Resumo da Notícia
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, convocou nesta quinta-feira (12) uma reunião reservada com ministros da Corte para apresentar oficialmente o relatório da Polícia Federal que analisou dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento, produzido no âmbito de uma investigação criminal, registra menções ao nome do ministro Dias Toffoli, atual relator do inquérito que apura supostas fraudes bilionárias envolvendo a instituição financeira.
A reunião, que teve início ainda durante a tarde, se estendeu por mais de duas horas. No início da noite, os ministros fizeram uma pausa de aproximadamente uma hora, com previsão de retomada em seguida. Até o último registro disponível, o encontro ainda não havia sido concluído, o que indica a sensibilidade e a complexidade do tema tratado internamente no STF.
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Além de apresentar o conteúdo do relatório da Polícia Federal, Fachin informou aos ministros que já recebeu formalmente a resposta encaminhada por Dias Toffoli, na qual o magistrado se manifesta sobre as informações constantes no documento da PF. O ministro, segundo interlocutores do Supremo, afirmou não enxergar conflito de interesses que o impeça de continuar à frente da relatoria do caso.
Nota pública e vínculos empresariais
Ainda nesta quinta-feira, Dias Toffoli divulgou nota pública na qual admite ser sócio da empresa Maridt, responsável pela venda do resort Tayayá, localizado no Paraná. O empreendimento foi negociado com fundos ligados ao Banco Master, fato que passou a integrar o debate interno após a divulgação do relatório policial. Na mesma manifestação, o ministro negou manter amizade com Daniel Vorcaro e também rechaçou qualquer recebimento de valores por parte do banqueiro.
Segundo informações oficiais do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin já encaminhou o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão se manifeste sobre o conteúdo e adote as providências que considerar cabíveis no âmbito de suas atribuições constitucionais.
Pressão política e pedido de suspeição
Paralelamente à movimentação no STF, o caso ganhou novo desdobramento no campo político. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta quinta-feira uma representação formal na PGR solicitando que o órgão peça ao Supremo a suspeição de Dias Toffoli no inquérito que investiga o Banco Master. O parlamentar defende o afastamento imediato do ministro da relatoria, sob o argumento de que os fatos revelados podem comprometer a imparcialidade exigida no julgamento do caso.
Relatório da Polícia Federal
O relatório que motivou a convocação da reunião foi entregue a Edson Fachin pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na última segunda-feira (9). O material analisa dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro, após a identificação de irregularidades de grande escala.
Após a divulgação inicial das informações, na quarta-feira (11), o gabinete de Dias Toffoli divulgou uma primeira nota, classificando as menções ao nome do ministro como “ilações” e sustentando que não há fundamento jurídico para alegação de suspeição. Pela legislação, caso a suspeição fosse reconhecida, Toffoli deveria se afastar da condução do processo.
