Relator da CPI do Crime Organizado pede indiciamento de ministros do STF e de Paulo Gonet

O texto final da CPI será votado nesta terça-feira (14/4). Comissão investigou a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas.
senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) - Crédito: © Geraldo Magela/Agência Senado

Resumo da Notícia

  • O relatório final da CPI do Crime Organizado pede o indiciamento de quatro autoridades: ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
  • O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou o documento que aponta condutas incompatíveis com o exercício das funções.
  • Para Alexandre de Moraes, o relatório cita suposta atuação em processos com impedimento e interferência nas investigações da CPI.
  • Dias Toffoli é citado por decisões que indicariam conflito de interesses, enquanto Gilmar Mendes é mencionado por medidas que teriam comprometido apurações.
  • Paulo Gonet é apontado por suposta omissão diante de indícios relevantes.
  • O documento também aborda o caso Master, com movimentações bilionárias suspeitas e uso de fintechs e criptomoedas para ocultação de recursos.
  • A CPI traça um diagnóstico sobre o avanço do crime organizado no Brasil, com sugestões de medidas legislativas e estruturais, como a criação de um Ministério da Segurança Pública.
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O relatório final da CPI do Crime Organizado pede o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O documento foi apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e será analisado e votado nesta terça-feira (14/4). Embora a comissão tenha sido instalada para apurar a atuação do crime organizado no país, o texto não propõe o indiciamento de outros investigados além dessas quatro autoridades.

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O ponto mais sensível do documento está justamente no alvo escolhido pelo relator. Segundo o texto final, Toffoli, Moraes, Gilmar Mendes e Paulo Gonet teriam adotado condutas consideradas incompatíveis com o exercício de suas funções, razão pela qual seus nomes foram incluídos entre os responsabilizados.

A escolha chama atenção porque a CPI foi aberta para investigar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no Brasil, mas o relatório final concentrou o pedido de indiciamento em quatro autoridades da cúpula institucional do país.

O que o documento aponta sobre Moraes, Toffoli, Gilmar Mendes e Paulo Gonet

No caso de Alexandre de Moraes, o relatório menciona suposta atuação em processos nos quais haveria impedimento, além de possível interferência para restringir o alcance das investigações da CPI.

Em relação a Dias Toffoli, o documento cita decisões em situações que indicariam conflito de interesses.

Sobre Gilmar Mendes, o texto afirma que houve medidas que teriam comprometido apurações.

Já em relação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a comissão aponta suposta omissão diante de indícios considerados relevantes.

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Ao comentar o conteúdo do relatório, Alessandro Vieira destacou em postagem na rede social X que diante do diagnóstico da situação gravíssima do Rio de Janeiro, foi sugerida nova intervenção federal na Segurança Pública daquele estado, em formato diverso do empregado em 2018.

O documento também trata do chamado caso Master. Nesse ponto, a linha adotada pelo relator não foi propor uma apuração fechada dentro da própria CPI, mas registrar os fatos encontrados e defender desdobramentos específicos. Segundo Alessandro Vieira, a opção foi relatar os fatos identificados, que deverão ser objeto de CPI própria e já são objeto de investigações da Polícia Federal, ‘no que se refere a crimes comuns, e fazer o indiciamento de autoridades pela prática de crimes de responsabilidade’.

Ainda sobre esse núcleo, o relatório menciona movimentações bilionárias suspeitas e o uso de mecanismos sofisticados, como fintechs, criptomoedas e fundos de investimento, para ocultação de recursos ilícitos.

O que a CPI diz sobre a presença do crime organizado no Brasil

Além do embate institucional provocado pelo pedido de indiciamento, o relatório traça um diagnóstico amplo sobre o avanço das organizações criminosas no país. Segundo Alessandro Vieira, o documento mostra a infiltração dessas estruturas em setores econômicos e também no próprio Estado.

A CPI identificou a atuação de cerca de 90 organizações criminosas, com presença em 24 estados e no Distrito Federal. O relatório ainda estima que 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sob influência dessas estruturas.

O documento sugere uma série de medidas para reforçar o combate ao crime organizado. Entre elas estão mudanças legislativas, ampliação de instrumentos de bloqueio de ativos, aumento de penas para lavagem de dinheiro e maior transparência financeira.

O relatório também propõe medidas estruturais, como a criação de um Ministério da Segurança Pública e maior integração entre órgãos de inteligência.

Ao fim da tramitação na comissão, o texto será encaminhado às autoridades competentes e, segundo a própria formulação do relatório, deverá servir de base para políticas públicas voltadas à segurança no país.

Como a CPI foi formada e o que investigou

A comissão foi instalada em novembro de 2025 e investigou a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no Brasil. Ao longo dos trabalhos, foram ouvidas autoridades federais, governadores, especialistas e representantes das forças de segurança.

As apurações incluíram temas como lavagem de dinheiro, infiltração em setores econômicos e falhas na integração entre órgãos de inteligência e repressão.

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