Flávio Bolsonaro critica Lula e diz ter pedido a Trump para não taxar o Brasil

O senador afirmou que a postura do Executivo brasileiro em temas como segurança pública e política externa dos Estados Unidos pesa contra o Brasil nesse diálogo.
Flávio afirma que tentou barrar taxa dos EUA sobre produtos do Brasil
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos EUA, Donald Trump - Crédito: Instagram

Resumo da Notícia

  • O senador Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido pessoalmente a Donald Trump que não aplique tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
  • O governo dos Estados Unidos investiga práticas comerciais brasileiras, citando setores como etanol, Pix e propriedade intelectual.
  • O relatório do USTR classifica políticas brasileiras como irrazoáveis e sugere a aplicação de tarifas sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
  • Flávio Bolsonaro atribuiu a desconfiança do governo americano em relação ao Brasil à postura diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
  • As medidas propostas pelos EUA estão em fase de consulta pública, com decisão final sobre a aplicação das tarifas prevista para 15 de julho.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pediu diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para não aplicar tarifas contra empresas brasileiras. A declaração foi dada à rádio Itatiaia, de Minas Gerais, em meio à proposta do governo americano de impor uma taxa de 25% sobre produtos do Brasil.

Segundo o parlamentar, o pedido foi feito em reuniões que também contaram com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio. Flávio disse ter usado como argumento a importância da tecnologia e da produção nacional brasileira, citando setores como o agronegócio, o Pix e o etanol.

É um pedido que eu fiz expresso a eles, porque eu disse o seguinte: a partir de 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês e vai negociar de igual para igual”, declarou.

A fala coloca o senador no centro da discussão política sobre a pressão comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. Ao mesmo tempo em que afirma ter pedido para que empresas brasileiras não sejam atingidas por tarifas, Flávio Bolsonaro também atribui ao governo Lula a responsabilidade pelo ambiente de desconfiança nas negociações com autoridades americanas.

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Investigação dos EUA cita Pix, etanol e propriedade intelectual

A declaração de Flávio Bolsonaro foi feita no mesmo dia em que veio a público a conclusão de uma investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão classificou políticas do governo brasileiro como “irrazoáveis” e sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25%, sob o argumento de que práticas brasileiras restringem o comércio norte-americano.

O relatório é baseado na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e aponta problemas em seis áreas. Entre elas estão o mercado de etanol, os serviços de pagamento eletrônico, a proteção da propriedade intelectual e a aplicação de leis contra o desmatamento.

No campo digital, a investigação cita ordens judiciais brasileiras para suspensão de perfis em redes sociais e remoção de conteúdo, além de restrições a sistemas de pagamentos. Em relação ao etanol, o documento afirma que o Brasil não oferece reciprocidade tarifária desde 2017.

Também aparecem no relatório críticas à aplicação considerada ineficaz de leis contra o desmatamento e a falhas na proteção da propriedade intelectual.

Senador critica Lula e fala em desconfiança dos EUA

Flávio Bolsonaro criticou a condução diplomática do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o petista teria gerado desconfiança nas autoridades americanas, o que dificultaria as negociações comerciais entre os dois países.

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O senador afirmou que a postura do Executivo brasileiro em temas como segurança pública e política externa dos Estados Unidos pesa contra o Brasil nesse diálogo.

Sentado hoje na cadeira de presidente da República, você tem alguém que simplesmente conseguiu ganhar a desconfiança do governo americano. Eles não confiam no Lula, porque o Lula sai de lá pedindo primeiro para não combater facções criminosas”, disse Flávio Bolsonaro.

Em seguida, o parlamentar reforçou a crítica ao presidente.

‘Os caras’ já pensam o que, ‘pô’: ‘Que presidente é esse? Estamos aqui oferecendo uma ajuda, uma cooperação, e o presidente do Brasil sai daqui pedindo (1:12) o contrário, para defender bandido, para defender terrorista’”, completou.

A fala amplia o confronto político em torno da possível tarifa americana. Flávio tenta separar sua atuação junto ao governo Trump da acusação de que a oposição estaria estimulando prejuízos ao Brasil, e passa a responsabilizar Lula pela deterioração da confiança com Washington.

O embaixador americano Jamieson Greer afirmou que a investigação do USTR foi iniciada a pedido de Donald Trump para tratar de preocupações comerciais persistentes.

Apesar das reuniões entre Trump e Lula nos últimos meses, Greer ressaltou que ainda existem divergências substanciais entre os dois países. A declaração reforça que o tema não está encerrado e segue em avaliação dentro do governo americano.

As medidas propostas pelos Estados Unidos estão em fase de consulta pública até 1º de julho. Uma audiência sobre o assunto será realizada em 6 de julho, e o prazo final para a decisão sobre as tarifas está fixado em 15 de julho.

Tarifa de 25% vira novo foco da disputa política

A possível taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos passou a ocupar o centro do embate entre governo e oposição. De um lado, Flávio Bolsonaro afirma ter pedido a Trump para não atingir empresas do Brasil. De outro, direciona críticas ao governo Lula e diz que a atual gestão perdeu credibilidade diante das autoridades americanas.

O caso tem peso político e econômico porque envolve setores estratégicos, como agronegócio, etanol, pagamentos digitais e propriedade intelectual. A depender da decisão final dos Estados Unidos, a tarifa de 25% pode ampliar a tensão bilateral e produzir novos desdobramentos na política brasileira.

Por enquanto, a proposta ainda não está em vigor. O calendário definido pelos Estados Unidos prevê consulta pública até 1º de julho, audiência em 6 de julho e decisão final até 15 de julho.

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