Resumo da Notícia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elogiou neste sábado (18) o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, por não permitir que aviões dos Estados Unidos partissem da Espanha para atuar em operações da guerra contra o Irã.
A declaração foi feita em Barcelona, durante a primeira reunião da Mobilização Progressista, evento presidido por Lula e Sánchez e voltado à articulação de líderes progressistas. Na fala, o presidente brasileiro afirmou: “Elogio meu querido Pedro Sánchez pela coragem de não permitir que aviões de guerra dos Estados Unidos saíssem daqui para atirar no Irã“.
A manifestação de Lula ocorreu em meio ao endurecimento da posição do governo espanhol sobre o conflito. No fim de março, a Espanha fechou o espaço aéreo para aviões dos Estados Unidos envolvidos em ataques contra o Irã, avançando além da proibição anterior de uso de bases militares espanholas. A medida colocou Madri em rota de colisão com Washington e ampliou o peso político de Sánchez entre os críticos das ações militares conduzidas pelos EUA e por Israel.
O que a Espanha decidiu sobre a guerra contra o Irã
A posição do governo espanhol foi explicitada pela ministra da Defesa, Margarita Robles, ao anunciar que o país não autorizaria nem o uso das bases militares nem o do espaço aéreo em ações ligadas ao conflito. Nas palavras da ministra: “Não autorizamos o uso de bases militares nem o uso do espaço aéreo para ações relacionadas à guerra no Irã“.
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O gesto teve impacto diplomático porque representou um passo além do bloqueio anterior já imposto à utilização de instalações militares espanholas. Ao fechar também o espaço aéreo, a Espanha elevou o tom da resposta diante da guerra e reforçou a linha assumida por Pedro Sánchez, que vem sendo apontado como um dos críticos mais duros dos ataques promovidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
Sánchez tem classificado essas ações como imprudentes e ilegais. A reação dos Estados Unidos também apareceu de forma clara: o presidente Donald Trump ameaçou cortar relações comerciais com Madri por causa da negativa espanhola ao uso de bases na guerra.
Ao elogiar Sánchez publicamente, Lula se alinhou à posição adotada pela Espanha e transformou a decisão do governo espanhol em um dos pontos centrais do encontro em Barcelona. A fala do presidente brasileiro não veio isolada. Ela se encaixa em um ambiente político mais amplo, no qual a guerra, o multilateralismo e o avanço da ultradireita passaram a ocupar o centro das discussões promovidas por lideranças progressistas.
O elogio também ajuda a dimensionar o tipo de articulação que o evento pretende projetar. Não se trata apenas de uma reunião simbólica entre líderes de esquerda, mas de uma tentativa de construir respostas políticas conjuntas para crises internacionais que, segundo os organizadores, vêm sendo agravadas por intervenções militares, cortes na ajuda humanitária e ameaças de ruptura nas alianças tradicionais do Ocidente.
O que é a Mobilização Progressista Global
Os encontros da esquerda global começaram em Barcelona na sexta-feira (17) e seguiram neste sábado (18). A proposta, segundo o material divulgado, é defender o multilateralismo e mobilizar movimentos de esquerda contra a ultradireita.
As reuniões foram organizadas pela Espanha e por redes políticas de esquerda, em um momento em que os cortes drásticos na ajuda humanitária, as intervenções militares e as ameaças de abandono da Otan promovidas por Trump abalam o status quo das relações internacionais e provocam uma reavaliação das alianças globais.
A chamada Mobilização Progressista Global nasceu de um alerta dirigido aos socialistas europeus após a ascensão da ultradireita nas eleições para o Parlamento Europeu em 2024. O objetivo é mobilizar defensores de ideias de esquerda e culminar em uma declaração de ações conjuntas sobre metas que vão da defesa da democracia à transição verde, segundo os organizadores.
O encontro deste sábado, intitulado “Em defesa da democracia”, foi organizado pelo governo espanhol e corresponde à quarta edição de uma cúpula lançada por Lula e Sánchez em 2024.
