Resumo da Notícia
A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), mostra que o governo do Presidente Lula permanece preso a um cenário de divisão praticamente imutável. Segundo o levantamento, 49% dos brasileiros desaprovam o trabalho do presidente, enquanto 45% aprovam.
Outros 6% não souberam ou não responderam. Os números indicam um empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, e confirmam uma tendência que vem se repetindo desde o último trimestre do ano passado.
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O dado central da pesquisa não está apenas na fotografia do momento, mas na estagnação do quadro político. Desde outubro, a desaprovação oscila sempre em torno de 49% ou 50%, enquanto a aprovação perdeu fôlego e recuou gradualmente, saindo de 48% em outubro para os atuais 45%. O país, portanto, segue dividido quase ao meio, sem sinais claros de virada no curto prazo.
Aprovação cai, desaprovação se mantém estável
O histórico recente ajuda a entender o momento atual do governo. Em outubro, a desaprovação estava em 49%; em novembro, subiu levemente para 50%; em dezembro e janeiro, voltou a 49% e agora se mantém exatamente nesse patamar. A aprovação, por sua vez, apresentou uma trajetória de queda: 48% em outubro, 47% em novembro, 48% em dezembro, 47% em janeiro e, agora, 45%.
Esse movimento reforça a leitura de desgaste gradual, mais perceptível na aprovação do que na rejeição. Não há uma explosão de desaprovação, mas sim uma erosão lenta do apoio, o que, politicamente, costuma ser mais difícil de reverter.
Evolução histórica da aprovação e desaprovação
A série histórica da pesquisa mostra como o cenário mudou desde o início do atual mandato. Em 2023, Lula chegou a registrar níveis de aprovação acima de 60% em alguns momentos. Esse capital político, no entanto, foi se reduzindo ao longo de 2024 e, principalmente, de 2025, quando a desaprovação passou a superar a aprovação por margens mais amplas em alguns meses.
| Ano | Mês | Aprova (%) | Desaprova (%) | Não sabe / Não respondeu (%) |
|---|---|---|---|---|
| 2023 | 2 | 56 | 28 | 16 |
| 2023 | 4 | 51 | 42 | 6 |
| 2023 | 6 | 56 | 40 | 4 |
| 2023 | 8 | 60 | 35 | 5 |
| 2023 | 10 | 54 | 42 | 4 |
| 2023 | 12 | 54 | 43 | 3 |
| 2024 | 2 | 51 | 46 | 3 |
| 2024 | 5 | 50 | 47 | 2 |
| 2024 | 7 | 54 | 43 | 3 |
| 2024 | 10 | 51 | 45 | 4 |
| 2024 | 12 | 52 | 47 | 1 |
| 2025 | 1 | 49 | 49 | 4 |
| 2025 | 3 | 41 | 56 | 3 |
| 2025 | 5 | 40 | 57 | 3 |
| 2025 | 7 | 43 | 53 | 4 |
| 2025 | 8 | 46 | 51 | 3 |
| 2025 | 9 | 48 | 49 | 3 |
| 2025 | 10 | 48 | 50 | 3 |
| 2025 | 11 | 47 | 49 | 3 |
| 2026 | 2 | 45 | 49 | 6 |
Os dados deixam claro que entre março e maio de 2025 o governo enfrentou seu momento mais crítico, quando a desaprovação chegou a 57% e a aprovação caiu para 40%. Desde então, houve alguma recuperação, mas insuficiente para recolocar Lula em um patamar confortável.
Base fiel resiste, mas há desgaste em grupos estratégicos
A pesquisa mostra que a aprovação segue muito alta entre os eleitores que se declaram lulistas, com 96% aprovando o governo e apenas 3% desaprovando. Entre os eleitores de esquerda que não se consideram lulistas, a aprovação também permanece elevada, em 82%, contra 15% de desaprovação. Ainda assim, esse grupo registrou uma queda de quatro pontos percentuais em relação a janeiro, quando a aprovação era de 86%.
Outro dado relevante aparece no Nordeste, região historicamente favorável a Lula. Ali, a aprovação caiu de 67% em janeiro para 61% agora, sinalizando que até mesmo o principal reduto eleitoral do presidente começa a apresentar sinais de desgaste.
Em sentido oposto, a desaprovação avançou de forma mais expressiva entre os brasileiros com Ensino Superior. Nesse grupo, o índice subiu de 54% em janeiro para 62% na pesquisa atual, reforçando a percepção de que o governo enfrenta maior resistência entre eleitores com maior escolaridade.
“Patamar de divisão fixo”, diz diretor da Quaest
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o dado mais relevante do levantamento é a cristalização dessa divisão. “A divisão do país aparece também na aprovação do governo. Hoje, 49% desaprovam o governo Lula, enquanto 45% aprovam o trabalho feito por ele. Esse patamar de divisão está fixo desde out/25”, afirmou.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Avaliação geral do governo segue negativa
Além da aprovação pessoal do presidente, a pesquisa também mediu a avaliação geral do governo. Os resultados mostram um quadro igualmente desafiador: 39% consideram o governo negativo, 33% avaliam como positivo e 26% classificam como regular. Outros 2% não souberam ou não responderam.
Os números praticamente repetem os de janeiro e dezembro, reforçando a ideia de imobilidade política. Não há melhora consistente na percepção geral da gestão, tampouco um agravamento abrupto.
Lula merece continuar por mais quatro anos?
Quando questionados se Lula merece continuar na presidência por mais quatro anos, a maioria dos entrevistados respondeu negativamente. 57% disseram “não”, enquanto 39% afirmaram que “sim”. Outros 4% não souberam ou não responderam.
Esse dado é particularmente sensível do ponto de vista político, pois indica que, mesmo com recuperação parcial da aprovação em relação ao pior momento de 2025, a rejeição à continuidade do projeto ainda é majoritária.
Economia pesa na avaliação do governo
A percepção sobre a economia ajuda a explicar parte desse cenário. Para 43% dos entrevistados, a economia piorou nos últimos 12 meses. Apenas 24% avaliam que melhorou, enquanto 30% acreditam que ficou do mesmo jeito.
Quando o olhar se volta para o futuro, há um misto de expectativa e cautela. 43% acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses, mas 29% acham que vai piorar, e 24% acreditam que ficará como está. Esses números mostram que, embora exista alguma esperança, o otimismo perdeu força em comparação com pesquisas anteriores.
O retrato desenhado pela Quaest é o de um governo sem gordura política. Lula governa um país dividido, com base fiel, mas limitada, e enfrenta desgaste em segmentos-chave do eleitorado. A estabilidade da desaprovação e a queda gradual da aprovação indicam que qualquer erro tende a ter impacto imediato, enquanto avanços podem levar mais tempo para se refletir nos números.
