Lula afirma na Alemanha que Brasil não aceita mais ser tratado como país pequeno

Ao inaugurar o pavilhão brasileiro da Feira Industrial de Hanôver, nesta segunda-feira (20), presidente defende protagonismo brasileiro em energia limpa, inovação industrial e cooperação tecnológica.
Lula destacou a força da matriz energética brasileira e afirmou que o país reúne condições únicas para liderar a oferta de combustíveis renováveis | Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula destacou a força da matriz energética brasileira e afirmou que o país reúne condições únicas para liderar a oferta de combustíveis renováveis | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Resumo da Notícia

  • Lula participou da abertura da Feira Industrial de Hanôver, na Alemanha.
  • O presidente destacou o desejo do Brasil de ser protagonista na transição energética global.
  • Brasil busca se posicionar como economia industrial avançada e parceira estratégica.
  • O país possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, segundo o governo.
  • A comitiva brasileira na feira conta com mais de 300 empresas e startups.
  • O governo busca aprofundar parcerias científicas e tecnológicas com o mercado alemão.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (20/4), na abertura do pavilhão brasileiro da Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), na Alemanha, que o Brasil quer ocupar um novo lugar no cenário internacional, com protagonismo na transição energética, na indústria limpa e no desenvolvimento sustentável.

Diante de autoridades brasileiras e alemãs, Lula disse que o país cansou de ser pequeno e está preparado para competir em nível global, com capacidade de aprender, compartilhar tecnologia e oferecer soluções energéticas limpas.

O Brasil é um país que quer se transformar numa economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e um país pequeno, afirmou o presidente. Em seguida, reforçou a estrutura que, segundo ele, já coloca o país em condição de disputar espaço com economias industrializadas:

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Nós temos uma boa base intelectual, nós temos uma boa base tecnológica, nós temos empresas extraordinárias como a Petrobras, nós temos empresas como a Embraer, que é a terceira maior produtora de avião do mundo. E nós temos a capacidade de compartilhar com a Alemanha coisas em toda a América do Sul. E por que não dizer, a gente começar a olhar para o continente africano.

Lula coloca energia limpa no centro da estratégia brasileira

No discurso, Lula reforçou que o governo quer transformar o Brasil em referência mundial na economia verde e na oferta de combustíveis renováveis. A fala foi usada para sustentar a ideia de que o país reúne vantagens que poucos concorrentes têm hoje no cenário internacional.

O Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e que será uma potência mundial na oferta de combustível renovável ao mundo. Nós não estamos falando pouca coisa, declarou.

Segundo o presidente, cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável, um dado que, na avaliação dele, coloca o país em posição competitiva diante de outras economias industrializadas. Lula também destacou o avanço nacional nos biocombustíveis, afirmando que o Brasil já trabalha com mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel.

Ao defender a competitividade brasileira no setor, ele propôs uma comparação internacional das emissões dos combustíveis usados em veículos pesados, principalmente caminhões, para mostrar que o produto brasileiro já pode apresentar desempenho ambiental superior ao de combustíveis fósseis de outros mercados.

Vamos fazer uma comparação entre os combustíveis brasileiros e os combustíveis alemães ou qualquer outro combustível de outro país, para que a gente possa ver qual é o combustível que emite menos CO₂, disse.

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Depois da abertura do pavilhão brasileiro, Lula visitou estandes de empresas nacionais como WEG, BE8, Vale, Volkswagen Brasil, Embraer e Bayer Brasil. Na feira, foram apresentados dois caminhões movidos a biocombustível, entre eles um modelo da Mercedes-Benz abastecido com biodiesel verde.

Presença em Hanôver foi usada para defender cooperação tecnológica com a Alemanha

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Lula afirmou que a participação do Brasil na feira não tem apenas o objetivo de exibir produtos ou reforçar a imagem do país no exterior. Segundo ele, a ida a Hanôver também busca aprofundar a cooperação tecnológica com a Alemanha e abrir espaço para novos projetos industriais conjuntos.

Viemos aqui para aprender aquilo que a indústria mundial tem de novidade para o mundo. Segundo, aprender com a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Terceiro, mostrar aquilo que nós somos capazes de fazer e aquilo que a gente pode compartilhar e pode construir junto, declarou.

Ao voltar a citar Petrobras e Embraer, Lula defendeu que o Brasil já dispõe de base tecnológica, capacidade produtiva e capital humano para disputar mercados globais em pé de igualdade com países industrializados. O discurso foi construído para apresentar o país não como um participante periférico da feira, mas como um ator que quer ser tratado como parceiro estratégico em inovação, indústria e sustentabilidade.

Relação com a Alemanha foi tratada como eixo de investimento, ciência e indústria

No mesmo discurso, o presidente defendeu o aprofundamento da parceria bilateral com a Alemanha, apontando que essa relação pode ampliar investimentos, inovação e cadeias produtivas sustentáveis.

Nós, brasileiros, temos muito o que oferecer de oportunidade de investimento, também de oportunidade de compartilhamento de atividades empresariais, de atividade entre as nossas universidades, a troca de experiências científicas e tecnológicas para que a gente possa progredir e crescer junto, afirmou.

Ao encerrar a participação no evento, Lula elevou o tom político da mensagem e afirmou que a presença do Brasil em Hanôver marca uma mudança de patamar na relação entre os dois países. Depois da participação do Brasil nesta feira, a relação Alemanha e Brasil nunca mais será a mesma, disse.

Feira de Hanôver e peso da Alemanha ajudam a explicar a aposta brasileira

A ofensiva brasileira na Alemanha ocorreu na maior vitrine industrial do setor. O Brasil voltou a ser parceiro oficial da Feira Industrial de Hanôver depois de 46 anos. Realizada na cidade alemã, a mostra é considerada a maior feira industrial do mundo, tradicional espaço de exibição de avanços tecnológicos e de soluções em automatização, digitalização e eletrificação industrial, com foco recente em sustentabilidade, energia limpa e inteligência artificial.

A participação empresarial brasileira, coordenada pela ApexBrasil, envolve mais de 300 empresas, incluindo 60 startups e 140 expositores em seis pavilhões.

O peso do país anfitrião também ajuda a dimensionar a agenda. A Alemanha é a maior economia da Europa e a terceira maior do mundo, com população superior a 84 milhões de pessoas e PIB nominal superior a US$ 5 trilhões em 2025. No comércio bilateral, o país é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com fluxo de US$ 20,9 bilhões no ano passado. Também aparece como a sétima origem de investimentos diretos no Brasil, com estoque acumulado de US$ 44 bilhões.

Nesse contexto, o discurso de Lula foi além de uma fala protocolar de feira industrial. O presidente usou o evento para afirmar que o Brasil quer ser visto como economia industrial avançada, fornecedor estratégico de energia limpa e parceiro relevante de uma Europa que busca novas respostas para indústria, inovação e sustentabilidade.

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