Resumo da Notícia
A primeira-dama Rosângela “Janja” da Silva usou as redes sociais para rebater declarações do enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para parcerias globais, o ítalo-americano Paolo Zampolli, após falas ofensivas sobre mulheres brasileiras. Em publicação no Instagram, Janja afirmou que é “impossível não se indignar diante da fala” do representante americano.
Na mensagem, a primeira-dama respondeu diretamente ao conteúdo das declarações atribuídas a Zampolli, que chamou brasileiras de “raça maldita” e disse que elas seriam “programadas para criar confusão”. Para Janja, a resposta passa pela reafirmação da identidade e da resistência das mulheres brasileiras diante da violência e do silenciamento.
“As mulheres brasileiras, com muita força e coragem, rompem, diariamente, ciclos de violência e de silenciamento. Dizer que somos uma ‘raça maldita’ e ‘programadas para causar confusão’ não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente”, escreveu.
Na sequência, ela reforçou o tom de enfrentamento às violências de gênero. “Na indignação, nos fortalecemos. Nos unimos para combater o machismo, a misoginia, o feminicídio e toda forma de violência contra nós. Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, com sonhos e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para ser quem quisermos”, acrescentou.
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Ministério das Mulheres também repudiou as declarações
A reação não ficou restrita ao Palácio do Planalto. O Ministério das Mulheres também divulgou posicionamento de repúdio às falas de Zampolli, dadas em entrevista à emissora italiana RAI.
Na manifestação, a pasta classificou o conteúdo como manifestação de ódio e rejeitou qualquer tentativa de relativizar esse tipo de discurso sob argumento de liberdade de expressão.
“A misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão”, afirmou o ministério.
O que disse Paolo Zampolli
As declarações do enviado especial dos Estados Unidos ganharam repercussão após entrevista à Rai. Durante a conversa, Paolo Zampolli chamou mulheres brasileiras de “raça maldita” e afirmou que elas seriam “programadas” para gerar confusão, usando como exemplo sua ex-esposa, a paranaense Amanda Ungaro.
“As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo, certo? Não é que essa foi a primeira”, afirmou Zampolli, que é acusado de abuso sexual e violência doméstica por Ungaro.
Ao ser perguntado sobre quem seria uma amiga da ex-esposa, ele respondeu: “Uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais”.
Depois, ao falar sobre a mesma pessoa, declarou: “Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca”.
Paolo Zampolli e Amanda Ungaro foram casados durante duas décadas e têm um filho de 15 anos. O material também informa que, segundo o New York Times, ao saber que a ex-esposa havia sido detida por fraude, o conselheiro de Trump pediu ao Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) que ela fosse deportada, sob alegação de permanência irregular em território americano. Amanda retornou ao Brasil de forma forçada em outubro do ano passado.
