Lula diz que falou a Trump que não quer “guerra” e defende disputa “na narrativa”

Lula classificou o encontro como produtivo e disse ter voltado ao Brasil mais otimista, afirmando que a reunião representou um passo importante na consolidação da relação democrática e histórica com os Estados Unidos.
Luiz Inácio Lula da Silva
Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Resumo da Notícia

  • O presidente Lula afirmou a Donald Trump que não busca uma 'guerra' com os Estados Unidos, mas sim uma disputa baseada em fatos e narrativa.
  • A principal pauta do encontro foi a discussão sobre tarifas de importação e a relação comercial entre Brasil e EUA.
  • Lula buscou desmistificar a alegação de déficit comercial dos EUA com o Brasil, afirmando que o Brasil é quem tem déficit.
  • Os próximos 30 dias serão decisivos para o avanço das negociações sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
  • Além do comércio, temas como Irã, combate ao crime financeiro organizado e exploração de minerais críticos foram abordados.
  • Lula classificou a reunião como produtiva e retornou ao Brasil 'mais otimista' sobre a relação bilateral.
  • O Pix e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas foram temas que não entraram na pauta da conversa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (8), em Brasília, que disse ao presidente Donald Trump que não quer uma “guerra” com os Estados Unidos. Segundo Lula, a disputa entre os dois países deve ocorrer no campo dos fatos e da narrativa, especialmente na discussão sobre tarifas de importação e a relação comercial entre Brasil e EUA.

A declaração foi feita durante evento do Ministério de Minas e Energia, um dia depois do encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, em Washington. O presidente brasileiro afirmou que um dos pontos centrais da conversa foi demonstrar que os Estados Unidos estavam equivocados ao apontar déficit comercial com o Brasil.

O que aconteceu entre nós e os Estados Unidos. A primeira coisa foi provar que EUA cometia equívoco ao dizer que tinham déficit comercia com a gente. Quem tem déficit é o Brasil. Era preciso colocar a verdade na mesa“, afirmou em evento do Ministério de Minas e Energia, em Brasília

Na sequência, Lula disse ter deixado claro a Trump que não pretende tratar a relação entre os países como um confronto militar ou de força, mas como uma disputa baseada em argumentos.

Eu não quero guerra com você. Eu sei que você tem o melhor navio do mundo, o melhor caça do mundo, o melhor… Eu sei de tudo isso. É preciso disputar comigo na narrativa, eu quero discutir fatos, não quero guerra. Quero provar que nós estamos certos“.

Tarifas comerciais terão 30 dias decisivos

Durante o discurso, Lula afirmou que a reunião com Trump tratou principalmente da situação das tarifas de importação envolvendo produtos brasileiros e americanos. Segundo ele, os próximos 30 dias serão decisivos para o avanço das negociações.

O presidente também buscou transmitir segurança ao setor empresarial brasileiro e afirmou estar tranquilo em relação ao diálogo com os Estados Unidos.

O Brasil não tem nenhum nenhum preconceito na sua relação comercial“, disse.

Estou muito tranquilo na nossa relação com os EUA e os empresários brasileiros podem ficar tranquilos que vai acontecer muita coisa daqui pra frente“.

A sinalização é de que as equipes dos dois governos seguirão trabalhando durante esse período para tentar avançar nas discussões sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros que entram no mercado americano.

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Lula disse ter voltado mais otimista após reunião

Na quinta-feira (7), após o encontro na Casa Branca, Lula classificou a reunião como produtiva e afirmou que retornava ao Brasil “mais otimista”. A negociação comercial foi o ponto principal da pauta, mas a conversa também abriu espaço para temas como Irã, combate ao crime financeiro organizado, exploração de minerais críticos e momentos de descontração.

Lula foi recebido com tapete vermelho e disse que a conversa não evitou temas sensíveis. Pelo contrário, afirmou que os dois trataram de assuntos que antes pareciam difíceis de serem colocados à mesa.

O presidente brasileiro também destacou que o encontro representou um passo importante na relação entre os dois países.

Fiz a reunião, estou feliz. Volto ao Brasil mais otimista. Acho que o presidente Trump também ficou otimista e espero que as coisas comecem a avançar” afirmou Lula, em entrevista coletiva na embaixada do Brasil, em Washington, após a reunião. “Saio daqui com a ideia de que demos um passo importante na consolidação da relação democrática e histórica com os EUA“.

Pix e facções criminosas não entraram na conversa

Apesar da amplitude da pauta, dois temas ficaram fora do encontro: o Pix e a possível classificação de facções criminosas como organizações terroristas. Segundo as informações divulgadas, esses assuntos não foram abordados durante a reunião.

Na parte comercial, ficou definido que as equipes dos dois governos terão mais 30 dias de trabalho para avançar na negociação sobre as tarifas de importação. A expectativa apresentada por Lula é de que esse processo produza novos desdobramentos na relação bilateral.

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