Flávio Bolsonaro afirma que, se vencer, subirá rampa do Planalto com o pai

O senador também defendeu que uma eventual vitória sua mudaria a relação entre Congresso e STF, porque, em sua leitura, hoje existe receio de reação da Corte diante de propostas como anistia ou revisão de punições aplicadas a aliados bolsonaristas.
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Crédito: Vini Dalla Rosa / Divulgação

Resumo da Notícia

  • Flávio Bolsonaro declarou que, se eleito presidente, Jair Bolsonaro o acompanharia na subida da rampa do Palácio do Planalto.
  • A promessa está condicionada a uma mudança no quadro legal de Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar.
  • Flávio mencionou um projeto em tramitação no Congresso que poderia reverter punições, comparando-o a um 'zerar o jogo'.
  • O senador argumenta que uma vitória presidencial mudaria o ambiente político, facilitando a aprovação de projetos como a anistia.
  • O plano bolsonarista inclui a meta de eleger 40 senadores para controlar a presidência da Casa e influenciar pautas como impeachment de ministros do STF.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou neste fim de semana, em Porto Alegre, que pretende subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado do pai, Jair Bolsonaro (PL), caso vença a eleição.

A declaração tem peso político e jurídico porque, hoje, o ex-presidente cumpre condenação de 27 anos de prisão em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Para que a promessa se concretize, portanto, seria necessária uma mudança no quadro legal de Bolsonaro.

A frase foi dita de forma direta durante o discurso: O presidente Jair Messias Bolsonaro vai subir a rampa junto com a gente em janeiro do ano que vem. Antes de falar, Flávio pediu que mulheres presentes em um café da manhã ligassem os celulares e enviassem o vídeo a amigos e parentes, numa tentativa clara de dar repercussão pública ao recado.

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Promessa depende de mudança no quadro jurídico de Jair Bolsonaro

A fala de Flávio não ficou apenas no campo simbólico. Ao defender a possibilidade de Jair Bolsonaro participar da posse, o senador vinculou esse cenário à articulação política em curso no Congresso Nacional para alterar a situação dos condenados pelos atos ligados à tentativa de golpe.

Segundo ele, há uma proposta em tramitação que poderia mudar esse quadro. Se Deus permitir, nós vamos vencer essa eleição no primeiro turno. Há projeto já tramitando no Congresso Nacional que trata de uma espécie de, não é uma anistia, mas é um zerar o jogo de verdade pra fazer justiça, não só ao presidente Bolsonaro, mas à Débora do Batom.

Esse movimento não é novo. Desde 2023, início da atual legislatura, a direita tenta aprovar uma anistia que reverta punições impostas ao ex-presidente e a outros acusados de tentativa de golpe. Até aqui, porém, esse esforço político não conseguiu maioria suficiente em Brasília para anular as penas.

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O que avançou foi a proposta de redução das penas. O chamado projeto da Dosimetria acabou vetado pelo presidente Lula (PT), e esse veto, será apreciado pelo Congresso no dia 30 deste mês.

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Flávio aposta em vitória presidencial para mudar relação com o STF

Na avaliação de Flávio Bolsonaro, uma eventual vitória presidencial mudaria o ambiente político que hoje, segundo ele, dificulta o avanço dessas propostas. O senador argumenta que existe temor, entre parlamentares, sobre a reação do Supremo Tribunal Federal (STF) diante de uma eventual aprovação da anistia, e sustenta que esse freio deixaria de existir com a troca de comando no Palácio do Planalto.

Foi nesse contexto que ele declarou: A anistia é de competência exclusiva do Congresso Nacional, e as ameaças que tem por parte de um ou outro não vão se sustentar após as eleições de outubro. E o Congresso vai aprovar esse projeto de lei, uma redação que atenda a todos, que permita que todos possam voltar para suas casas.

A fala mostra que a estratégia do grupo não está concentrada apenas na disputa presidencial. Ela passa também por uma reorganização institucional mais ampla, com pressão direta sobre o Congresso e, especialmente, sobre o Senado.

Projeto político inclui tentar eleger 40 senadores

Durante a agenda no Rio Grande do Sul, Flávio também pediu votos para os pré-candidatos ao Senado no estado, os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Sanderson (PL-RS). O gesto se encaixa em um plano antigo do bolsonarismo: ampliar fortemente sua presença no Senado.

Desde 2023, o grupo trabalha com a meta de alcançar 40 cadeiras na Casa. Como o Senado tem 81 vagas, esse número permitiria controlar a presidência da instituição. E esse comando é visto como estratégico porque cabe ao Senado deliberar sobre impeachment de ministros do STF, além de definir a pauta de votações por meio de seu presidente.

Flávio não afirmou de forma categórica que haverá pedido de impeachment de ministro do Supremo caso vença a eleição, mas deixou esse caminho em aberto. Já os aliados falaram de maneira mais dura. O deputado Sanderson, pré-candidato ao Senado, disse em discurso que não quer apenas impeachment, mas cadeia para quem abusa do poder.

No fim, a declaração sobre a rampa do Planalto resumiu algo maior do que um gesto de campanha. Ela condensou o projeto político apresentado por Flávio em Porto Alegre: vencer a eleição, mudar a correlação de forças no Congresso, alterar o cenário jurídico de Jair Bolsonaro e recolocar o ex-presidente no centro da cena institucional.

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