Resumo da Notícia
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), mostra pela primeira vez Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em um cenário de segundo turno para a eleição presidencial de 2026. O senador aparece com 42%, contra 40% do petista.
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o quadro segue em empate técnico. No primeiro turno, porém, Lula ainda lidera, com 37%, enquanto Flávio marca 32%. Um cenário semelhante já havia sido apontado pelo Datafolha em levantamento divulgado no último sábado (11).
O dado mais relevante da rodada é a trajetória desse confronto direto. Em agosto do ano passado, Lula tinha 48%, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Em dezembro, a diferença caiu para dez pontos. Em janeiro, recuou para sete. Em fevereiro, foi a cinco pontos. Em março, os dois apareceram com 41% cada. Agora, em abril, Flávio chega a 42% e Lula fica em 40%.
A leitura do instituto, dentro dos próprios números divulgados, é que Flávio se consolidou como o adversário mais competitivo de Lula entre os nomes testados. Ele é o único que chega ao limite da margem de erro contra o presidente e também o único que o ultrapassa numericamente em um cenário de segundo turno.
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Como ficaram os principais cenários testados
No cenário principal de 2º turno, a pesquisa registrou:
- Lula: 40%
- Flávio Bolsonaro: 42%
- Indecisos: 2%
- Brancos, nulos ou eleitores que dizem não votar: 16%
Nos demais confrontos de segundo turno, Lula aparece à frente:
- Lula 43% x 36% Romeu Zema
- Lula 43% x 35% Ronaldo Caiado
- Lula 44% x 24% Renan Santos
- Lula 44% x 23% Augusto Cury
Em março, Lula e Flávio apareciam empatados em 41% a 41%. A pesquisa Meio/Ideia também apontou um empate técnico entre os dois em um possível segundo turno.
No cenário de 1º turno, os números divulgados foram:
- Lula (PT): 37%
- Flávio Bolsonaro (PL): 32%
- Ronaldo Caiado (PSD): 6%
- Romeu Zema (Novo): 3%
- Augusto Cury (Avante): 2%
- Renan Santos (Missão): 2%
Aprovação, avaliação do governo e ambiente político
A pesquisa também traz indicadores de avaliação do governo e do ambiente político. Na aprovação da gestão, 52% desaprovam Lula, enquanto 43% aprovam.
Na avaliação do governo, 42% consideram a gestão negativa, 31% a classificam como positiva e 26% a veem como regular.
O levantamento também mediu a percepção de polarização. Segundo a Quaest, 43% dizem temer mais a volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% afirmam temer mais a permanência de Lula.
Outro dado relevante é o de continuidade no cargo. A pesquisa aponta que 59% dizem que Lula não merece continuar por mais quatro anos, enquanto 38% defendem um novo mandato.
Economia pesa no cenário captado pela pesquisa
Os números divulgados indicam um ambiente de desgaste para o governo, com peso importante da percepção econômica. Segundo o levantamento, 50% avaliam que a economia piorou. A pressão sobre os preços também aparece com força: 72% dizem que os alimentos subiram no último mês, e 71% afirmam que o poder de compra diminuiu em relação a um ano atrás.
Além disso, 53% consideram que está mais difícil conseguir emprego hoje do que há um ano. No quadro geral do país, 58% veem o Brasil na direção errada, contra 34% que enxergam a direção certa.
Onde Lula e Flávio aparecem mais fortes
Os recortes da pesquisa mostram uma divisão nítida do eleitorado. Lula continua mais forte no Nordeste e entre eleitores de menor renda. Flávio Bolsonaro, por sua vez, aparece mais forte no Sul, entre evangélicos, entre eleitores de renda mais alta e nos segmentos mais alinhados à direita e ao bolsonarismo. Flávio domina entre evangélicos e homens, enquanto Lula cresce entre mulheres e católicos.
Esse desenho ajuda a explicar por que o senador aparece como o nome mais competitivo contra o presidente entre os cenários testados. Enquanto Lula mantém liderança no primeiro turno e vantagem sobre a maioria dos adversários em simulações de segundo turno, Flávio é o único que encurta a disputa até o limite da margem e agora surge numericamente à frente.
O quanto o eleitorado diz já estar decidido
A Quaest também mediu o grau de definição do voto. Segundo o levantamento, 57% afirmam que a escolha é definitiva, enquanto 43% admitem que ainda podem mudar de ideia.
Esse dado indica que, embora a pesquisa já mostre posições relevantes no tabuleiro de 2026, ainda existe uma parcela expressiva do eleitorado aberta a mudanças até a eleição.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais, entre os dias 9 e 13 de abril. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e foi registrada no TSE sob o número BR-09285/2026.
