Resumo da Notícia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai tentar interferir no processo eleitoral de 2026 por meio de sua atuação na Corte.
A declaração foi feita na quarta-feira (15 de abril de 2026), durante sessão plenária do Senado, um dia depois de Moraes autorizar a abertura de inquérito para investigar o congressista por suspeita de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontado no texto como principal adversário de Flávio na disputa de outubro.
Na tribuna, o senador disse ver uma estratégia definida do ministro. “Está muito claro qual é a estratégia. Já que agora Alexandre de Moraes não está mais nos TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ele vai querer desequilibrar as eleições lá do Supremo. […] Essa prática não dá para aceitar em outras eleições, agora em 2026”, declarou.
Ao falar no plenário, Flávio afirmou que Moraes deverá usar o inquérito das fake news durante o processo eleitoral para atingir adversários políticos da direita. O senador associou a investigação à atuação do ministro em disputas anteriores e disse que o mecanismo seguirá sendo usado contra parlamentares desse campo político.
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“Nós já vimos esse filme antes. Foi dada uma autorização para o ministro Alexandre de Moraes cometer uma série de atrocidades […]. A pretexto de defender a democracia, ele atropelou vários direitos e garantias individuais de parlamentares do espectro da direita”, afirmou.
Flávio também atacou a duração e o alcance do inquérito. Segundo ele, trata-se de um procedimento aberto há sete anos e com capacidade de absorver qualquer alvo definido pelo ministro. “Malfadado inquérito que atrai tudo o que ele quiser e quem ele quiser”, disse.
Em seguida, completou: “isso vai ser recorrentemente usado durante as eleições deste ano para tentar me impedir de expressar o meu ponto de vista e falar a verdade sobre, inclusive, ele”.
O que motivou a abertura do inquérito no STF
Moraes autorizou a abertura do inquérito na quarta-feira (15 de abril de 2026) para apurar uma publicação feita por Flávio em janeiro. Na ocasião, o senador comentou a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditadores, eleições fraudadas”.
A Polícia Federal avaliou que o senador atribuiu crimes falsamente ao presidente da República e pediu ao ministro a abertura da investigação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a medida e afirmou ver indícios de que Flávio possa ter cometido o crime de calúnia.
Esse é o ponto central da reação política do senador: a investigação aberta a partir dessa publicação passou a ser tratada por ele como parte de um movimento mais amplo de interferência no debate eleitoral.
No mesmo contexto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que vai deixar a Advocacia do Senado à disposição de Flávio, de Vieira e dos demais senadores. Segundo ele, a estrutura jurídica da Casa vai “auxiliar em tudo o que for necessário”.
De acordo com Alcolumbre, esse apoio inclui a proposição de matérias “para defender a legitimidade do voto popular e as prerrogativas dos senadores”. A fala reforça que a reação ao inquérito não ficou restrita ao discurso de Flávio e também passou a ser tratada como tema institucional dentro do Senado.
