A bancada do PDT na Câmara dos Deputados anunciou, nesta terça-feira (6), o rompimento com a base de apoio ao governo Lula, um movimento que ocorre na esteira da demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. A decisão, que envolve os 17 deputados federais do partido, foi comunicada após uma reunião em Brasília.
O líder do PDT na Câmara, deputado Mário Heringer (MG), destacou que a legenda não se juntará à oposição, optando por se posicionar como independente. Heringer esclareceu que a saída não é uma retaliação direta à saída de Lupi, mas sim o culminar de uma série de insatisfações. “Esse problema de relacionamento com o governo já vem há muito tempo“, declarou o deputado, complementando que a fraude no INSS foi o “pingo d’água que faltava”.
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A crise que culminou na saída de Lupi e, agora, no afastamento do PDT da base governista, teve como estopim a deflagração de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados do INSS.
As investigações apontam que as irregularidades tiveram início em 2019 e persistiram nos anos seguintes. O caso resultou na exoneração do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e no afastamento de outros dirigentes da autarquia e de um policial federal. Gilberto Waller Júnior assumiu a presidência do INSS após a exoneração.
A PF informou ter detectado indícios de irregularidades em parte dos R$ 6,3 bilhões movimentados com a cobrança das mensalidades associativas entre 2019 e 2024.
Repercussão no Senado
Enquanto a decisão na Câmara parece consolidada, no Senado, o cenário é de cautela. O líder da bancada do PDT, Weverton Rocha (MA), avalia que seguir o mesmo caminho da Câmara seria “um desembarque mais difícil“. Rocha pretende discutir o assunto com as senadoras Ana Paula Lobato (MA) e Leila Barros (DF), que também compõem a bancada do PDT no Senado.
Com a saída de Carlos Lupi, o ex-deputado federal Wolney Queiroz, também do PDT, assumiu o comando do Ministério da Previdência. Queiroz ocupava o cargo de secretário executivo da pasta.
