Resumo da Notícia
O debate político em Natal voltou a ganhar tensão após o prefeito Paulinho Freire (União Brasil) afirmar publicamente que a deputada federal Natália Bonavides (PT) não destinou recursos de emendas parlamentares para obras de infraestrutura na Zona Norte da capital potiguar, mesmo tendo, segundo ele, movimentado mais de R$ 500 milhões ao longo de oito anos de mandato em Brasília. A crítica foi feita em vídeo divulgado nas redes sociais na noite de quinta-feira (12) e elevou o tom do embate entre os dois adversários políticos.
Logo no início da gravação, Paulinho adotou um discurso direto e cobrou explicações da parlamentar. “A senhora, durante oito anos, teve mais de R$ 500 milhões de emendas, entre emendas individuais, emendas de bancada e emendas de comissão. Me diga uma emenda que a senhora botou para a infraestrutura da Zona Norte”, afirmou. A fala foi apresentada como uma cobrança vinculada ao momento crítico vivido por moradores da região, especialmente no bairro Jardim Primavera.
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O prefeito também criticou a postura da deputada diante dos alagamentos que atingem a área desde a semana passada, após o transbordamento de uma lagoa de captação. Para ele, a visita de Natália ao local teve viés político. “Não queira se aproveitar da dor do povo”, disse, antes de classificar a presença da parlamentar como “proselitismo político” e “demagogia”.
Confira:
Em outro momento da gravação, Paulinho relembrou o apoio nacional recebido por Natália durante a campanha municipal de 2024, quando os dois se enfrentaram no segundo turno, com vitória do atual prefeito. Segundo ele, a deputada deveria usar o espaço político que possui em Brasília para garantir recursos concretos para Natal. “Deputada, a senhora teve no segundo turno quase 10 ministros aqui na nossa cidade. A senhora teve a presença do presidente Lula, que é presidente do seu partido, e a senhora não traz uma solução”, declarou, citando o chefe do Executivo federal.
Na sequência, o prefeito fez questão de diferenciar a postura da deputada da atuação institucional do Governo do Estado. “Diferente de você, a governadora Fátima ligou, prestando solidariedade, perguntando o que a prefeitura precisava, botando os serviços do governo à disposição”, afirmou, mencionando a governadora Fátima Bezerra como exemplo de diálogo entre entes federativos em momentos de crise.
Paulinho também buscou deslocar o debate do campo eleitoral para o administrativo. “Saia do palanque, desça do palanque. A campanha acabou, a senhora perdeu. Se junte a nós, venha ajudar a Natal. Vamos pensar na nossa cidade, esquecer as questões políticas”, disse. Em seguida, relembrou uma proposta feita ainda durante o período eleitoral: que Natália se comprometesse a enviar R$ 20 milhões em emendas para a capital ao longo de um ano. “A senhora não pode trabalhar só para quem votou na senhora. A senhora trabalhe para todos de Natal, assim como eu faço”, concluiu.
Reação da deputada
A resposta de Natália Bonavides veio horas depois, também por meio de vídeo publicado nas redes sociais. Nas imagens, a deputada aparece ao lado do ex-vereador Milklei Leite, durante visita ao Jardim Primavera. Segundo ela, o objetivo era acompanhar a distribuição de alimentos às famílias atingidas pelos alagamentos.
Enquanto gravava, Natália afirmou que ainda não havia assistido ao vídeo do prefeito. “Quando acabar, eu peço para alguém me mandar o vídeo, porque Paulinho Freire me bloqueou no Instagram. Eu só ouvi dizer que era outro vídeo de estúdio. Estamos aqui”, declarou.
Na legenda da publicação, reforçou a crítica ao prefeito e afirmou que a prioridade, naquele momento, era prestar auxílio às vítimas. “Gente, o prefeito está com tempo para gravar vídeo, mas para visitar as pessoas atingidas pelos alagamentos ele não tem. Estou aqui fazendo o que ele deveria estar. Depois respondo como ele merece. O foco agora é ajudar o pessoal que perdeu tudo”, escreveu.
O episódio amplia o embate político entre Executivo municipal e representantes da bancada federal do Rio Grande do Norte, colocando em evidência o uso de emendas parlamentares, a resposta a desastres urbanos e o limite entre atuação institucional e disputa política. Em meio à crise provocada pelas chuvas, o confronto verbal expõe uma cobrança pública por resultados concretos.
