Resumo da Notícia
A governadora Fátima Bezerra (PT) deixou explícito que pretende conduzir pessoalmente a disputa pelo comando do Rio Grande do Norte em 2026.
Durante entrevista ao programa “Além da Notícia”, exibido pelas TVs Metropolitano e Trampolim, ela afirmou: “Vou eleger Cadu Xavier governador”, em referência ao ex-secretário estadual da Fazenda. A declaração coloca a chefe do Executivo no centro da sucessão e indica que o Palácio do Governo trabalhará para manter seu grupo político no poder.
Na mesma entrevista, Fátima foi além ao desenhar o mapa eleitoral que pretende defender no próximo ano. “O time do Lula é fortíssimo. Vou eleger Cadu Xavier governador e a vereadora Samanda como senadora. A federação vai fazer no mínimo três deputados federais e pode brigar pela quarta vaga”, afirmou. Ao usar a expressão “time de Lula”, a governadora conecta o projeto potiguar ao campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e insere a disputa estadual dentro da polarização nacional.
Fátima atribui ruptura com Walter Alves a movimento para barrar candidatura ao Senado
Ao falar sobre a relação com o vice-governador Walter Alves (MDB), Fátima afirmou que a decisão dele de não assumir o governo teve motivação eleitoral. Segundo ela, a movimentação tinha como objetivo inviabilizar sua candidatura ao Senado.
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“Isso foi um movimento articulado exatamente para inviabilizar minha candidatura ao Senado. Eles sabiam que a vaga era minha”, declarou.
A fala reforça que, para a governadora, a sucessão estadual e a eleição para o Senado já estão colocadas dentro de uma mesma disputa de forças. Mesmo diante do rompimento, ela demonstrou confiança na capacidade do grupo político de chegar competitivo a 2026.
Fátima também usou a entrevista para defender a condução fiscal do governo e rebater críticas à situação financeira do Estado. Ao reconhecer dificuldades, atribuiu o cenário à herança recebida no início da gestão e fez uma comparação direta com a realidade encontrada pelo governador da Paraíba, João Azevêdo.
“Você sabe como o querido governador João Azevêdo recebeu a Paraíba? Com quase R$ 5 bilhões de superávit. Eu cheguei aqui foi com déficit. Só de folha em atraso, de R$ 1 bilhão. E o sucateamento generalizado das políticas sociais”, afirmou.
Para sustentar o discurso de recuperação, citou medidas adotadas ao longo do mandato, entre elas a recomposição do ICMS, a lei que limita o crescimento da folha ao aumento da receita e o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi), apontado por ela como instrumento para ampliar empregos e segurar empresas no Rio Grande do Norte.
Mesmo admitindo que os problemas não desapareceram, a governadora afirmou que o Estado já apresenta sinais de reação. “Temos sim as dificuldades. Elas existem ainda, mas o dado concreto é que o Estado está no rumo certo. E o que está já projetado é crescimento da economia. Com os novos investimentos que estão chegando, associados a essas medidas que nós estamos tomando, eu não tenho nenhuma dúvida de que o Rio Grande do Norte vai sim conseguir seu equilíbrio”, disse.
Governadora reage a críticas, fala em ataque da mídia e cobra reação do governo
Ao abordar a própria avaliação popular, Fátima adotou tom de confronto. Segundo ela, o governo sofre pressão permanente da chamada mídia corporativa e de campanhas de desinformação.
“Nós sofremos um ataque sistemático por parte da mídia corporativa que — não vou generalizar, mas na sua grande maioria — se comporta como uma imprensa partidária, como uma imprensa que tem lado. É um ataque sistemático do ponto de vista de desinformar. Ao invés de narrar o fato, respeitando a verdade, narra as fake news, destilando ódio, preconceito”, declarou.
Ao mesmo tempo, reconheceu que o próprio governo precisa reagir melhor no campo da comunicação. “O governo precisa ir para cima”, afirmou, em recado direcionado à equipe e aos aliados.
Obras hídricas, BR-304 e educação aparecem como eixo de defesa da gestão
No balanço administrativo, Fátima apontou as obras estruturantes como parte central do legado que quer associar ao seu governo. Entre elas, citou a chegada ao Rio Grande do Norte das águas da transposição do Rio São Francisco, a barragem de Oiticica e o túnel Major Sales, cuja conclusão, segundo ela, deverá ocorrer com a presença do presidente Lula nos próximos meses.
Na infraestrutura, rebateu críticas sobre o andamento da duplicação da BR-304, obra realizada pelo Governo do Estado. “Já começou e está acelerada”, afirmou, em resposta a questionamentos da oposição.
Na área da educação, citou investimentos em reforma de escolas, ampliação do ensino integral e valorização do magistério como pilares da política pública. Apesar de reconhecer a posição do Estado nos indicadores nacionais, disse esperar melhora nos resultados. “O ponteiro do Ideb já começou a subir”, afirmou.
Em outro momento da entrevista, Fátima retomou a própria trajetória para reforçar sua identidade política. Ao lembrar a infância em Nova Palmeira (PB) e a convivência com a seca, afirmou que essa experiência influencia diretamente sua atuação à frente do Executivo.
“Sou a primeira governadora de origem popular do Rio Grande do Norte”, disse.
A declaração completa o tom que marcou toda a entrevista: defesa do governo, reação a críticas, apresentação de resultados e demarcação antecipada do projeto político que ela pretende liderar em 2026.
