, não tem medo de nada. Por que agora está omisso, calado? Como pode se omitir diante de uma situação assim, mesmo sendo filiado ao PL? Covardia.”
A pressão não veio apenas de lideranças religiosas. O vereador Jair Renan Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, também usou as redes sociais para cobrar uma posição:
“E aí, Romário? Vai continuar vivendo do gol de 94 ou vai mostrar que também sabe jogar pelo povo? O impeachment do Moraes é sua chance de brilhar de novo.”
Essas declarações reforçam que, além de um possível afastamento estratégico, Romário agora enfrenta um desgaste político com a base bolsonarista, que foi fundamental para sua vitória em 2022. Embora a exclusão das fotos e o unfollow tenham caráter simbólico, o impacto político é evidente e pode influenciar seu futuro no partido e no cenário eleitoral.
Até o momento, o senador não se manifestou publicamente sobre as mudanças em seu perfil ou sobre as críticas que vem recebendo, mantendo o silêncio diante da crise com antigos aliados.
