Resumo da Notícia
A corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026 deixou o campo das especulações e entrou oficialmente no terreno da pré-campanha. Três nomes já se colocaram publicamente como postulantes ao cargo máximo do Executivo estadual, cada um representando campos políticos distintos e estratégias bem delimitadas.
A confirmação mais recente veio do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que anunciou sua pré-candidatura em Natal, ampliando um tabuleiro que já contava com Álvaro Dias e Cadu Xavier.
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Mais do que uma simples lista de nomes, o cenário revela uma disputa marcada por projetos políticos antagônicos, diferentes níveis de experiência eleitoral e tensões que já atravessam investigações, alianças e sucessões municipais. A eleição ainda está distante no calendário, mas claramente já começou no discurso, nos movimentos e nos bastidores.
Allyson Bezerra entra no jogo estadual com discurso de solução e vitrine municipal
A entrada de Allyson Bezerra na disputa estadual ocorre num momento estratégico. Aos 33 anos, o prefeito de Mossoró tenta capitalizar uma reeleição expressiva em 2024, quando obteve mais de 78% dos votos, e transformar sua gestão municipal em plataforma para um voo mais alto. Engenheiro civil, servidor da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) e ex-deputado estadual, Allyson passou a ser tratado como um nome viável ao governo a partir do desempenho eleitoral recente.
Durante a coletiva em Natal, ele adotou um discurso cuidadosamente construído para além da retórica tradicional. “Hoje a gente está aqui para dizer sim a esse projeto de pré-candidatura, para dizer sim a essa missão de rodar o Rio Grande do Norte, poder chegar para as pessoas, de conversar, dialogar, entender o que as pessoas estão vivendo, conhecer as problemáticas, mas principalmente esse é um projeto para falar de solução. A gente não aguenta mais apenas a classe política discutindo problema. A gente quer discutir solução para o Rio Grande do Norte”, afirmou.
Politicamente, Allyson tenta ocupar o espaço do gestor jovem, técnico e pragmático, mas sua pré-candidatura já nasce sob tensão. Na última semana, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União que investiga suposto desvio de recursos federais da saúde na compra de medicamentos em municípios do RN. Um dos mandados foi cumprido em sua residência, com apreensão de celular, notebook e HDs. O prefeito negou qualquer irregularidade, mas o episódio tende a acompanhar sua trajetória no debate público.
No campo das alianças, Allyson anunciou o deputado estadual Hermano Morais como pré-candidato a vice, movimento que inclui a saída de Hermano do PV para o MDB, sinalizando uma articulação mais ampla com o centro político.
Álvaro Dias aposta na experiência e no campo conservador
Com um perfil oposto ao de Allyson, Álvaro Dias se apresenta como o nome da experiência e da direita potiguar. Médico, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Natal, Álvaro tem 66 anos e carrega no currículo a condução da capital em dois momentos decisivos. Ele assumiu a prefeitura em 2018 após a renúncia de Carlos Eduardo e foi reeleito em 2020 com 56,58% dos votos válidos.
Sua pré-candidatura foi oficializada em janeiro, dentro do grupo político mais alinhado ao bolsonarismo, após o senador Rogério Marinho desistir da disputa estadual para se dedicar à campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência. O gesto consolidou Álvaro como o principal nome da oposição ao atual governo estadual.
Em 2024, Álvaro mostrou força ao eleger seu sucessor em Natal, o então deputado federal Paulinho Freire, mesmo pertencendo a um partido que também abriga Allyson Bezerra. Paulinho, no entanto, já declarou apoio a Álvaro, reforçando o rompimento prático entre os dois projetos. A campanha municipal rendeu ainda um processo do Ministério Público contra Álvaro e Paulinho, por suspeitas como abuso de poder, episódio que também deve ser explorado no debate eleitoral.
Álvaro já anunciou como pré-candidato a vice Babá Pereira, presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), numa clara tentativa de ampliar sua base no interior.
Cadu Xavier surge como aposta do governismo e da continuidade administrativa
No campo governista, o nome apresentado é o de Cadu Xavier. Engenheiro de computação, auditor fiscal e atual secretário estadual de Fazenda, Cadu tem 46 anos e nunca disputou um cargo eletivo. Ainda assim, tornou-se o escolhido do PT para tentar dar continuidade ao projeto político da governadora Fátima Bezerra.
A confirmação veio após o vice-governador Walter Alves anunciar que não assumirá o governo caso Fátima renuncie em abril para disputar o Senado. Desde 2019, Cadu ocupa cargos estratégicos na gestão estadual, o que o credencia como o nome da continuidade técnica e administrativa, mas também o expõe diretamente às críticas acumuladas ao governo.
Entre os três pré-candidatos, ele foi o único a admitir publicamente a possibilidade de disputar o cargo de governador interino em eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa, caso governadora e vice renunciem. O PT ainda não anunciou um nome para a vice, o que indica que a chapa governista segue em construção.



