Lula pede a Trump fim da tarifa de 50% e retoma negociações diretas com EUA
Essa aproximação é vista como uma tentativa de fortalecer os laços bilaterais após recentes divergências.
Resumo da Notícia
- Lula e Trump conversaram por 30 minutos em videoconferência nesta segunda-feira (6), retomando um canal direto de diálogo e reforçando a boa relação construída em encontro recente na Assembleia Geral da ONU.
- O presidente brasileiro solicitou a retirada da sobretaxa de 50% a produtos nacionais e a suspensão de medidas restritivas aplicadas contra autoridades, defendendo que a relação entre os dois países precisa ser revista.
- O Palácio do Planalto afirmou de forma oficial: “O presidente Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad”.
- Haddad avaliou a conversa como positiva do ponto de vista econômico, reforçando que a continuidade das negociações pode favorecer o Brasil em pontos sensíveis da balança comercial com os Estados Unidos.
- Lula convidou Trump a participar da COP30 em Belém, sugeriu encontro durante a Cúpula da Asean e demonstrou disposição em visitar os Estados Unidos, sinalizando desejo de ampliar a cooperação bilateral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma videoconferência de 30 minutos nesta segunda-feira (6) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o diálogo, Lula solicitou a retirada da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. A ligação foi realizada por iniciativa de Trump e teve como objetivo reabrir um canal direto de comunicação entre os dois países.
Segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, a conversa ocorreu em clima cordial. Lula e Trump relembraram o encontro recente que tiveram em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, ocasião que reforçou a chamada “boa química” entre os dois.
“Em tom amistoso, os dois líderes conversaram por 30 minutos, quando relembraram a boa química que tiveram em Nova York por ocasião da Assembleia Geral da ONU. Os dois presidentes reiteraram a impressão positiva daquele encontro”, informou a Presidência da República.
Ainda conforme o Planalto, ambos trocaram contatos pessoais para estabelecer uma via direta de comunicação entre os dois governos, algo que não existia até então. Essa aproximação é vista como uma tentativa de fortalecer os laços bilaterais após recentes divergências.
Ponto central: sobretaxa e restrições
No diálogo, Lula destacou que o Brasil é um dos três países do G20 com os quais os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços. A partir dessa constatação, defendeu a necessidade de remover barreiras comerciais impostas contra os produtos brasileiros. Além da sobretaxa de 50%, Lula também pediu a suspensão de medidas restritivas que afetam autoridades brasileiras.
“Esse contato representa uma oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”, afirmou o presidente brasileiro durante a ligação.
O Planalto registrou que houve definição sobre os próximos passos. “O presidente Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad”, informou o Planalto.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia classificado a conversa entre Lula e Trump como positiva sob o ponto de vista econômico. Essa avaliação reforça o alinhamento do governo brasileiro em torno da busca por flexibilização da política comercial norte-americana.
Próximos encontros
Os presidentes também discutiram agendas futuras. Lula sugeriu que o próximo encontro presencial ocorra durante a Cúpula da Asean, na Malásia. Além disso, reiterou convite para que Trump participe da COP30, prevista para 2025 em Belém, no Pará. O chefe do Executivo brasileiro ainda se colocou à disposição para realizar uma visita oficial aos Estados Unidos.
A proposta indica a intenção de transformar a conversa virtual em um novo ciclo de encontros bilaterais, priorizando temas como meio ambiente, comércio e integração política. O Planalto reforçou que o gesto sinaliza um esforço de ambos os lados para superar impasses e estabelecer um diálogo duradouro.
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