Moraes suspende lei que poderia reduzir pena de Bolsonaro e condenados pelo 8 de janeiro

Moraes afirmou que as ADIs 7966 e 7967 criaram um fato processual novo e relevante, exigindo suspensão por segurança jurídica.
Alexandre de Moraes, ministro do STF
Alexandre de Moraes, ministro do STF - © Gustavo Moreno/STF

Resumo da Notícia

  • Ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria.
  • A decisão impede, por ora, a redução de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro.
  • A lei, aprovada em 2025, poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados.
  • A Lei da Dosimetria é questionada no STF por Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs).
  • Moraes argumentou a necessidade de segurança jurídica até a definição da constitucionalidade da lei.
  • A execução penal dos condenados continuará sem alterações imediatas.
  • Pelo menos 10 condenados já haviam solicitado revisão de suas sentenças com base na nova lei.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria até que a Corte julgue ações que questionam a constitucionalidade do texto. A decisão interrompe, por ora, o uso da nova legislação em pedidos de redução de pena de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

A lei foi aprovada em 2025 e promulgada na semana passada pelo Congresso Nacional, depois da derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto abre caminho para a revisão de penas impostas a condenados pelo 8 de janeiro, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão.

Moraes afirmou que não poderia iniciar a análise dos pedidos de redução de pena com base na nova legislação enquanto tramitam no STF ações que discutem a validade constitucional do texto.

A Lei da Dosimetria é questionada em duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade: as ADIs 7966 e 7967, ajuizadas na sexta-feira (8) pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação partidária PSOL-Rede.

Na decisão, o ministro escreveu:

A superveniência de interposição de ação direta de inconstitucionalidade e, consequentemente a pendência de julgamento em controle concentrado de constitucionalidade, configura fato processual novo e relevante, que poderá influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela Defesa, recomendando a suspensão da aplicação da lei, por segurança jurídica, até definição da controvérsia pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL”.

Com isso, os pedidos baseados na nova regra ficam suspensos até que o Supremo defina se a lei é ou não constitucional.

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Execução das penas continua

Além de suspender a aplicação da lei, Moraes determinou que a execução penal deve seguir integralmente, com manutenção de todas as medidas já definidas anteriormente.

Na prática, isso significa que a nova regra não poderá ser usada, neste momento, para alterar o cumprimento das penas dos condenados pelo 8 de janeiro.

Segundo o portal G1, pelo menos 10 condenados já acionaram o Supremo para pedir revisão de suas sentenças com base na Lei da Dosimetria. Agora, esses pedidos terão de aguardar o julgamento das ações contra a medida no STF.

Como a Lei da Dosimetria poderia afetar Bolsonaro?

A Lei da Dosimetria permite que o crime de tentativa de golpe de Estado absorva o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, delitos pelos quais Bolsonaro foi condenado pelo STF.

Além disso, o texto facilita a progressão de regime. Pelas regras anteriores, o ex-presidente teria de cumprir cerca de sete anos em regime fechado antes de avançar para o semiaberto. Com a nova legislação, essa progressão poderia ocorrer em menos de quatro anos.

A suspensão determinada por Moraes impede que essa mudança seja aplicada antes de uma posição definitiva do Supremo sobre a constitucionalidade da lei.

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