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Política

Jean Paul Prates deixa o PT e abre negociações com PDT e MDB para 2026

Segundo Prates, a decisão não tem relação com a sua demissão da Petrobras, mas com a falta de espaço no PT no Rio Grande do Norte.

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Resumo da Notícia

  • A saída de Jean Paul Prates do PT marca um rompimento político importante no Rio Grande do Norte, com impacto direto nas articulações para o Senado em 2026.
  • As críticas do ex-senador à condução do Ministério de Minas e Energia apontam para um “caos total” na política energética brasileira, segundo suas próprias declarações.
  • Jean Paul defende que o setor exige planejamento e integração estratégica, rejeitando disputas internas e favorecimentos a grupos de lobby próximos ao governo.
  • O ex-presidente da Petrobras condenou a retomada de investimentos em etanol e o atraso nos projetos de energia eólica offshore, que só devem ser retomados após 2030.
  • Suas conversas com MDB e PDT revelam um cenário de reorganização política, indicando que Prates buscará uma nova legenda para viabilizar sua candidatura ao Senado.

O ex-senador e ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, oficializou que deixará o Partido dos Trabalhadores (PT), legenda em que militou por mais de dez anos. Em entrevista concedida ao Carta Capital, o potiguar revelou que mantém conversas avançadas com PDT e MDB, visando uma possível candidatura ao Senado em 2026.

Segundo ele, a decisão não foi motivada pela sua saída da presidência da Petrobras, em maio de 2024, mas pelo esvaziamento de espaço político dentro do PT no Rio Grande do Norte.

“Candidaturas foram lançadas de cima para baixo, sem discussão interna […] Fui senador, presidi a Petrobras, e ainda assim não houve consulta. Meu ponto não é buscar espaço para mim, mas defender que o processo de escolha de candidatos seja participativo, inclusive com as bases. Pensei que no PT esta seria a regra. Como não foi, vou-me embora para outro lugar que seja assim”, afirmou.

O ex-senador declarou que sua saída do partido ocorrerá em três etapas: despedida tranquila, definição de uma nova legenda e, por último, discussão sobre candidatura ao Senado em 2026.

Críticas ao governo e ao setor energético

Jean Paul Prates atribuiu a saída da Petrobras às divergências com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Segundo ele, a política energética do país atravessa uma situação crítica.

“Hoje, há uma crise gigantesca acontecendo, que muita gente evita admitir. Se você perguntar a qualquer pessoa minimamente séria do setor de energia se está satisfeita com a gestão do Ministério de Minas e Energia, a resposta é não. É um caos total”, afirmou.

Prates também caracterizou a condução de Alexandre Silveira como “uma espécie de quermesse de megawatts”, onde empresas influentes do setor conseguem vantagens por meio de lobby e proximidade política, enquanto outras ficam à margem. Para ele, esse modelo fragiliza a integração e o planejamento da política energética nacional.

“O setor de energia exige integração, planejamento e inteligência, e não disputas internas. Política energética em um país como o Brasil, com tantas fontes disponíveis, não deve ser guerra por espaços, mas sim gestão coordenada e estratégica”, declarou.

Petrobras e desacordos estratégicos

Prates avaliou que a Petrobras mantém parte do plano que estruturou quando presidiu a estatal, mas também acumula retrocessos. Entre os pontos de discordância, ele destacou:

  • Retomada de investimentos em etanol, considerada por ele equivocada, já que o setor não precisa da estatal na produção, mas sim na criação de mercados e canais de distribuição.
  • Adiamento da energia eólica offshore, transferida para depois de 2030. Para Prates, essa decisão compromete a posição da empresa em um setor estratégico.
  • Foco no coprocessamento de diesel com óleo vegetal, tecnologia patenteada pela Petrobras e que deveria, segundo ele, ser priorizada.

“Anunciar que ficaria fora desse segmento até 2035 não era necessário, a empresa poderia continuar avançando nesse sentido sem comprometer seus investimentos em pré-sal, petróleo ou gás”, completou.

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Rafael Nicácio
Sobre o autor

Rafael Nicácio

Proprietário, redator e editor

Co-fundador e redator do Portal N10, sou responsável pela administração e produção de conteúdo do site, consolidando mais de uma década de experiência em comunicação digital. Minha trajetória inclui passagens por assessorias de comunicação…

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